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França

França explica alvos visados no ataque contra arsenal químico da Síria

media Míssil visto a partir de Damasco durante operação das potências ocidentais nesta madrugada. SANA/Handout via REUTERS

Estados Unidos, França e Reino Unido bombardearam alvos na Síria na madrugada deste sábado (14), em uma ação coordenada contra o regime de Bashar Al-Assad uma semana após um suposto ataque com armas químicas ter matado mais de 40 civis em Duma, nos arredores de Damasco. A Rússia convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, "para evocar as ações agressivas" dos americanos e seus aliados. Segundo Moscou, o ataque da coalizão ocidental não deixou vítimas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que Paris e seus aliados não podem "tolerar a banalização do uso de armas químicas" contra a população síria. Em um comunicado, pouco tempo depois da operação militar, Macron afirmou que "os fatos e a responsabilidade do regime sírio não deixam a menor dúvida sobre a morte de dezenas de homens, mulheres e crianças no dia 7 de abril em Duma".

"A linha vermelha fixada pela França em maio de 2017 foi ultrapassada. Assim, eu ordenei às forças francesas para intervir nesta madrugada, em uma operação internacional feita em coalizão com os Estados Unidos e o Reino Unido, e dirigida contra o arsenal químico clandestino do regime sírio", destacou Macron.

O comunicado do Palácio do Eliseu informa que "a França e seus parceiros retomarão ainda hoje os esforços nas Nações Unidas para permitir a implementação de um mecanismo internacional capaz de estabelecer as responsabilidades, prevenir a impunidade e impedir qualquer tentativa de reincidência do regime sírio".

Macron publicou no Twitter uma foto em que ele aparece presidindo uma reunião no Palácio do Eliseu, durante a madrugada, com a ministra da Defesa, Florence Parly, e seus principais assessores diplomáticos e militares.

Alvos e armas

Em entrevista coletiva nesta manhã, ainda no palácio presidencial, a ministra da Defesa esclareceu que os ataques aéreos atingiram o "o principal centro de pesquisas" e "duas unidades de produção do programa clandestino químico" do regime sírio. Dois alvos evocados pela ministra ficam na província de Homs; o terceiro, o centro de pesquisas de Barzeh, na periferia de Damasco. Os franceses não participaram do bombardeio ao centro de pesquisas, de acordo com o Eliseu.

A França utilizou na intervenção cinco aviões Rafale, quatro caças Mirage 2000-5, dois aviões equipados com o sistema eletrônico Awacs, que permite detectar baterias antiaéreas, cinco aviões de reabastecimento no ar e cinco fragatas, de acordo com informações do Eliseu. As forças francesas lançaram 12 mísseis de cruzeiro e bombardearam dois alvos na província de Homs.

Parly garantiu que "a capacidade de desenvolver e de produzir armas químicas foi atingida" e foi cumprido o objetivo de impedir que o regime faça novamente uso de armas químicas". Ao lado de Parly na coletiva, o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, ressaltou que "não é aceitável uma escalada química na Síria". A ministra da Defesa destacou que os ocidentais não buscam o enfrentamento, nem uma escalada militar na Síria.

Trump: "crimes de um monstro"

O primeiro a anunciar o ataque foi o presidente americano, Donald Trump. "Ordenei às Forças Armadas dos Estados Unidos ataques de precisão contra alvos associados à capacidade de produção de armas químicas do ditador Bashar Al-Assad."

"No sábado passado, o governo de Assad utilizou novamente armas químicas para massacrar civis inocentes, desta vez na cidade de Duma. [...] Este ataque desprezível e maligno deixou mães e pais, bebês e crianças sufocados. Estas não são as ações de um homem, são os crimes de um monstro". "O objetivo de nossas ações esta noite foi estabelecer uma poderosa dissuasão contra a produção, distribuição e uso de armas químicas", declarou Trump.

A primeira-ministra britânica, Thereza May, afirmou que "a operação ocidental é uma mensagem clara contra o uso de armas químicas". Para May, os ataques, que consumiram dezenas de mísseis, foram "justos e legais".

O governo da Alemanha manifestou seu apoio à intervenção militar americana e dos aliados europeus, estimando que ela foi "necessária e apropriada".

A Turquia também considerou a intervenção adequada, assim como Israel e o Canadá.

Reações: "insulto a Putin"

Na primeira reação de Moscou ao ataque, que envolveu uma centena de mísseis, o embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, advertiu "que estas ações não ficarão sem consequências". "Toda a responsabilidade recai sobre Washington, Londres e Paris", disse, acrescentando que o ataque dos três membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU foi "um insulto ao presidente russo, Vladimir Putin".

O ministério da Defesa russo divulgou um comunicado no qual afirma que a defesa antiaérea russa derrubou "um número significativo" de mísseis ocidentais.

A porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores Maria Zajarova escreveu no Facebook: "os que estão por trás de tudo isto afirmam ter a liderança moral no mundo e declaram ser excepcionais, e realmente têm que ser muito excepcionais para bombardear a capital da Síria no momento em que havia a oportunidade de se ter um futuro pacífico".

A agência oficial síria Sana declarou que a agressão "bárbara e brutal" teve como "principal objetivo dificultar o trabalho da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) e pressionar sua missão na tentativa de dissimular as mentiras e invenções" dos ocidentais.

O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, considerou o ataque ocidental um "crime inútil contra a Síria".

A chancelaria iraniana emitiu uma nota na qual destaca que "os Estados Unidos e seus aliados, sem qualquer aviso e antes de uma posição da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), realizou esta ação militar (...) contra a Síria e será responsável pelas consequências regionais desta aventura".

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu moderação e que os países evitem qualquer ato que possa provocar uma escalada violenta na Síria. "Qualquer uso de armas químicas é abominável. O sofrimento que causa é terrível", reconheceu Guterres, destacando que também é importante atuar de acordo com a carta das Nações Unidas e o direito internacional. A Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e aliada do presidente sírio Bashar Al-Assad, tem vetado sistematicamente resoluções de proteção à população síria.

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