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Mundo

Governo de Hong Kong espera "volta à calma" sem ceder a demandas de manifestantes

media A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (20). REUTERS/Ann Wang

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, disse esperar que "uma volta à calma" esteja a caminho no território, depois que a grande manifestação do último domingo (18) acabou sem violência. A cidade vive 11 semanas consecutivas de turbulências, com protestos diários contra a interferência de Pequim. Os confrontos entre manifestantes e a polícia são frequentes.

Aabla Jounaïdi, enviada especial a Hong Kong*

Depois de passar vários dias sem se manifestar, a chefe do Executivo de Hong Kong fez um apelo para a abertura do diálogo com os manifestantes. Foi a insistência de Carrie Lam em apresentar um projeto de lei que previa a extradição de cidadãos da região semiautônoma para a China continental que deflagrou a onda de protestos. "Eu e minha equipe estamos dispostos a ouvir o que as pessoas têm a dizer", declarou Lam durante entrevista coletiva, sem mencionar o polêmico projeto.

Apesar do tom mais conciliador, Carrie Lam continua sem ceder às demandas dos manifestantes. Ela informou que 174 queixas contra a polícia foram registradas desde o início do movimento, em junho. Mas, até agora, o governo de Hong Kong se recusa a abrir uma investigação sobre eventuais abusos das forças de ordem, que utilizaram grandes quantidades de gás lacrimogêneo e gás pimenta, além de balas de borracha para conter os protestos.

O Twitter e o Facebook acusaram Pequim de promover uma intensa campanha de desinformação nas redes sociais para desmoralizar os protestos. Os dois gigantes digitais americanos informaram ter cancelado quase mil contas criadas com esse objetivo. O Twitter anulou outros 200 mil perfis suspeitos, que foram gerados mas ainda não tinham sido utilizados.

Em um comunicado, a rede afirmou que as contas "buscavam deliberadamente semear a discórdia" em Hong Kong.

Funcionário de consulado britânico detido na China

O ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha afirmou que está "muito preocupado" com as informações sobre a detenção na China de um funcionário de seu consulado em Hong Kong. Ele foi detido quando retornava a Hong Kong de Shenzhen, cidade chinesa na fronteira da região autônoma. "Estamos dando apoio à família e buscando mais informações com as autoridades na província de Guangdong e em Hong Kong", diz a nota oficial do governo britânico.

De acordo com o jornal local HK01, o funcionário do consulado viajou a Shenzhen, na província de Guangdong, a uma hora de Hong Kong, para uma reunião de negócios no dia 8 de agosto, mas não conseguiu retornar. O incidente acontece no momento em que a ex-colônia britânica enfrenta a pior crise política em décadas.

Manifestações pró-democracia acontecem em Hong Kong há 11 semanas e, em muitos casos, terminaram com confrontos violentos entre a polícia e ativistas radicais. Nas últimas semanas, a China elevou o tom ante os protestos, que considera um desafio direto a seu governo, e afirmou que as ações mais violentas dos manifestantes mostram "sinais de terrorismo".

*Com informações das agências internacionais

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