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Mundo

Oposição contesta vitória de Erdogan nas eleições presidenciais e denuncia fraudes

media O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, vence eleições na Turquia. 24/06/18 REUTERS/Umit Bektas

O líder de governo há mais tempo à frente da Turquia, Tayyip Erdogan, foi reeleito presidente no primeiro turno e deve assumir amplos poderes sob a nova Constituição do país obteve, neste domingo (24), 52,5% dos votos. O resultado está sendo contestado pelo principal partido de oposição.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

Já era madrugada quando, diante da sede do partido governista (AKP), Tayyip Erdogan declarou que nunca se curvou diante de ninguém, “com exceção a Deus”, no discurso da vitória. Também reforçou o compromisso na luta contra o terror, na batalha para tornar a Síria mais livre e aumentar o prestígio internacional da Turquia. Com 99,9% dos votos apurados, ele foi declarado vitorioso, tendo conquistado 52,5% do eleitorado.

Em segundo lugar, o candidato do principal partido de oposição, Muharrem Ince (CHP), com 30,7%, seguido do pró-curdo Selahattin Dermitas (HDP), que alcançou 8,4% dos votos. Pela primeira vez, a Turquia elegeu presidente e parlamento num só pleito e passará para o sistema presidencialista, depois de um referendo convocado, no ano passado, por vontade do próprio Erdogan, que chegou a antecipar essa eleição em um ano e meio. A presença do eleitorado foi elevada: 87% dos turcos compareceram às urnas.

Denúncias de fraudes

O resultado de domingo é contestado pela oposição, que acusa a agência de notícias estatal, a Anadolu, não só de ludibriar observadores para deixarem a fiscalização urnas mais cedo como também divulgar antecipadamente resultados provenientes de áreas em que o partido governista lidera. A oposição marcou uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira (25) e tem cinco dias para, oficialmente, apresentar queixas.

Além disso, foi aberta uma investigação em Suruç, cidade de maioria curda que faz parte da província de Sanliurfa, na fronteira com a Síria. Lá, houve denúncias de cédulas já preenchidas previamente em prol do partido de Erdogan e quatro pessoas acabaram presas. Em outras quatro cidades, também curdas, dez estrangeiros foram detidos acusados de interferência na votação ao passarem por monitores internacionais, segundo informações do Ministério do Interior turco.

Três deles são de uma delegação do Partido Comunista Francês composta por dois militantes e uma senadora, Christine Prunaud, de Côtes d’Armor. Eles afirmam terem sido convidados pelo partido pró-curdo da Turquia (HDP) para apenas observar o pleito, mas que logo foram abordados e detidos. Ficaram retidos pela polícia de Agri, cidade do leste turco, até o fim da votação. Em comunicado, o Partido Comunista Francês defendeu que as autoridades turcas querem acabar com qualquer crítica à enorme fraude em curso.

Assim, o partido curdo (HDP) saiu vitorioso em dez províncias do leste do país. Já o CHP venceu em 8 províncias, sendo 9 delas no extremo oeste do país, regiões tradicionalmente seguidoras desse partido. Nas outras 64 províncias turcas, o governista AKP ganhou e garantiu a permanência de Erdogan.

Governo de Aliança

O partido governista não obteve sozinho maioria no Parlamento, mas, juntamente com o partido nacionalista (MHP) formou a “Aliança do Povo” para concorrer nesta eleição e terá 342 das 600 cadeiras. O partido curdo (HDP) alcançou 11,6% dos votos para o Parlamento, ultrapassando a margem mínima de 10% para entrar, e formará o segundo maior grupo opositor na casa.

Para a economia, que vive um período difícil, o resultado dá sinais positivos no câmbio. Para alguns analistas, por já indicar alguma estabilidade. O dólar iniciou a segunda-feira (25) negociado a 4,56 liras turcas. O mandato de Tayyip Erdogan se estende, agora, até 2023, podendo ser reeleito ainda para mais um ciclo de 5 anos, até 2028. Até lá, o país segue dividido ao meio – metade com sentimento de vitória e a outra metade de consternação.

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