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Europa

Kosovo comemora 10 anos de independência da Sérvia

media População do Kosovo comemora 10 anos de independência da Sérvia na capital, Pristina, em 17 de fevereiro de 2018. REUTERS/Ognen Teofilovski

A mais jovem nação europeia comemora 10 anos de independência neste sábado (17), um momento de orgulho para sua maioria étnica albanesa, mesmo que a soberania não seja reconhecida pela Sérvia.

As comemorações acontecem durante todo o fim de semana na capital Pristina com shows, inclusive da estrela pop britânica Rita Ora, nascida no país.

Cerca de 13.000 pessoas - a maioria albanesas - morreram na guerra que começou em 1998 entre rebeldes do Kosovo e as tropas sérvias. O conflito terminou em 1999, quando Belgrado retirou suas tropas da região após uma campanha de bombardeio intenso da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). 

O Kosovo se tornou então um protetorado da ONU e, anos mais tarde, em 17 de fevereiro de 2008, declarou independência, com o apoio de Washington e de outras potências ocidentais.

"O Estado do Kosovo manteve a liberdade exigida pela população", disse o primeiro-ministro Ramush Haradina em uma sessão especial do governo em Pristina no sábado de manhã. No entanto, "estamos conscientes de que as expectativas dos cidadãos para um Estado moderno ainda não foram cumpridas".

Embora mais de 110 países tenham reconhecido a independência do Kosovo nos últimos 10 anos, a Sérvia e dezenas de outros Estados, incluindo o Brasil, não o fizeram. A soberania também é rejeitada pela Rússia, cujo veto no Conselho de Segurança impede o Kosovo de se juntar às Nações Unidas.
   
Corrupção desenfreada
   
A situação do Kosovo também é complicada por enormes desafios econômicos. Com a taxa de desemprego em torno de 30% - e 50% entre os jovens - milhares de pessoas saíram do país na última década à procura de emprego.

No entanto os Kosovares se deparam com uma dificuldade: o Kosovo é o único território dos Bálcãs cujos cidadãos necessitam de visto para entrar na União Europeia, regime que só deve mudar com a demarcação da fronteira entre o Kosovo e Montenegro, e a intensificação da luta contra o crime organizado e a corrupção. 

Com 1,8 milhões de cidadãos, o Kosovo é uma das regiões mais pobres da Europa, afligido por corrupção desenfreada, islamismo radical e contrabando. "Nossas expectativas não foram atendidas", disse o professor aposentado Pashk Desku, 66 anos. "Tenho medo de que a situação piore", afirmou.

Jovens celebram 10 anos de independência do Kosovo. REUTERS/Ognen Teofilovski

Divisões étnicas

Na sexta-feira, os alunos de origem albanesa do Kosovo começaram o dia com lições dedicadas ao aniversário. Mas este não foi o caso no sistema educacional separado da minoria sérvia, que continua leal à Belgrado. As duas comunidades étnicas raramente se misturam.

A "normalização" das relações entre Belgrado e Pristina, no entanto, é crucial, já que a União Europeia estabeleceu o diálogo como condição para que a Sérvia se junte ao bloco. 

"A Sérvia não reconhecerá o Kosovo nem com o objetivo de se tornar um membro da UE", avisou esta semana o ministro de Defesa, Aleksandar Vulin.

Os antigos inimigos chegaram a acordos desde que a União Europeia serviu de intermediária do diálogo em 2011, mas as negociações estão estagnadas há dois anos.
   
Relações complicadas com países ocidentais
   
Alguns funcionários em Belgrado levantaram a perspectiva de redesenhar as fronteiras do Kosovo de acordo com grupos étnicos. No entanto, o presidente do Kosovo, Hashim Thaci, insiste que o país é "indivisível" e muitos temem que um acordo de partição desestabilize a região dos Balcãs.

Antes do aniversário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou parabéns ao Kosovo por ter feito "grandes avanços no fortalecimento da soberania e da democracia multiétnica". "Mais trabalho deve ser feito, mas nós aplaudimos seu progresso", ele disse. 

A relação entre o Kosovo e o ocidente teve momentos complicados no último ano, ligados ao julgamento de membros do "Exército de Liberação do Kosovo" por crimes de guerra. Uma série de figuras importantes do grupo, como Thaci, mantêm seu status no Kosovo e tentaram bloquear o tribunal. A tentativa levou a fortes advertências dos EUA e de outros aliados ocidentais.
 

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