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Mundo

Desnuclearização da Coreia do Norte vai depender de interações regionais, diz especialista

media O presidente Donald Trump e Kim Jong-Un assinam documento em Singapura, nesta terça-feira 12 Anthony Wallace/Pool via Reuters

O compromisso de trabalhar pela desnuclearização da Coreia do Norte, firmado nesta terça-feira (12) por Donald Trump e Kim Jong Un na cúpula histórica de Singapura, pode demorar de dez a 15 anos para ser efetivado, segundo especialistas.

Os Estados Unidos e a Coreia do Norte se comprometeram a estabelecer novas relações bilaterais, "de acordo com o desejo de paz e prosperidade dos dois países", afirma o comunicado conjunto assinado hoje pelos presidentes Donald Trump e Kim Jong Un.

Para a jornalista francesa Juliette Morillot, o aperto de mãos entre Kim e Trump foi altamente simbólico. A francesa tem nove livros publicados sobre a península coreana, o mais recente deles intitulado "O mundo segundo Kim Jong Un". Ela visita e acompanha a evolução da Coreia do Norte desde os anos 1980 e disse ter ficado emocionada com o encontro em Singapura. Para Morillot, o diálogo era o único caminho para afastar a região de um conflito nuclear.

"Essa cúpula representa uma vitória para o líder norte-coreano. Não se fala mais dele como um ditador, não se fala mais em direitos humanos. Kim Jong Un conseguiu o que seu pai, Kim Jong Il, e seu avô, Kim Il Sung, não alcançaram: ser recebido por um presidente norte-americano e ser tratado como um homem de Estado frequentável."

Trump fez um convite para Kim visitar a Casa Branca, algo de fato inimaginável há alguns meses, quando os dois líderes ainda ameaçavam o mundo com uma guerra nuclear.

"Pouca coisa", ressalta cientista político

O cientista político Arnaldo Francisco Cardoso, professor de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, concorda com Morillot quando ela diz que Kim marcou um ponto importante em sua busca de respeito e legitimidade internacional. Para o especialista, quebrar o isolamento do regime é fundamental para a Coreia do Norte obter facilidades comerciais, num contexto de estrangulamento econômico. Por outro lado, Cardoso relativiza a importância dos resultados concretos do encontro, principalmente para os Estados Unidos. "De efetivo, a gente tem pouca coisa", resume Cardoso a respeito do documento vago divulgado pelos dois países.

"As interações com os vizinhos da região – China, Coreia do Sul, Japão e Rússia – serão determinantes para dar substância ao processo e garantir o sucesso das diversas etapas da desnuclearização, um processo longo e incerto. Especialistas estimam que desmontar um programa nuclear pode demorar de dez a 15 anos. O rastreamento e a identificação das instalações envolve uma quantidade enorme de pessoas. E, para que isso aconteça, depende de uma forte cooperação do governo do país que se submete a um tal processo. Ainda é uma incógnita em relação à Coreia do Norte, embora tenham ocorrido promessas enfáticas de cooperação", avalia Cardoso.

O professor da Universidade Mackenzie lembra que o próprio Trump abandonou o acordo nuclear iraniano de 2015 em função da dificuldade de acompanhamento e de cumprimento mínimo do processo de desmonte das instalações nucleares iranianas. "Trump acusou o governo de Teerã de falta de sinceridade e de honestidade no cumprimento do acordo firmado pelo governo Obama", recorda.

Em Singapura, Trump e Kim assinaram uma espécie de carta de intenções. O republicano disse que as sanções contra Pyongyang serão mantidas, por enquanto, assim como as tropas americanas na região. "Hoje, não estamos reduzindo nossas capacidades militares [32.000 soldados dos EUA estão atualmente na Coreia do Sul]. Em algum momento sim, mas ainda não", declarou o republicano. Por outro lado, Trump afirmou que vai suspender os exercícios militares conjuntos realizados com a Coreia do Sul. "Vamos economizar muito dinheiro e será menos provocativo para a Coreia do Norte", comentou Trump, sem se comprometer com um cronograma.

Fim da Guerra Fria?

O presidente sul-coreano, Moon Jae In, considera que a cúpula de Singapura foi um acontecimento histórico que põe fim à Guerra Fria. Na opinião de Cardoso, o papel da Coreia do Sul e das outras potências regionais, como China e Japão, será crucial para o sucesso do processo iniciado pelos Estados Unidos. O brasileiro também enfatiza que a Rússia terá um importante papel de influência de natureza geopolítica, aliada à China, no xadrez regional.

Cardoso diz que o encontro de Kim com Trump, à parte a simbologia de ter quebrado décadas de falta de comunicação entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, deixou em aberto como serão as próximas etapas.

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