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França

França: gays só podem adotar "crianças com problemas", revela diretora de serviço de adoção

media Desde 2013, casais do mesmo sexo podem adotar crianças da mesma forma que casais heterossexuais. No entanto, a discriminação persiste, especialmente na região de Seine-Maritime, no noroeste da França. PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

A diretora do serviço de adoção da região de Seine Maritime, no noroeste da França, Pascale Lemare, está no centro de uma polêmica depois de ter afirmado que “é complicado” para um casal homossexual adotar um bebê recém-nascido em boa saúde. Para eles, disse, restariam apenas “crianças maiores, deficientes físicas ou com problemas psicológicos”.

A declaração foi dada em um programa de rádio da emissora France Bleu. A apresentadora perguntou para Lamare se seria difícil para um casal de homossexuais adotar um bebê de três meses “que vai bem”. A resposta foi clara. Segundo a representante do serviço de adoção da região francesa, “há pais que correspondem melhor aos critérios”.

Para ela, “os casais do mesmo sexo são ‘atípicos’ em relação à norma biológica e social”, e que eles podem, se estiverem interessados, adotarem crianças “diferentes”. A apresentadora pediu então à diretora que explicasse melhor o que ela considerava uma “criança diferente”.

Sem rodeios, ela então respondeu que eram “menores que ninguém queria” e “muitas pessoas não aceitam adotar crianças deficientes, mais velhas, ou com problemas psicológicos graves.” Esses menores, disse, "têm problemas que os casais não aceitam", e isso, ressaltou, “é normal”.

Associações de defesa dos direitos homossexuais vão prestar queixa

O presidente da região de Seine Maritime, Pascal Martin, do partido União dos Democratas e Independentes, condenou a atitude da responsável do serviço de adoção em um comunicado. Segundo ele, “em nenhuma hipótese a orientação sexual dos futuros pais é um critério de avaliação”. Para o secretário de Estado do ministro da Ação das Contas Públicas, Olivier Dussopt, “esse tipo de discurso é contrário aos princípios de neutralidade, igualdade e luta contra a discriminação que caracteriza a função pública”.

Já o presidente da Associação de Famílias Homoparentais, Alexandre Urwicz, afirmou que prestará queixa junto ao procurador da República de Rouen, principal cidade da região de Seine Maritime. “Estamos escandalizados. Já tínhamos ouvido histórias sobre a política de adoção da região, mas sem provas”, declarou Géraldine Chambon, membro do centro LGBTI da Normandia.

Antes de entrevistar a diretora francesa do serviço de adoção da região, a rádio France Bleau obteve o depoimento de três casais de homossexuais que acusavam o Estado de discriminação. Um deles, formado por duas mulheres, confirmou o que Pascal Lamare disse ao vivo. “Ela nos disse que se quiséssemos dar continuidade ao processo, era preciso estar pronto para receber uma criança diferente, grande ou com problemas de saúde”, declarou.

O Conselho Departamental que administra a região indicou que fará uma auditoria para confirmar a existência de disfunções no serviço. “São declarações inadmissíveis e práticas ilegais”, resumiu o porta-voz da Associação francesa de Pais e Mães Lésbicas, Nicolas Faget.

 

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