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Europa

Em clima de campanha, Putin promete melhorar a vida dos russos

media Vladimir Putin durante seu esperado discurso diante do Parlamento russo. Sputnik/Alexei Nikolskyi/Kremlin via REUTERS

O presidente russo, Vladimir Putin, fez nesta quinta-feira (1°) seu pronunciamento anual diante do Parlamento. Esse discurso, que havia sido adiado em dezembro passado, é importante pois acontece às vésperas da eleição presidencial, que terá seu primeiro turno no dia 18 de março. Praticamente sem opositores de peso, Putin pode ser reeleito para um quarto mandato.

Com informações de Anastacia Becchio, correspondente da RFI na Rússia

A pouco mais de duas semanas para as eleições, Putin começou o discurso anual no Parlamento insistindo na necessidade de melhorar as condições de vida da população e o investimento em infraestruturas e saúde para evitar que o país fique atrasado. "Os próximos anos serão decisivos para a vida do país", afirmou o presidente, que considera "essencial o desenvolvimento do bem-estar". "Temos que resolver uma das tarefas chave da próxima década: garantir um crescimento seguro, a longo prazo, uma renda real aos cidadãos e reduzir a taxa de pobreza no mínimo à metade em seis anos", declarou o presidente.

O número de pobres no país caiu, segundo Putin, de 42 milhões no ano 2000 a quase 20 milhões atualmente. A tendência de queda desacelerou em seu último mandato (2012-2018), em consequência da recessão econômica.

“O atraso, este é o nosso inimigo", disse o presidente, que enfatizou a importância dos avanços para que a Rússia, com um "potencial colossal", não fique de fora da "revolução tecnológica". Putin está há mais de 18 anos no comando da Rússia, como presidente ou primeiro-ministro. Ele é candidato a um quarto mandato de seis anos nas eleições presidenciais de 18 de março, que provavelmente vencerá em razão da falta de uma oposição forte.

Diante desse contexto, o chefe de Estado praticamente não fez campanha eleitoral e não participou dos debates televisivos com outros candidatos. O líder do Kremlim, aliás, não apresentou até agora nenhum tipo de programa concreto.

“Não se elege Vladimir Putin por seu programa. Quando se vota por ele, o eleitor vota para o líder da nação, para o chefe que não se rebaixa para tratar temas que considera mesquinhos, como a questão da baixa renda da população”, comenta o cientista político russo Dmitri Orechkine. Putin mantém um alto nível de popularidade e é frequentemente apresentado como uma garantia da estabilidade do país.

O atual presidente deve enfrentar sete candidatos: três representantes do campo liberal, três comunistas e o deputado populista Vladimir Jirinovski, que se candidata pela sexta vez. Mas nenhum desses nomes se aproximam de Putin. O único que poderia representar um perigo seria Alexeï Navalny, que não foi autorizado a se apresentar após ser alvo de condenações da Justiça.

As pesquisas de opinião apontam uma vitória de Putin desde o primeiro turno, com 60% das intenções de voto. O instituto VTsIOM, próximo do governo, afirma que o atual presidente poderia conquistar 69,5% dos votos, bem à frente do candidato do Partido Comunista, Pavel Groudinine, que teria apenas 7,5%. O terceiro colocado seria o nacionalista Vladimir Jirinovski (5,3%). “Ele deve reunir entre 65% e 70% dos votos", estima Serguei Shpilkin, especialista de estatísticas eleitorais.

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