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Festival 'Brésil en Mouvements' celebra 15 anos com 11 filmes inéditos e participação da família de Marielle Franco

Festival 'Brésil en Mouvements' celebra 15 anos com 11 filmes inéditos e participação da família de Marielle Franco
 
A co-presidente da associação 'Brésil em Mouvements', Erika Campelo, nos estúdios da RFI, em Paris. RFI

De 25 a 29 de setembro, o cinema Les 7 Parnassiens, no 14º distrito de Paris, abrirá suas portas para comemorar os 15 anos do Festival Brésil en Mouvements, com uma programação intensa de filmes, debates e encontros com cineastas e personalidades do mundo político e intelectual brasileiro. RFI convida nesta terça-feira (24) Erika Campelo, co-presidente da associação Autres Brésils, à frente do evento desde seu início.

A edição 2019 do festival Brésil em Mouvements traz cinco dias de exibição de documentários inéditos e debates que contarão com presenças como as de Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco; Nívea Raposo, membro da rede das famílias vítimas de violência da Baixada Fluminense, e a líder indígena Celia Xakriabá.

Desde o início do festival, a associação Autres Brésils desenvolve uma programação com foco na atualidade brasileira, em um esforço para valorizar o cinema documental. Este ano, o evento traz 18 filmes, entre curtas e longa-metragens, sendo 11 produções ainda inéditas na França, e três longas selecionados nos maiores festivais de cinema do mundo, como Berlinale, ACID-Cannes e o Festival de Films de Femmes de Créteil.

Este ano o evento se concentra em três eixos : violências policiais, povos autóctones da Amazônia e a identidade sexual e a violência de gênero. “A gente tenta responder à atualidade brasileira sobre estes três temas”, afirma Erika Campelo.

“A gente trabalhou numa programação muito rica, que reflete o que está acontecendo no Brasil hoje. É muito importante mostrar esta diversidade brasileira, esta riqueza do cinema documentário e o engajamento”, explica a diretora do festival.

Resistência

“O mundo hoje ainda está se perguntando como Bolsonaro e a extrema direita chegaram ao poder no Brasil. Para responder a esta pergunta, no domingo, último dia do festival, teremos a projeção de dois filmes que explicam o processo da chegada ao poder do Bolsonaro, que são os filmes ‘Dia de eleição’ e ‘Bloqueio’. Em seguida, teremos um debate sobre perspectiva política no Brasil”, disse.

Erika conta que, no debate sobre questões políticas haverá só mulheres como convidadas. “Porque a resistência hoje passa pelas mulheres no mundo e no Brasil. E temos grandes nomes: Marinete da Silva; a mãe de Marielle Franco, assassinada no ano passado; a Nívea Raposo, de uma associação da Baixada Fluminense de mães de filhos mortos pela polícia; a jurista Carol Proner e a representante da articulação dos povos indígenas, Celia Xakriabá”.

“O nosso festival e as manifestações que organizamos durante todo o ano tentam explicar a complexidade do Brasil”, completa Erika. 

Ainda na programação do Brésil em Mouvements, a exposição “Les Gardiens de l’Amazonie”, de Bulcão e o show da cantora Ana Guanabara, que revisita sambas-enredo de desfiles históricos do Carnaval do Rio.


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