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Brasil

Decisão americana sobre o Irã não deve abalar dinâmica positiva com o Brasil

media Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, esteve em Brasília em abril e foi recebido por Michel Temer. Palácio do Planalto

Desde a assinatura do histórico acordo nuclear iraniano, em 2015, o Brasil intensificou a ofensiva comercial sobre o Irã, um mercado em progressiva abertura na medida em que caíam as sanções econômicas internacionais contra o país. Especialistas ouvidos pela RFI avaliam que essa dinâmica, que já alçava a República Islâmica ao posto de uma das mais importantes importadoras de matérias-primas brasileiras, não deve se abalar, apesar de os Estados Unidos terem se retirado do tratado.

O acordo abriu como nunca a possibilidade de realizar negócios com Teerã. O futuro do documento ainda é uma incógnita – europeus, chineses, russos e iranianos tentam salvá-lo, mesmo sem a presença dos americanos. Neste cenário de incertezas, o Brasil mantém o silêncio: o Itamaraty ainda não se pronunciou sobre o tema.

Em abril, o chanceler iraniano, Javad Zarif, esteve em Brasília, onde se encontrou com o presidente Michel Temer. Os dois se comprometeram a intensificar as parcerias comerciais, que hoje ultrapassam os US$ 2,6 bilhões, com ampla vantagem para as exportações brasileiras a Teerã (US$ 2,2 bilhões em 2016). Antes do anúncio americano, o governo brasileiro via potencial para dobrar esse valor.

Agora, a expectativa é de que, apesar da proximidade histórica com os Estados Unidos, o país mantenha os projetos de cooperação bilateral com os iranianos. “Tem caminhos para o Brasil desenvolver suas relações comerciais com o Irã, mesmo com essa decisão dos Estados Unidos. Haveria um custo político, mas também teria um custo político o Brasil se posicionar junto com os Estados Unidos e, nisso, confrontar o posicionamento da China, que é a atual maior parceira comercial do Brasil, da Rússia, da França, da Alemanha e da Inglaterra”, lembra o professor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Universidade Mackenzie Arnaldo Francisco Cardoso. “Temos iniciativas da Confederação Nacional da Indústria, da Fiesp, da Apex e outras, para ampliar as parcerias. Eu aposto que os nossos empresários manterão muito interesse naquela região.”

Economia frágil obriga Brasília a não recuar

Cardoso ressalta que, independentemente da saia-justa diplomática com Trump, a prioridade número 1 de Brasília permanece melhorar a situação econômica do país – e, nesse aspecto, o Irã representa um parceiro que não pode ser ignorado – é o quarto maior comprador no setor agropecuário.

“Os estudos mostram que há mais de 200 itens da produção brasileira que o Irã tem demanda e nós, excedente de produção. Além do setor agroexportador, como carnes e grãos – o Brasil é um grande exportador para todo o oriente Médio –, muitos setores da indústria têm interesse em ampliar esse comércio, como os de pisos e revestimentos e aviação”, nota o professor da Mackenzie.

Jorge Mortean, consultor sobre o Oriente Médio da Mercator Business Intelligentsia, lembra que, ao longo de mais 100 anos de relações diplomáticas bilaterais, Brasil e Irã passaram por outros momentos muito mais delicados do que este, como o período da Guerra Fria. Ele avalia que a diplomacia não será abalada pela decisão americana, mas destaca que as trocas comerciais podem sofrer impactos devido às dificuldades financeiras para consolidar os negócios.

Os bancos e instituições financeiras do Brasil não se relacionam com o Irã, por temerem retaliações dos Estados Unidos. Há décadas, essa é a principal barreira para a ampliação do comércio entre ambos.

“O fluxo comercial só não é maior por conta disso, e se já era difícil antes, agora a tendência é piorar ainda mais com o retorno das sanções. Os bancos brasileiros ficam temerosos de receber cartões de crédito iranianos e a fornecer ou receber pagamentos diretos”, afirma o mestre em Geografia Política pela Academia Diplomática Iraniana. “O sistema financeiro é internacionalmente organizado em função das operações norte-americanas e as empresas brasileiras têm medo de retaliações do Federal Reserve, o Banco Central americano, e de outras instituições dos Estados Unidos”.

Pressão “de quem ganha dinheiro”

O professor de Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser, especialista na política externa americana e no Oriente Médio, pontua que, além dos americanos, entidades israelenses e árabes se esforçam para o Brasil esfriar as relações com o Irã. Porém, no contexto de crise econômica, haverá uma forte pressão de “quem ganha dinheiro” para o país manter os esforços para, apesar dos contratempos, aumentar a cooperação comercial com Teerã.

“Acho que a tendência é esse governo querer tomar uma certa distância do Irã. Acho difícil não ir por esse caminho – se fosse outro governo, até poderia ser”, diz Nasser. “Setores dentro dos Estados Unidos estão se movimentando para que essa saída seja menos trágica, e a Europa tenta encontrar uma solução. Eu acho que o Brasil vai ficar só olhando, pelo menos enquanto acontece essa transição. O Brasil sempre foi de ficar meio em cima do muro, e ainda mais agora.”

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