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Américas

Polícia americana matou mais de 1.000 civis em 2015

media Enfrentamento entre manifestantes e polícia em Ferguson, nos Estados Unidos, durante o aniversário, em agosto de 2015, de um ano do assassinato do jovem negro Michael Brown REUTERS/Rick Wilking

O primeiro balanço independente dos abusos cometidos pela polícia nos Estados Unidos aponta impressionantes 1,1 mil civis mortos pelas forças de ordem em 2015, um ano marcado por excessos. O último deles aconteceu no sábado passado (26): os agentes foram chamados para resolver uma mera briga familiar, mas terminaram abatendo um jovem de 19 anos e sua vizinha, mãe de cinco filhos.

O rapaz Quintonio LeGrier, que sofria de transtornos psiquiátricos, chegou a ameaçar os policiais com um bastão de beisebol, mas a mulher, Bettie Jones, não fez mais do que abrir a porta de casa. Os dois, como a maioria relativa das vítimas da polícia, eram negros. Esse tipo de tiroteio é frequente nos Estados Unidos e, em Chicago, a terceira maior cidade do país, a situação é particularmente delicada, apesar de o chefe de Polícia ter sido trocado no início de dezembro.

Na última quarta-feira, o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel, anunciou que duplicará a quantidade de pistolas elétricas Taser - que produzem descargas não letais - para os policiais e que reforçará sua formação. "Há uma diferença entre poder usar uma arma de fogo e ter de usar uma arma de fogo", criticou o prefeito democrata. Ex-chefe do gabinete do presidente Barack Obama, Emanuel foi acusado de tentar acobertar o escândalo que levou ao homicídio do adolescente Laquan McDonald. O rapaz, também negro, levou nada menos que 16 tiros de um policial branco.

Contagem independente

A incidência de vítimas negras levou a imprensa a organizar seu próprio banco de dados, já que o FBI não publica o perfil racial das pessoas mortas pela polícia. O balanço oficial leva em conta apenas os "homicídios justificados", ou seja, os de criminosos mortos pelas forças da ordem no âmbito da lei. Em 2014, foram 444 pessoas.

Segundo o site "The Counted" do "Guardian", 1.130 pessoas morreram nas mãos da Polícia até 31 de dezembro, a tiros, por descargas de Taser, atropelados, ou enquanto estavam sob custódia. O "Washington Post" contabilizou 979 civis mortos pela Polícia. Essas vítimas se dividem em três categorias: aqueles que estavam armados e, portanto, representavam uma ameaça; os que sofriam de transtornos mentais, ou eram suicidas; e os que fugiam depois de receber voz de prisão.

Na maioria dos casos em que a Polícia abateu um suspeito armado, este era branco, destaca o "Post". A maior parte das pessoas que foram mortas sem representar perigo real para os agentes eram homens negros.
 

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