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África

Manifestantes na Argélia rejeitam presidente fantoche de militares

media Protesto desta sexta-feira (1°) em Argel, capital da Argélia, foi o maior desde o início das manifestações, em meados de fevereiro. REUTERS/Zohra Bensemra

Oito anos depois da Primavera Árabe, milhares de argelinos voltam às ruas de diversas cidades do país e no exterior nesta sexta-feira (1º), em um movimento inédito em mais de 20 anos. É o sexto dia de protestos desde que o presidente Abdelaziz Buteflika, 82 anos, anunciou a intenção de concorrer a um quinto mandato consecutivo.

Os manifestantes, a maioria jovens, se opõem à candidatura do homem que, neste ano, completa duas décadas no poder. Buteflika sofreu um acidente vascular cerebral há cinco anos e, desde então, aparece raramente em público. Quando é visto, está visivelmente enfraquecido.

“Ninguém esperava essa eclosão agora, em especial da juventude argelina. Mas o fato é que os jovens não têm contato com o próprio presidente e querem ver no poder alguém que enfrente os desafios de hoje”, afirma à RFI Benjamin Stora, um dos maiores especialistas na Argélia e presidente do Museu Nacional de História da Imigração, em Paris.

Mudanças em vista

A população argelina parece não estar mais disposta a aceitar um presidente fantoche – debilitado, Buteflika se tornou um nome civil à frente de um governo comandado pela cúpula militar.

“O que está acontecendo é inédito. A mudança já está em curso: agora, o país está condenado a mudar”, constata Khadija Mohsen Finan, cientista política especialista do Magreb e professora da Universidade de Paris1 - Panthéon Sorbonne, à RFI. “Mas ainda é cedo para dizer se o poder vai encontrar uma maneira de se camuflar mais uma vez, afinal, desde 1965, quem governa são as Forças Armadas, por trás de um civil.”

Universitários protestaram na quarta-feira (26), em Argel. STRINGER / AFP

Diante da dimensão do movimento em curso, Finan não tem certeza de que Exército se manterá fiel a Buteflika. Os próximos dias serão decisivos: o prazo para a formalização das candidaturas se encerra neste domingo (3), e a votação está prevista para 18 abril. “Haveria outras opções de candidatos ligados ao sistema. Mas o problema é eles chegarem a um consenso sobre um nome. Hoje, esse consenso não existe, exceto sobre o nome de Buteflika”, avalia Stora. “Nessas circunstâncias, podem preferir manter o status quo, para evitar disputas internas que poderiam ser graves, no próximo mandato.”

Primavera Árabe não é boa referência

Cautelosos, os analistas têm evitado comparar as manifestações com a Primavera Árabe, que derrubou e abalou governos ditatoriais em países do norte africano e do Oriente Médio em 2011, mas resultou na expansão de grupos terroristas como o Estado Islâmico. Na época, a presidência argelina conseguiu abafar os protestos desde o princípio, em troca de medidas econômicas que contentaram a população.

Desta vez, porém, a situação é diferente. A queda dos preços do petróleo no mercado internacional desde 2014 secou as receitas do Estado, que se vê sem margem de manobra financeira para poder responder aos clamores das ruas. “O governo não tem nada a oferecer desta vez”, resume Finan.

Por enquanto, as Forças Armadas acompanham os protestos com prudência, uma vez que os manifestantes não se mostraram violentos até o momento. Mas as estimadas 500 mortes de uma série de protestos em 1988 e a guerra civil dos anos 1990 provam que o risco de deterioração não pode ser negligenciado.

“Os próprios manifestantes estão muito cuidadosos, tendo em vista o passado recente e o que aconteceu nos países vizinhos, há pouco tempo. Eles estão preocupados sobre como o movimento pode ser recuperado ou fugir do controle”, destaca Malika Rahal, historiadora e pesquisadora do CNRS, especialista do Magreb contemporâneo e na história da Argélia. “Por enquanto, os manifestantes se focam muito nesse objetivo especifico, que é evitar uma quinta candidatura de Buteflika.”

Rahal ressalta que, nas últimas eleições, em 2014, o medo do radicalismo islâmico estava muito presente, logo após a Primavera Árabe ter desestabilizado países como a Líbia e a Síria. Neste contexto, Buteflika representava a estabilidade e a segurança – um argumento ao qual a população argelina permanece sensível, observa.

As limitadas aparições do presidente durante o mandato, porém, tiveram o efeito contrário: o de suscitar a desconfiança em relação ao poder. “Ele foi completamente ausente, ou apareceu debilitado, de cadeira de rodas. Essas cenas tornaram a possibilidade de um novo mandato muito mais insuportável do que foi em 2014”, sintetiza a historiadora.

Protestos sem lideranças e pelas redes sociais

Outra mudança em relação ao último pleito é o acesso à internet. Nestes cinco anos, muito mais argelinos adquiriram smartphones e a cobertura digital do país melhorou. Pelas redes sociais, se amplifica a contestação ao presidente “múmia”, como é chamado, em um movimento que, até agora, não tem lideranças estabelecidas.

“O governo vai tentar fazer o que sempre fez: bloquear a circulação das informações e ignorar o movimento. Ele também está chamando a atenção para o fato de que as informações divulgadas nas redes sociais são anônimas e, portanto, podem vir do exterior, evocando a carta do complô organizado do estrangeiro – no caso, da França”, nota Stora.

Na quinta-feira (28), 10 jornalistas que cobriam as manifestações e protestavam contra as tentativas de censura por parte das autoridades foram detidos e libertados horas depois. Entre eles, estava a correspondente da RFI no país, Leila Beratto.

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