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Américas

Quais as consequências para os EUA com a saída do Acordo de Paris?

media Participantes da Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas (COP21), em Paris, olham na tela um mapa múndi onde pode se ver as anomalias climáticas, em 8 de dezembro de 2015. REUTERS/Stephane Mahe/File Photo

Na quinta-feira (1°de junho), o presidente norte-americano Donald Trump anunciou oficialmente a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Uma decisão que, além do impacto político internacional, tem consequências para o meio ambiente e para a economia dos próprios americanos. 

 

Por que o Acordo de Paris foi histórico?

Para compreendermos a importância do Acordo de Paris, e o choque mundial com o anúncio de Donald Trump, vamos voltar ao dia 12 de dezembro de 2015. Foi nesta data, após anos de negociações e o fracasso da Cúpula de Copenhague, em 2009, que ministros de 195 países participantes da 21ª Conferência do Clima da ONU (COP21),na capital francesa, assinaram um acordo global histórico para conter os efeitos nefastos das mudanças climáticas. Somente Síria e Nicarágua se abstiveram.

Torre Eiffel iluminada de verde com a frase "O Acordo de Paris foi feito"para celebrar a assinatura do acordo na COP 21 REUTERS/Jacky Naegelen/File Photo

O presidente na época, François Hollande, pediu para as nações adotarem  o “primeiro acordo universal da história das negociações climáticas”, com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “É raro, em uma vida, ter a ocasião de mudar o mundo. Vocês têm”, declarou Hollande.

O acordo tem como objetivo principal combater o aquecimento global, determinando que o aumento da temperatura até o fim do século 21 seja inferior a 2°C, encorajando os países a perseguirem a meta de 1,5°C nas próximas décadas. O texto também destaca as diferenças de responsabilidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O financiamento das ações de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas será aumentado a partir de 2020, os países ricos se engajando a dar US$100 bilhões por ano para os mais pobres, visando uma economia mais sustentável.

Um outro ponto relevante do documento é o reconhecimento das perdas e danos sofridos pelas nações mais vulneráveis, afetadas pelas mudanças climáticas. A cada cinco anos, pode haver uma revisão dos compromissos.

O Brasil teve um papel relevante nas negociações e traçou o objetivo de reduzir 43% de emissões de gases de efeito estufa até o ano de 2030.

Impacto no meio ambiente dos EUA

Não é possível negar que a saída dos Estados Unidos vai afetar o cumprimento das metas do Acordo da COP

Mina de extração de carvão no estado de Virginia, nos Estados Unidos Platt/Getty Images/AFP SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERIC

21, principalmente sobre a redução da temperatura para menos de 2°C. No entanto, no território americano, as emissões de gases de efeito estufa devem continuar a registrar queda devido à utilização crescente do gás de xisto, que não deixa de estar na mira dos ambientalistas.

Se analisarmos o contexto no país, certamente detectamos o paradoxo: os Estados Unidos respondem por 15% das emissões globais, mas também financiam programas e tecnologia para apoiar os países em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas.

Trump, porém, não perdeu tempo para livrar as grandes empresas das obrigações ambientais impostas pelo ex-presidente Barack Obama. E para presidir a Agência de Proteção Ambiental (EPA), que teve 2/3 do seu orçamento retirado, nomeou um cético sobre o aquecimento global, Scott Pruitt.

Um dos motores da saída do Acordo de Paris é a justificativa de que o texto da COP 21 é um freio ao investimento e à criação de empregos.

Trump quer relançar a indústria do carvão (foi nos estados que o produzem, como Virgina e Pensilvânia, que ele obteve suas grandes vitórias eleitorais); para isso, derrubou leis de proteção ambiental que desencorajavam o setor, entre elas, a que proibia os produtores de carvão de jogar seus resíduos nos rios.

Trump prometeu também revogar o "Clean Power Plan", que obriga os produtores de carvão a reduzir suas emissões de carbono.

Mas a insistência do presidente não é vista com bons olhos por seus conselheiros, para os quais não faz sentido investir no carvão, já que o gás de xisto é muito mais promissor. Resumindo, está lutando para criar empregos em uma indústria que está condenada.

Empresas americanas divididas sobre Acordo de Paris

Tuíte de Jeff Immelt, presidente do grupo americano General Electric

Em uma verdadeira cruzada a favor do Acordo de Paris, mais de 350 grandes empresas americanas assinaram uma carta a Trump pedindo que não abandonasse o acordo internacional que define as normas da poluição. Motivo: as energias renováveis criam doze vezes mais empregos do que a média da economia do país; o grupo agroquímico DuPont, Google, Intel, Microsoft, Apple,HP, eBay, Starbucks, Hilton, são alguns dos gigantes que operam no mundo inteiro e que, a partir de agora, pretendem fixar seus próprios objetivos; todos se comprometem a continuar a reduzir suas emissões de gás de efeito estufa.

Diversos presidentes de empresas postaram tuítes lamentando a decisão de Trump. Jeff Immelt, presidente do grupo americano General Electric, tuitou "Estou decepcionado pela decisão de hoje sobre o Acordo de Paris. A mudança climática é real. A indústria agora deve tomar o controle e não depender do governo".

Grupos petrolíferos como Exxon Mobil, Shell ou BP viam no Acordo de Paris uma oportunidade de aumento da demanda em nível mundial do gás de xisto, que polui duas vezes menos e do qual os Estados Unidos têm grandes reservas.

Mas as empresas do Tio Sam estão longe de formar uma frente unida pró-Acordo de Paris.

As organizações patronais Câmara do Comércio (que representa mais de três milhões de PME) e Business Roundtable, felicitaram o presidente quando assinou, no fim de março, um decreto ordenando um reexame dos objetivos da COP 21 endossados por Barack Obama: "Estas medidas são uma ruptura bem vinda com a estratégia da administração anterior [de Obama], que consistia a encarecer a energia através de regulamentos nefastos para o emprego e para a nossa economia", declarou Thomas Donohue, presidente do Business Roundtable.

As pequenas e médias empresas também são complacentes com a iniciativa do presidente americano. Por terem menos recursos do que as multinacionais, e com clientes principalmente nos Estados Unidos, elas temem a engrenagem das novas normas internacionais, que poderiam complicar suas atividades e aumentar seus custos.

 

 

 

 

 

 

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