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"Faculdade Pés Descalços" na Índia empodera mulheres de vilarejos afastados no mundo

 
Alunas do Barefoot College, no norte da Índia, que promove formação de mulheres. facebook.com/BarefootCollege

Uma escola no norte da Índia, criada há 45 anos, se especializou em qualificar mulheres de vilarejos rurais de todas as idades e de várias partes do mundo para atividades em proveito da comunidade de onde vieram. Um exemplo é a instalação de painéis solares, como retrata uma reportagem da revista semanal do jornal Aujourd’hui em France.

A Barefoot College, literalmente a “Faculdade dos Pés Descalços”, foi criada em 1972 pelo indiano Bunker Roy, de 71 anos. Criado e educado na elite indiana, mas inspirado por Gandhi, ele resolveu se instalar em Tilonia, no estado de Rajastão (norte), para trabalhar com o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais. Isso há 45 anos.

Uma das principais condições de participação é que as mulheres venham de comunidades carentes. Como Ledua, de 63 anos, das ilhas Fiji, na Oceania, ou Béatrice, mãe de três filhos pequenos, moradora de um vilarejo a 400km de Dacar, capital do Senegal. Em seis meses, elas aprenderam a instalar e comercializar painéis solares fabricados em uma cooperativa de mulheres, a partir do protótipo de um designer alemão.

“Nos vilarejos rurais, os homens estão a cargo da maioria das ocupações. Queremos que, pelo menos uma vez, as oportunidades sejam dadas às mulheres”, explica Bunker Roy para Aujourd'hui en France.

Mais de mil mulheres de 81 países já passaram pelo campus

A Barefoot College lida principalmente com questões de acesso à agua e à energia, além da escolarização noturna de crianças da região, as quais, durante o dia, se ocupam de animais e outros afazeres. Mas desde o final dos anos 1980, a escola vem formando especialistas em energia solar. Quase mil mulheres, de 81 países da África, Ásia, Oceania e América do Sul, já passaram pelo campus da Barefoot.

As condições de acesso ao curso incluem o retorno da competência ao local de origem da participante e que elas venham de locais sem eletricidade. Segundo a ONU, 20% da população mundial ou seja, 1,4 bilhão de pessoas, não tem acesso à eletricidade.

As mamas solares

As alunas são mulheres de 30 a 65 anos, conhecidas como “mamas”, muitas vezes analfabetas. O professor, que fala hindu, ensina o nome das cores em inglês e o resto é feito com mímica e vídeos para que as participantes aprendam como posicionar as resistências elétricas dos painéis. Os manuais estão pintados no chão.

A reportagem explica que o governo indiano financia a viagem e a estadia, a um custo de cerca de € 100 mil por cada uma das duas sessões anuais. A ONU, Unesco e outras empresas compram os painéis solares que essas mulheres vão instalar em seus vilarejos. Cada uma vai ganhar 30% do valor das contas pagas pelas famílias beneficiadas. Os 70% restantes são reservados para financiar consertos.

Os clientes do site Amazon também podem contribuir para os programas da Barefoot College, sem nenhum custo a mais em compras normais.

 


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