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França

Com 4 filmes e 16 empresas, Brasil faz estreia otimista no Festival de Annecy 2019

media Imagem do filme "Sangro", curta-metragem brasileiro que disputa a mostra Perspectivas do Festival de Annecy em 2019. Divulgação

O setor da animação celebra um bom momento na vitrine internacional do Festival de Annecy, na França. A delegação do Brazilian Content, programa de exportação da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), trouxe 16 empresas nacionais e quatro animações brasileiras foram selecionadas para o evento. Diretores e produtores brasileiros como Guto BR, Thiago Minamisawa e Erick Ricko comemoram a boa fase do setor. Nesta terça-feira (11), a projeção do filme Sangro (2019), de Thiago, Guto e Bruno Castro marcou a estreia do Brasil na mostra competitiva das telas de Annecy.

“Temos dois projetos brasileiros em pitch e um curta-metragem em competição. As empresas estrangeiras vêm buscar projetos inacabados para co-produções e também produtos prontos”, comemora Rachel do Valle, gerente-executiva do projeto Brazilian Content, projeto que existe há 15 anos, em Annecy desde 2012.

“Um pitch é uma janela de grande visibilidade, a gente comemora quando consegue ter um projeto ali”, explica a gerente. “A Apex já sinalizou que vai manter o apoio ao Brazilian Content, mesmo após as mudanças que algumas agências sofreram recentemente”, afirma Rachel do Valle. “Ano passado, por exemplo, a gente teve o filme Tito e os pássaros passando em pitch no work in progress, depois ele voltou para a competição no ano seguinte”, conta.

O terceiro projeto em competição é “Cachalote”, de Angelo Defanti (Sobretudo Produção), selecionado para a Animation, outro painel da Mifa do Festival de Annecy. Além destas três produções trazidas pela Brazilian Content, um quarto filme brasileiro foi exibido na programação do Midnight Specials do festival, o curta-metragem Dog-Eat-Dog, de Arnaldo Galvão.

Segundo a Brazilian Content, um levantamento divulgado em 2019 revelou a força atual da animação brasileira em negócios internacionais: US$ 3 em cada US$ 4 negociados em coproduções internacionais saíram de parcerias no segmento de animação. Ainda segundo o grupo, estas coproduções representam 83% de um total de US$ 45 milhões em negócios com parceiros estrangeiros em 2018, um aumento de 35% sobre 2018.

Nesta edição 2019 do Festival de Annecy, entre as empresas integrantes da delegação do Brazilian Content estão Apiário Estúdio Criativo, Boulevard Filmes, Chatrone, Coala Filmes, Copa Studio, Estúdio Makako, Fraiha Produções, Kaplow Studio, Lobo, e Um Filmes, entre outras.

Estreante

Erick Ricko, do Apiário Estudio Criativo, produtora de Belo Horizonte, veio ao Festival de Annecy pela primeira vez para apresentar no Mifa Pitches o projeto do longa-metragem de animação Ana en passant. "O filme é dirigido pela Fernanda Salgado, minha sócia, e será apresentado amanhã às 9h da manhã. Estamos muito felizes”, diz o produtor.

“Annecy é sem dúvida sinônimo de negócios, estamos aqui para fechar coproduções e para conversar com exibidores. Além do longa, temos um projeto de série de animação, criado por mim, o Cabeça de ovo, e também a série de animação feminista Mil e uma zangadas, com depoimentos de mulheres que sofreram assédio”, conta.

Para Ricko, o governo Bolsonaro não oferece certezas para o Audiovisual. “Acho que o setor inteiro está muito preocupado porque este governo já deu sinais de não se interessar, que não tem políticas públicas voltadas para a Cultura. Eles dizem isso com muita objetividade. A Ancine (Agência Nacional de Cinema) já foi paralisada duas vezes esse ano. E existe sim o medo de que um planejamento feito ao longo de muitos anos seja paralisado na reta final”, comenta.

Sangro, curta-metragem brasileiro em competição

O projeto de Sangro, único filme brasileiro na competição oficial do Festival de Annecy, começou a tomar forma a partir de um texto original de Thiago Minamisawa. “Em seguida, mostrei o texto para o Bruno Castro, que dirige junto comigo o filme. Chegamos a engavetar o projeto durante um tempo. Neste período, comecei a namorar o Caio, que faz a voz do filme, e com duas semanas de namoro ele descobriu que tinha o [vírus] HIV”, relata Minamisawa.

“Embora o vírus pudesse ser tratado, havia essa questão de não poder dizer para ninguém. De ter que se esconder, essa sensação de voltar para um outro ‘armário’, essa questão da estigmatização que ainda existe bastante em torno do HIV. Disse então para o Caio que faríamos um filme onde ele pudesse contar para todo mundo o que vivia, e que isso pudesse gerar uma forma de identificação com as pessoas”, diz o diretor. “Tanto as pessoas que vivem com o HIV quanto seu entorno, para que elas mudem um pouco sua visão da doença”, completa.

O filme selecionado para a competição em Annecy é a segunda animação do currículo de Thiago. O primeiro já havia recebido um prêmio de “primeira obra” no mesmo festival, em 2015. “Chegamos à conclusão que seria legal ter a presença de uma animador e autor no filme, alguém que pudesse assinar toda a produção, que o filme não fosse feito num sistema de estúdio. Foi assim que chegamos ao nome de Guto BR, que assina a animação e a codireção”, diz.

Guto BR considera “uma honra” estar em Annecy, “num momento politicamente tão complicado para o Brasil, representando o nosso cinema”. “Além disso, o filme trata de assuntos como a causa LGBT e as questões relativas ao universo dos portadores do vírus HIV, que se encontram hoje com seus direitos em risco”, avalia.

Como Thiago, Guto foi premiado em Annecy pelo seu primeiro trabalho de quando ainda era estudante, Fuga Animada, fato que lhe “abriu as portas para o mercado”. “Annecy dá uma espécie de ‘carimbo’ que facilita muito o diálogo depois”, afirma. O diretor optou trabalhar com o universo da introspecção para falar do tema, desenvolvido por Thiago Minamisawa e Bruno Castro, mas também animando imagens às vezes clássicas como as famosas personagens do “Jardim das Delícias”, do mestre holandês Hieronymus Bosch.

“Se você não está produzindo, você está consumindo a cultura de outro país"

Para ele, “nada está definido no setor do Audiovisual” no governo Bolsonaro. “Tivemos um crescimento recorde nos últimos anos, nunca tantas produções viram a luz do dia ou foram assistidas pelo público, com reconhecimento internacional e nacional. Temos séries nos principais canais batendo audiência com séries brasileiras. Nosso cinema vive do incentivo público, estatal. A nossa preocupação é que esse investimento acabe”, afirma. “Isso gera um impacto no mercado das produtoras não conseguirem segurar um funcionário, sem saber se vai ter caixa para o ano que vem”, detalha.

“Os profissionais, sejam iniciantes ou com carreira consolidada, não sabem como prospectar nesse mercado, se vão ter que sair do país, se vão que redirecionar suas carreiras e para a gente, produtores independentes, o incentivo público cria qualidades competitivas muito mais compatíveis com o cinema internacional”, avalia o diretor. “Se você não está produzindo cultura, você está consumindo a cultura de outro país, perdendo a sua identidade”, finaliza Guto BR.

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