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França

Após mudar cenário político francês, Macron visa União Europeia

media O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro Edouard Philippe (à esquerda). REUTERS/Julien de Rosa

As diferentes reformas do presidente francês, Emmanuel Macron, nos planos interior e europeu são tratadas com destaque pela imprensa nesta sexta-feira (23).

O diário Aujourd'hui en France dedica sua manchete à cúpula de líderes do bloco europeu que acontece nesta sexta-feira, em Bruxelas. O jornal relata que Macron irá iniciar sua campanha para modificar em profundidade a composição do Parlamento Europeu nas eleições previstas em maio de 2019. O slogan do francês já está definido: criar uma Europa voltada para o futuro e capaz de proteger seus cidadãos, a queixa que proporcionou o crescimento dos populistas.

Macron propôs aos vizinhos promover debates internos sobre a União Europeia (UE), com o objetivo de estreitar os laços entre os cidadãos e as estruturas dirigentes. O bloco é frequentemente criticado por sua composição tecnocratizada e inchada. Dos 27 países que vão continuar na UE, após a saída do Reino Unido, apenas dois, a Holanda e a Hungria, não responderam ao convite do líder francês. Até a conservadora Polônia aceitou organizar esses debates populares. Cada país irá organizar suas consultas, entre abril e setembro de 2018.

O entendimento de Macron é que para renovar o polarizado Parlamento Europeu, dominado por duas bancadas, uma democrata-cristã e a outra socialista, será preciso fazer uma longa campanha pedagógica, envolvendo todos os cidadãos. Ele vai utilizar princípios da mesma fórmula vitoriosa que permitiu a renovação política no Legislativo francês.

Para defender sua visão do bloco, Macron também precisará eleger um bom número de eurodeputados de seu partido, A República em Marcha (LREM), que hoje não tem representantes no Parlamento Europeu.

A campanha de comunicação para estimular sindicatos, universidades, associações e think tanks a se envolver no projeto já tem até orçamento: de € 5 milhões a € 10 milhões. A única regra que será imposta aos participantes é a proibição de insultos. O debate deve ser livre, para dar espaço à manifestação de diferentes convicções e ideias.

Um dos desafios de Macron, segundo Aujourd'hui en France, será superar as críticas que virão pelo fato de o governo mobilizar recursos públicos para uma campanha que Macron jura ser de interesse de todos os europeus e não apenas de seu partido.

Plano antirradicalização

O jornal Le Figaro analisa o lançamento de um novo plano de combate à radicalização islâmica que será apresentado hoje pelo primeiro-ministro Édouard Philippe. Aujourd'hui en France enfoca as iniciativas de Macron para a Europa.

Defensor de ações duras contra a radicalização islâmica, Le Figaro ressalta um número que considera alarmante: em fevereiro de 2018, 19.745 indivíduos, sendo 22,7% mulheres, estavam inscritos no cadastro nacional de prevenção contra a radicalização terrorista, conhecido pela sigla FSPRT. Segundo o jornal, 2.000 pessoas fichadas neste cadastro oferecem perigo ao país. É por causa desse fenômeno em constante crescimento que o governo decidiu lançar um terceiro plano, em quatro anos, de combate à radicalização religiosa, desta vez abrangendo iniciativas em 12 ministérios, com a participação de associações de bairro.

Le Figaro aprova a ideia de envolver todas as esferas sociais no combate ao islamismo radical, mas faz a ressalva de que nos planos anteriores houve muita improvisação e a contratação de "gurus", segundo o diário, "que custaram caro ao Estado e não se mostraram eficazes". A Bélgica, a Dinamarca e o Canadá souberam agir nessa área com mais profissionalismo, afirma Le Figaro.

Reformas na França

No diário econômico Les Echos, a manchete é "Macron endurece o tom para acelerar seu calendário de reformas". O jornal se refere às mudanças propostas para a companhia ferroviária estatal SNCF, ao novo plano de formação profissional e à explosiva reforma das aposentadorias, que ainda vem pela frente.

Macron estaria disposto, segundo Les Echos, a recorrer novamente a decretos para implantar os projetos que enfrentam a resistência de sindicatos de trabalhadores, como é o caso na ferroviária SNCF. Um relatório encomendado pelo governo propõe o fechamento de linhas pouco frequentadas, principalmente em áreas rurais, e a redução dos privilégios dos ferroviários. Sem oponentes de peso, já que a maioria dos franceses aprova as mudanças, Macron quer aproveitar a ausência de eleições neste ano para realizar o máximo de reformas possíveis, explica o jornal Les Echos.

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