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"Nunca vesti a carapuça de diva", diz Elba Ramalho em Paris

 
A cantora Elba Ramalho no estúdio 21 da RFI Elcio Ramalho/RFI

A cantora paraibana Elba Ramalho, uma das maiores vozes do Brasil, se apresenta neste sábado (9), às 20h, no Festival Cultural Brasileiro da Lavagem da Madeleine, em Paris, na praça da igreja de mesmo nome (8° distrito).

“O repertório é bem eclético, um pouquinho de cada tempo da minha história, do forró até ritmos mais específicos, como caboclinho, vassourinha, maracatu e samba”, disse em entrevista à RFI Brasil.

Ela opina que o forró agrada todo mundo, “gregos e troianos e franceses e brasileiros”. “É a base do meu trabalho, vai ser um show bem animado.”  

A artista, que tem quase quatro décadas de carreira, já se apresentou na mítica casa de espetáculos Olympia, em Paris, e gravou dois clássicos da música francesa: “La Vie en Rose”, célebre na voz de Edith Piaf, e “La Noyée”, do compositor Serge Gainsbourg.

“Eu tenho uma relação cultural forte com a França, que é um país lindo. Embora eu não tenha domínio da língua, para mim é mais fácil cantar música francesa. Gosto muito, tem seu estilo, sua particularidade. Prefiro gravar em francês do que em inglês."

Entre os seus diversos trabalhos como cantora e atriz, Elba destaca a primeira fase da sua carreira. “Ali eu estava jogando a semente e separava o joio do trigo, quem gostava e quem não gostava”, diz. “Mas, depois de quase 40 anos cantando, sempre fui conquistando novas pessoas, renovando o público, algo que é muito importante.”

Atualmente ela continua em turnê pelo Brasil com o show “O Grande Encontro”, ao lado dos cantores e compositores Geraldo Azevedo e Alceu Valença. No repertório, clássicos da MPB e da música nordestina e hits dos três artistas. “É um sucesso absoluto. Aqueles que viram o show há 20 anos estão voltando com os filhos.”

Ela se apresenta com o espetáculo no próximo dia 22 no Rock in Rio, na capital fluminense. “Assim vou vivendo. Nunca vesti a carapuça de diva, nunca me distanciei das pessoas. Sou sempre espontânea, alegre. Ainda tenho muita verve para fazer espetáculos dançantes e grandiosos, como é o caso do festival.”

Já é a quinta vez que a cantora participa do evento, tendo cantado na sua primeira edição em 1985 - que contou com shows de Queen, B52's e Nina Hagen, entre outros.

Gravação do novo disco

Elba conta que interrompeu a gravação de um novo CD para vir para Paris. “Estou em estúdio, sempre buscando renovar a minha musicalidade. Tem composições do Marcelo Jeneci, Lula Queiroga, Lenine, Pedro Luís e Zeca Baleiro. Tem também uma safra de compositores de Pernambuco, dessa cena musical forte. E estou regravando Jackson do Pandeiro.”

Sobre futuras parcerias, ela conta que gostaria de gravar com Maria Bethânia. “Fizemos recentemente um show juntas para a paróquia do nosso bairro. Foi lindo, emocionante.”

Ela cita um verso de Caetano Veloso, “o sol ainda brilha na estrada/e eu nunca passei”, para dizer que “com certeza ainda vou encontrar grandes parceiros”, depois de já ter colaborado com nomes como Chico Buarque, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Dominguinhos, entre vários outros.

A artista tem uma extensa carreira, com o primeiro disco lançado em 1979, e já ganhou dois Grammy Latinos, pelos CDs “Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa? », de 2008, e “Balaio de Amor », de 2009.

Elba já vendeu mais de 10 milhões de discos e realizou vários shows internacionais, incluindo apresentações em locais míticos como o Blue Note, de Nova York, e a Brixton Academy, de Londres e no festival de Montreux, na Suíça.

 


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