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Reciclagem da água em escola pública de Brasília é destaque no Fórum Mundial

Reciclagem da água em escola pública de Brasília é destaque no Fórum Mundial
 
Abertura das atividades da Vila Cidadã do 8º Fórum Mundial da Água 2018. Brasília 17/03/18 Wilson Dias/Agência Brasil

O Fórum Mundial da Água reúne especialistas de 170 países em Brasília. Entre os desafios, está a busca por soluções para universalizar o acesso à água de qualidade e garantias de novos investimentos no setor. Experiências de escolas públicas que conseguiram resolver problema do esgoto e tratar a água ganham destaque no evento.

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

As previsões são preocupantes. Em 2050 seremos dez bilhões de habitantes no planeta Terra e, segundo as Nações Unidas, metade poderá viver em áreas sem acesso viável à água de qualidade. É preciso pensar lá na frente e fazer a lição de casa agora, alertam os especialistas. Hoje a agricultura já consome 70% da água usada no mundo e mais de quatro bilhões de pessoas não têm esgoto tratado, quase cem milhões somente no Brasil.

Para discutir tantos temas pesquisadores, governantes, organizações civis não governamentais, estudantes de mais de 170 países estão desde segunda feira em Brasília no Oitavo Fórum Mundial da Água. Pela primeira vez juízes e procuradores participam oficialmente, destacando-se a importância de uma legislação eficiente.

Na Vila Cidadã, onde experiências positivas viram vitrine para o mundo, um dos estantes mais visitados foi o de uma escola pública de 500 alunos que fica numa área semiurbana de Brasília. Lá eles criaram um sistema simples e eficaz de captação da água da chuva que abastece hortas e um tanque de peixes, que fornece alimento para as refeições. Plantaram nos arredores árvores e culturas diversas numa agrofloresta que preserva nascentes e também gera frutas e verduras. O professor Leonardo Hatano desenvolveu até um sistema de tratamento de esgoto com bactérias.

A vice diretora Gedilene Lustosa diz quem nem a água do bebedouro se perde. “Com o esgoto, nós podemos dizer que hoje a escola trata 100% do esgoto. Não está poluindo o solo. Por consequência não está poluindo o lençol freático. Nesse processo do tratamento do esgoto, a gente separou a água do bebedouro. A água que os meninos deixam cair da torneira quando estão tomando água, lavando as mãos não vai para a fossa. Vai para outro reservatório. E é essa água que estamos fazendo reúso”, conta.

Segundo ela, este foi o resultado também de uma iniciativa adotada ano passado de incentivar os alunos a pesquisar alguma forma de contribuir para melhor aproveitar o recurso. “Tinha um grupo que queria muito desenvolver um filtro para ser utilizado na irrigação na época da seca, irrigação da nossa agrofloresta, das nossas plantas, da grama. E também pode ser usada para limpeza da escola”, disse.
 

A ONU diz que a falta de água potável mata mais que guerras. São 500 mil pessoas que morrem por ano de doenças decorrentes da falta de infraestrutura hídrica, como diarreia. Os organizadores dizem que é possível tirar lições. Citam que Israel passou a usar a irrigação por gotejamento, que reduz desperdício e já é usada por outros países.

Mas reconhecem também que, a exemplo de Israel que capta água do mar e faz todo um trabalho de dessalinização, é preciso investimento por parte dos governos. O presidente do Conselho Mundial da Água e professor da USP Benedito Braga ressalta a importância dos esforços políticos para avançar na questão: “Principalmente a questão da política pública para tratar esse problema da segurança hídrico, que envolve de um lado o aumento da infraestrutura, da capacidade de armazenar água, de aumentar a reserva. E isso significa que os governos terão de colocar mais recursos para que essas obras possam ser realizadas. E, ao mesmo tempo, trabalhar na regulação, controlar a demanda de água, fazer campanhas de conscientização da população para usar a água de forma mais eficiente, de economizar água”.

 

Sessão de Abertura do VIII Fórum Mundial da Água. 19/03/2018 Beto Barata/PR

Fórum paralelo

Muitos pesquisadores e universitários discutem a questão hídrica num encontro paralelo, é o Fama: Fórum Alternativo Mundial da Água. São também vários painéis e convidados na Universidade de Brasília e em outros locais da capital.

Eles dizem que alguns países que privatizaram o sistema de distribuição de água, inclusive na Europa, hoje passam por um processo de reestatização. E defendem um modelo que garanta um mínimo de água potável diário para todos, mesmo para quem não pode pagar.

“Você ter uma quantidade mínima de água para suprir as suas necessidades básicas, isso é fundamental. E isso, nós deveríamos dar como direito a todos os seres humanos”, destaca o engenheiro e especialista em recursos hídricos, Adauto Santos.

Se eu monto um Fórum Mundial patrocinado por aqueles que querem e que buscam auferir lucros através do uso da água, isso gera uma distorção nos processos de discussões. No Brasil ainda temos uma quantidade significativa de pessoas que não têm acesso à água de qualidade. A água gera uma série de doenças. Essas doenças geram prejuízos tanto às famílias como à sociedade”, afirma.

O primeiro Fórum Mundial da Água realizado no hemisfério sul termina nesta sexta-feira (23) com o desafio de tirar do papel ideias e propostas discutidas nesses quatro dias.

 


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