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“Promessas de Trump a Bolsonaro sobre a OCDE não serão cumpridas”

“Promessas de Trump a Bolsonaro sobre a OCDE não serão cumpridas”
 
Angel Gurría (segundo da esquerda para direita), secretário-geral da OCDE. media/oecdorg

Os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) se reúnem nesta semana na cúpula ministerial da entidade. O Brasil esperava poder contar com o anúncio do avanço da sua candidatura à organização, impulsionada pela promessa de apoio feita a Jair Bolsonaro pelo presidente americano, Donald Trump, em março. Mas, ao que tudo indica, o desfecho da “novela da OCDE” ainda está distante.

O cancelamento da vinda do ministro Paulo Guedes ao evento sinalizou que as expectativas não seriam cumpridas. No seu lugar, veio o número 2 do ministério, o secretário-executivo Marcelo Pacheco Guaranys. O chanceler Ernesto Araújo e o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo, são aguardados nesta quarta-feira.

A economista e pesquisadora Monica de Bolle, diretora do Programa de Estudos Latino-Americanos e Mercados Emergentes da Johns Hopkins University, avalia que o esvaziamento da presença brasileira indica a cautela de Brasília sobre o tema.

“Primeiramente, as prioridades do Brasil no momento são outras   diante das dificuldades de Bolsonaro de compreender seu papel como presidente, coube a Paulo Guedes ser o fiador único da reforma da Previdência no Brasil. Isso significa que as atenções de parte do primeiro escalão estão voltadas exclusivamente para isso”, afirma. “Além disso, o governo de Bolsonaro está com imensas dificuldades para projetar-se no cenário internacional de forma positiva. As chances de fracasso, caso tentasse realmente avançar a candidatura, seriam enormes. O cálculo político, é, portanto, desfavorável.”

Indefinições na organização

Na visita bilateral de março, Trump propôs apoiar o Brasil na OCDE em troca de o país abrir mão do tratamento especial e diferenciado de que desfruta na Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto país em desenvolvimento. Há anos, o avanço da candidatura brasileira dependia de convencer os americanos a aceitar a entrada de novos membros na OCDE. Washington resiste a ampliar o órgão, ainda mais porque os europeus exigem que, em contrapartida, mais um país da Europa também seja aceito.

“É uma questão que os membros da OCDE precisam resolver primeiro. Os Estados Unidos prometeram apenas deixar de bloquear a candidatura brasileira. Eu não vejo o Trump como um grande apoiador”, observa o professor-adjunto de Relações Internacionais da FGV Oliver Stuenkel, especialista em economias emergentes. “Na verdade, o Trump e o governo americano em geral não querem ampliar o número de membros rapidamente, porque existe a preocupação da descaracterização desse grupo. Tomar decisões se torna mais difícel com tantos participantes.”

A duras penas, o governo americano concordou com o ingresso da Argentina, junto com a admissão da Romênia. Agora, na prática, para defender o Brasil, Trump teria de engolir outro europeu, provavelmente a Bulgária. Ou seja, para bancar a promessa feita a Bolsonaro, os americanos teriam de concordar que, no total, quatro novos países fossem aceitos.

“As promessas feitas por Trump a Bolsonaro no tema OCDE claramente não serão cumpridas, como já era de se imaginar. Trump tem outras preocupações e o Brasil não está, de fato, em seu radar”, resume De Bolle. “A disputa comercial com a China e, principalmente, a sua própria reeleição são o foco. Os EUA não vão brigar pela entrada do Brasil: trata-se de uma novela que não acabará nunca.”

Ala “ideológica” versus área econômica

A economista também desconfia da determinação do próprio Bolsonaro em ingressar na OCDE – a integração do país às instituições multilaterais é motivo de conflitos dentro do governo, entre a área econômica e a diplomacia. Para Monica de Bolle, essas divergências internas são um empecilho.

“A política externa brasileira virou campo de batalhas ideológicas que não vejo onde irão terminar. Não acredito que a candidatura do Brasil jamais tenha estado realmente entre os objetivos de Bolsonaro – acho que ele sequer compreende o que isso significa”, ressalta a pesquisadora da Johns Hopkins University. “O que ele queria, quando veio a Washington, era apenas a retórica de apoio de Trump.”

A questão do “cenário político fragmentado” e "a relação desafiadora entre os diferentes ramos do governo" chegou a ser abordada no capítulo sobre o Brasil, no relatório de Perspectivas Econômicas da OCDE divulgado nesta terça. Mas Oliver Stuenkel considera que, no caso específico da organização sediada em Paris, o consenso dentro do governo é maior.

“O governo Bolsonaro, sobretudo o ministro das Relações Exteriores, tem criticado a ONU, a União Europeia, mas a princípio não pensa assim sobre a OCDE. A minha expectativa é de que haverá atritos entre o núcleo antiglobalista do Araújo e o núcleo dos economistas sobre este ponto”, nota o professor da FGV.

Ele destaca que a adesão à organização representa um “selo de qualidade” importante para atrair investidores. Porém a entidade não tem o poder de impor mudanças de políticas em curso pelos governos: a OCDE apenas emite recomendações para promover o desenvolvimento, nas mais diversas áreas.


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