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Brasil

Bolsonaro telefona para Macri e quer encontrar líderes da região afinados com sua visão

media Bolsonaro entrou em contato com presidente argentino Mauricio Macri, cujo país é o principal parceiro estratégico do Brasil na região ©REUTERS/Marcos Brindicci

O candidato do PSL à presidência do Brasil procura aproximação com países vizinhos a favor do livre mercado e do liberalismo econômico, como o Chile. No Mercosul, Jair Bolsonaro vê Argentina e Paraguai em sintonia, mas deixa de lado o Uruguai.

Correspondente da RFI em Buenos Aires

A Presidência argentina informou nesta terça-feira (16) que Mauricio Macri recebeu um telefonema do candidato do candidato brasileiro. De acordo com a nota, Macri e Bolsonaro "tiveram uma conversa cordial, relacionada com o atual processo eleitoral do Brasil e com a relação estratégica entre ambos os países". Segundo fontes, consultadas pela RFI, Bolsonaro explorou a possibilidade de um encontro com Macri antes ou depois de eleito. "Mas ele quer antes", admitiram.

Tradicionalmente, a Argentina, principal sócio estratégico do Brasil na região, é o primeiro país visitado pelos presidentes brasileiros eleitos. Mas Buenos Aires, que tem incertezas sobre o que Bolsonaro pensa a respeito do futuro da relação bilateral, não sabe se essa tradição será mantida.

O programa de governo de Bolsonaro fala sobre fortalecer negociações bilaterais com os países, um estilo semelhante ao propagado pelo norte-americano Donald Trump. No entanto, como União Alfandegária, o Mercosul negocia em bloco, o que torna impossível que cada membro –Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – possa discutir de forma individual. Para isso, seria necessário acabar com a União e recuar a um mero status de zona de livre comércio. Essa é uma das incertezas argentinas sobre o futuro.

A eventual vitória de Bolsonaro representa vantagens e desvantagens para Mauricio Macri. O candidato brasileiro defende o livre comércio, ponto coincidente com a visão de Macri, mas a posição do brasileiro em matéria de Direitos Humanos provoca arrepios entre os líderes da região.

Num país sensibilizado por uma ditadura sanguinária que torturou e matou 30 mil pessoas, uma foto de Macri ao lado de Bolsonaro é um prato cheio para a oposição. Mas, ao mesmo tempo, ao lado de Bolsonaro, Macri fica mais ao centro e pode-se mostrar mais sensato nesse aspecto.

"Veremos um Macri próximo, mas não efusivo ao lado de Bolsonaro. Uma coisa são as profundas relações bilaterais; outra, um apoio às posturas radicais", diferenciam dentro do governo argentino.

"Um abraço ao Macri que terminou com a 'Dilma Kirchner'", disse Bolsonaro em coletiva na semana passada, quando perguntado sobre a relação com a Argentina. Para Bolsonaro, o ódio ao PT teria um equivalente, na Argentina, com o ódio ao Kirchnerismo. Em 2016, Bolsonaro já tinha manifestado apoio a Macri.

Uruguai ficou fora

O candidato também declarou o seu interesse de um encontro com os integrantes do Mercosul. No entanto, Bolsonaro excluiu o Uruguai, governado por uma coalizão de esquerda liderada pelo presidente Tabaré Vázquez. O presidenciável brasileiro referiu-se apenas ao argentino Mauricio Macri e ao paraguaio Mario Abdo Benítez. Além disso, incluiu o chileno Sebastián Piñera, quem, no entanto, não integra o Mercosul como um membro pleno. 

"O Mercosul tem o seu valor, mas foi desfigurado pelo PT. Não abandonaremos o Mercosul, mas esta relação não será guiada por questões ideológicas", sublinhou Bolsonaro.

O ex-presidente uruguaio, José Mujica, integrante da coalizão governista, anuncia que a vitória de Bolsonaro seria perigosa para a região. A sua esposa, a vice-presidente Lucía Topolansky, adverte que "no Brasil, há quase uma volta à ditadura".

Sintonia com o ultra liberalismo chileno

Asessores de Bolsonaro também teriam explorado a possibilidade de um encontro com o presidente chileno antes do segundo turno em 28 de outubro. No entanto, apesar do elogio de Sebastián Piñera ao plano econômico de Bolsonaro, o candidato brasileiro é um elemento de polarização na base aliada de Piñera, que procura pontos de contato mais ao centro, afastando-se da extrema direita. Por esse motivo, os correligionários de Piñera preferem evitar um apoio mais explícito antes do resultado das urnas no Brasil. Na semana passada, em viagem pela Espanha, o líder chileno elogiou as propostas econômicas de Bolsonaro, impulsionadas pelo "Chicago Boy", o economista Paulo Guedes.

Fora Estados Unidos e Grã-Bretanha, a ditadura de Augusto Pinochet fez do Chile o único país na região a ter implementado a visão ultra liberal de formados na Universidade de Chicago. A Constituição ultra liberal de Pinochet é motivo de recorrentes manifestações por educação e saúde gratuitas. Além disso, o sistema privado de fundos de pensão que Paulo Guedes propõe como reforma na Previdência é aplicado com críticas no Chile e regeu na Argentina entre 1994 e 2008, sendo desde então eliminado.

O presidente chileno disse sentir um "legítimo orgulho" porque "Bolsonaro falou sobre seguir o modelo chileno". "Temos coincidências importantes como integração econômica e modernização da economia" destacou Piñera sobre o plano de Bolsonaro, que "aponta na direção correta".

"Os sinais que (Bolsonaro) está dando sobre abrir a economia brasileira, reduzir o déficit fiscal, reformar a Previdência, reduzir o tamanho do setor público com privatizações são os que um gigante como o Brasil precisa", indicou. "Mas temos grandes discrepâncias profundas em relação à conduta discriminatória ou racista", diferenciou-se.

"Há frases em matéria de condutas homofóbicas ou pouco respeitosas com as mulheres ou pouco comprometidas com a democracia com as que eu definitivamente discrepo", defendeu-se Piñera perante as críticas internas, as mesmas que o impedem agora de um encontro antecipado com Bolsonaro. Piñera admitiu que "ninguém conhece muito bem a trajetória de Bolsonaro e isso gera incertezas".

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