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Américas

Em plena crise da Venezuela, cocaína movimenta US$ 500 milhões e aquece economia interna

media Incineração de cocaína na região andina, em setembro de 2018. REUTERS/Mariana Bazo

Importante ator do tráfico internacional de cocaína, a Venezuela convive com essa atividade muito lucrativa, e que pesa bastante na atual crise. Vetor de corrupção e influência em um país onde o dinheiro perdeu seu valor, a cocaína é mantida na Venezuela pelo "cartel de Los soles" (o cartel dos sóis), em referência aos sóis que substituem as estrelas nos uniformes de alto escalão do Exército. O tráfico envolve hoje muitos agentes do alto escalão do Executivo venezuelano. É o que revela David Weinberger, pesquisador do Instituto de Estudos Superiores de Segurança e Justiça da França (INHESJ), em entrevista exclusiva à RFI.

Por Arnaud Jouve

RFI: David Weinberger, a Venezuela ainda é uma plataforma importante para o trânsito internacional de cocaína?

David Weinberger: Todas as informações disponíveis mostram que a Venezuela ainda é um grande centro de exportação de cocaína da América Latina, e uma zona de produção, para o resto do mundo. Tem uma posição geográfica ideal, ao norte do continente, voltada para o mercado norte-americano via América Central e Caribe, mas também para a Europa, onde alimenta diretamente países como a França ou os Estados Unidos. A Venezuela também fornece cocaína para a Espanha, passando pela África Ocidental. Além disso, o país compartilha uma fronteira muito longa com a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, que atualmente registra recordes históricos de produção (estimados em 1410 toneladas em 2016). De lá, existem dois tipos de transporte: o primeiro é enviar a cocaína produzida nos estados colombianos, perto da fronteira com a Venezuela, para as partes que transitam por aquele país; neste caso, usam-se a estrada e os cursos de água que são as estradas da floresta amazônica, e poucos aviões por causa do rígido controle aéreo da Colômbia. O segundo tipo de transporte está localizado na Venezuela e são principalmente barcos e aviões.

RFI: Qual é o volume de cocaína em trânsito na Venezuela?

DW: Não há dados recentes sobre o volume de cocaína em trânsito na Venezuela. Os mais atuais são de uma década atrás e vieram do UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime Organizado), que estimou que isso representava 30% da produção colombiana. Sabemos que em 2008 um grande traficante, durante sua audiência diante da polícia colombiana, disse que poderia exportar 30 toneladas de cocaína por semana. Isso é cerca de 360 toneladas por ano e, portanto, um quarto da produção colombiana na época.

RFI: O que sabemos sobre o impacto econômico desse tráfico na Venezuela?

DW: O tráfico de cocaína pesa muito economicamente no contexto da atual crise. Pode-se estimar amplamente que ele movimenta cerca de US$ 500 milhões por ano (na economia interna). Devemos lembrar que, com os problemas da crise econômica e da crise monetária do bolívar (a moeda nacional) na Venezuela, a contribuição das moedas internacionais usadas pelo tráfico ilícito de drogas é extremamente importante. É uma renda em moeda estrangeira que é significativa.

RFI: Como chegamos lá?

DW: Como em todos os países da América do Sul que estão próximos das áreas de produção de cocaína (Colômbia, Peru, Bolívia), houve uma disseminação do tráfico a partir da década de 1990. Foi o caso na Venezuela, incluindo a prisão de dois generais em 1993 que estavam envolvidos no tráfico de drogas. Depois, houve um aumento significativo no tráfico de cocaína via Venezuela após a crise diplomática entre o país e os Estados Unidos que levou, em 2005, à expulsão da DEA, as forças antinarcóticos dos EUA, que estavam presentes em Caracas. Neste contexto de crise, a DEA foi expulsa pelo presidente Hugo Chávez no contexto de uma tentativa de golpe liderada pelos Estados Unidos (em 2002) e isso extinguiu de uma vez por todas qualquer cooperação antidrogas na Venezuela. Além disso, os Estados Unidos, com os europeus, basearam sua luta contra as drogas no controle de radar da região andina. Mas depois de 2005, os venezuelanos deixaram de fornecer informações de radar em seu território e isso criou uma área indetectável onde aviões e pequenos aviões podem carregar cocaína para diferentes destinos, sem serem identificados.

RFI: Como esse tráfico se desenvolveu na Venezuela?

DW: Historicamente, Venezuela e Colômbia estão ligados desde o início, porque eram parte da grande Colômbia britânica da época, com ligações linguísticas, culturais e políticas. Em paralelo, o tráfico de cocaína também foi “exportado”, assim como a guerra civil colombiana, com atores como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do (Exército de Libertação Nacional) ELN, mas também com os paramilitares que, desde os anos 1990, têm usado a fronteira venezuelana como uma de suas bases para alimentar, treinar e soldados, quando havia ações militares muito difíceis no lado colombiano. Esses grupos políticos das FARC ou do ELN criaram ligações desde 1990 que se manifestam também nos laços econômicos em relação ao tráfico de cocaína. Sabemos que houve contatos por volta dos anos 2000 entre esses grupos colombianos e importantes atores do tráfico na Venezuela.

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