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Américas

Guatemala: Odebrecht acusada de pagar subornos por campanha e rodovia

media Os 35 milhões de dólares que a Odebrecht confessou ter pago na Argentina entre 2007 e 2014 podem ser apenas o começo de um submundo de subornos muito maior. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

A construtora Odebrecht pagou US$ 17,9 milhões de subornos na Guatemala para a construção de uma rodovia e o financiamento da campanha presidencial do empresário Manuel Baldizón, informou nesta quarta-feira (24) a procuradora-geral guatemalteca Thelma Aldana. Aldana indicou que do total de subornos, a Odebrecht entregou, entre 2013 e 2014, aproximadamente US$ 9 milhões ao então ministro das Comunicações Alejandro Sinibaldi para ficar com a reforma e a ampliação de uma rodovia no sudoeste, que custava US$ 300 milhões.

A obra não foi concluída, mas a Odebrecht recebeu US$ 249 milhões. Entre outros beneficiados com os subornos estão empresários e advogados, alguns já detidos pelo caso. Segundo Aldana, que apresentou a primeira fase da investigação do caso Odebrecth na Guatemala, Sinibaldi recebeu os subornos por meio de duas empresas criadas em Antigua e Barbuda, em uma prática recorrente em sua gestão de exigir dos empresários entre 5 e 15% de comissão por projeto ou pagamento de dívida.

"Vemos operações de pagamento para dar a aparência de legalidade a empresas vinculadas com o senhor Alejandro Sinibaldi", afirmou a procuradora. Ela destacou que a rota do dinheiro foi seguida depois das declarações de testemunhas protegidas e diretores da Odebrecht com base em um acordo alcançado com a empresa.

Político que recebeu suborno está preso

Para "reparar os danos", o acordo com a Odebrecht também contempla a possibilidade de que a empresa pague ao Estado guatemalteco os US$ 17,9 milhões que deu em subornos se, após o fim do contrato "de boa fé", existirem valores pendentes de pagamento a favor da empresa, entre outros "critérios".

Sinibaldi, foragido da justiça por um caso conhecido como "Construção e Corrupção," era um homem forte do ex-presidente Otto Pérez (2012-2015), preso por uma fraude alfandegária. Ao mesmo tempo, o ex-juiz colombiano Iván Velásquez, presidente da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), uma entidade vinculada à ONU, informou que a Odebrecht pagou ao empresário Manuel Baldizón, detido nos Estados Unidos, US$ 1,3 milhão, a maior parte para uma campanha política em 2015.

De acordo com o juiz, Sinibaldi foi a pessoa que apresentou, em 2013, Baldizón a um diretor da empresa brasileira, que estabeleceu inicialmente um acordo para o pagamento de US$ 3 milhões. Velásquez indicou que Baldizón, candidato do extinto partido Liberdade Democrática Renovada (Líder), exigiu os recursos da Odebrecht porque afirmou "que seria o próximo presidente da República da Guatemala".

Baldizón ficou em terceiro lugar na eleição de 2015, fora do segundo turno, vencido pelo ex-comediante Jimmy Morales. Desde sábado passado (20), Baldizón, um magnata e advogado de 50 anos, está detido em Miami, Estados Unidos, por violação de leis migratórias. No domingo (21), ele solicitou asilo ao denunciar uma perseguição política.

Com informações AFP

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