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Américas

Sem resultado eleitoral, Honduras decreta estado de exceção por conta de saques e protestos

media Partidários de Nasralla protestam nas ruas, denunciando "fraude eleitoral". REUTERS/Edgard Garrido

O governo de Honduras decretou nesta sexta-feira (1o) estado de emergência por conta das manifestações, confrontos e saques que abalam o país. Uma semana após as eleições presidenciais, os hondurenhos ainda não sabem quem é o novo presidente enquanto dois candidatos se acusam mutuamente de fraude eleitoral.

Ao menos dois policiais e dez manifestantes foram feridos a bala nos confrontos que agitam Honduras. Na capital Tegucigalpa, os manifestantes fecharam as principais avenidas e as saídas da cidade com barricadas, enquanto a população corria para supermercados e postos de gasolina para se abastecer diante da crise.

Com 94,31% das urnas apuradas, Juan Orlando Hernández, que busca uma polêmica reeleição pelo Partido Nacional, lidera com 42,92% dos votos, contra 41,42% para Salvador Nasralla, um apresentador de televisão, candidato da oposição.

Recontagem

O presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), David Matamoros, revelou na noite de quinta-feira (30) que o organismo iniciaria uma "apuração especial" de 1.031 atas com inconsistências, na presença dos delegados dos partidos, para garantir a transparência.

Nasralla, no entanto, rejeitou a proposta de Matamoros para a revisão de apenas 1.031 atas. "Queremos começar do zero e rever as 18 mil atas para aceitar um resultado definitivo”, disse o candidato. "O que está realmente acontecendo aqui é que David Matamoros está salvando seu couro pelo crime político (de fraude) e o couro do presidente Hernández”, completou.

Após a queixa da oposição, o presidente do TSE informou que se reunirá com o ex-presidente e representante da oposição Manuel Zelaya, na manhã deste sábado, para analisar a revisão das atas.

Zelaya informou à imprensa que exigiu de Matamoros a comparação de 5.174 atas com os registros que têm a Aliança de Oposição, para verificar a lisura da apuração.

Uma missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu, em uma nota enviada ao presidente do TSE, a revisão "de todas as atas" e a garantia de "transparência absoluta" da apuração.

Contextualizando

Juan Orlando Hernández, de 49 anos, busca um segundo mandato amparado por uma decisão da justiça, apesar da Constituição proibir a reeleição em Honduras.

Salvador Nasralla, de 64 anos e sem experiência política, representa a Aliança Opositora, bloco de oposição ao governo liderado pelo ex-presidente Manuel Zelaya.

(Com agência AFP)

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