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França

Brasil vira vitrine para grupo francês com fábrica de submarinos, diz Le Monde

media Michel Temer durante lançamento simbólico da fabricação do primeiro submarino em Iguataí REUTERS/Ricardo Moraes

O Brasil é destaque no caderno de economia do jornal francês Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quinta-feira (22). Com o título "Um primeiro submarino fabricado no Brasil" (escrito em português no texto), o vespertino fala do lançamento do submarino nuclear realizado junto com a empresa francesa Naval Group.

O jornal explica que o projeto é uma herança da visita do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy ao Brasil em 2009. Na época, todo mundo só falava dos caças Rafale, que Brasília deveria comprar da França, e acabaram esquecendo dos demais contratos assinados entre os dois países durante a passagem do chefe de Estado, explica o vespertino. "Dez anos depois, o Brasil não comprou nenhum Rafale. Em compensação, um canteiro naval novinho foi construído em Itaguaí, no Rio de Janeiro, com o apoio dos franceses do Naval Group", analisa Le Monde.

O contrato gigantesco, estimado em cerca de € 6,5 bilhões em 2008, teve um pouco de atraso, mas sobreviveu à recessão que atingiu o Brasil, mesmo se a crise obrigou o país a abandonar vários outros projetos, comenta o vespertino. Por essa razão, o submarino deve ser visto como uma "conquista a ser celebrada", conforme declarou o presidente brasileiro Michel Temer, citado pelo Le Monde. O chefe de Estado foi até Itaguaí esta semana para lançar simbolicamente, com grande pompa e "inúmeros ministros e deputados", o processo de fabricação desse primeiro submarino brasileiro, que deve entrar no mar no final deste ano.

Esse primeiro equipamento é um modelo Scorpène, de propulsão clássica. Mas as expectativas são principalmente em torno de um outro submarino, que deve sair da mesma fábrica: o primeiro modelo de propulsão nuclear fabricado no Brasil.  

Odebrecht faz parte da parceria, apesar dos escândalos

Le Monde lembra, no entanto, que o programa para a construção desse equipamento faz parte de um projeto assinado entre a empresa francesa e o grupo Odebrecht. O jornal explica que mesmo se a construtora brasileira está atolada em um vasto escândalo de corrupção, até agora os contratos dos submarinos não foram envolvidos nas denúncias de suborno.

Os franceses contam muito com os brasileiros nesse projeto pois, segundo Le Monde, enquanto se espera um crescimento da potência de países como Índia ou Austrália no setor, o Brasil constitui a principal base industrial da Naval Group fora da França. Até porque, comenta o presidente do grupo francês, o construtor naval não pode depender apenas das encomendas feitas pelo Estado francês.

Por essa razão a empresa multiplica as exportações, lista Le Monde. A Naval Group já vendeu 14 submarinos Scorpène para Malásia, Chile, Índia e Brasil. China, Coreia do Sul, Turquia, Holanda e Alemanha também estariam interessados no projeto, comenta o jornal.

Porém, explica a reportagem, esses países não se contentam mais em comprar submarinos prontos. Todos querem ter acesso à tecnologia de fabricação dos equipamentos. A fábrica de submarinos brasileira, aliás, representa a maior transferência de tecnologia já realizada pela Naval Group. Le Monde lembra ainda que atualmente apenas Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França são capazes de construir submarinos nucleares.

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