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Revista conta como artistas húngaros vivem com a política repressiva de Orban

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Revista conta como artistas húngaros vivem com a política repressiva de Orban
 
Reportagem conta como é "ser artista sob o regime de Viktor Orban", o primeiro-ministro húngaro Reprodução / L'Obs

A revista francesa L’Obs traz esta semana uma reportagem sobre a cena cultural húngara. Intitulada “Ser artista sob Orban”, a matéria conta como a política conservadora e repressiva do primeiro-ministro Viktor Orban afetou o mundo das artes no país.

A reportagem entrevistou diretores de teatro, escritores, fotógrafos, poetas, coreógrafos e filósofos húngaros, que falam das dificuldades em suas respectivas atividades desde que o atual chefe do governo adotou o chamado regime “iliberal”. Por trás desse conceito o primeiro-ministro defende uma “arte moral” vista por muitos como uma forma de censura.

O diretor de teatro Árpád Schilling foi um dos entrevistados da reportagem. Reconhecido internacionalmente, ele milita por uma sociedade democrática e trabalha com programas culturais destinados a um público jovem carente, “geralmente migrantes, sem documentos, e todos aqueles que Orban rejeita”, conta a revista. Mas sua ação é cada vez mais limitada, já que o governo húngaro incluiu seu nome na lista das personalidades consideradas perigosas, chamado publicamente de “inimigo do Estado e agitador violento”. Além disso, o dramaturgo teve as ajudas públicas para seus projetos suprimidas e foi proibido de intervir nas escolas do país.

Já o diretor do Museu Literário da Hungria, Gergely Pröhle, que no passado era próximo de Orban, acabou de ser demitido. Segundo a poeta Krisztina Tóth, ele foi acusado de convidar muitos escritores liberais na instituição. “Voltamos ao tempo dos expurgos stalinistas, que tinham como objetivo fazer com que ninguém se sentisse em segurança”, desabafa a poeta. Resultado: o uso da linguagem com duplo sentido tem voltado a ser empregado na literatura, como uma forma de contornar a censura.

Período propíciopara arte subversiva

Árpád Schilling diz ter visto o mesmo fenômeno no teatro. “Diretores e atores em Budapeste voltaram a interpretar como nos tempos do comunismo, passando mensagens nas entrelinhas”, se revolta, alegando que aceitar esse sistema significa admitir que o país não vive mais em uma democracia.

Mas apesar dos limites impostos pelo governo, muitos dos artistas entrevistados afirmam que uma solução é usar a ironia para criar. O fotógrafo Peter Puklus, por exemplo, se diverte fabricando imagens de sua própria família para questionar os estereótipos da família defendidos por Orban. Em suas fotografias, os personagens são todos loiros, a mulher submissa, o marido onipotente e as crianças sempre comportadas.

A filósofa Ágnes Heller, de 89 anos, que escapou dos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, tenta ver o lado positivo dessa situação. Ela lembra que “artistas geniais surgiram no Império Austro-Húngaro, no Holocausto ou durante o comunismo. Durante essa sociedade ‘iliberal’ também estão nascendo uma literatura e uma poesia perturbadoras”, pondera a filósofa nas páginas da revista francesa L’Obs.


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