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Europa

Premiê britânica privilegia encontro com Trump, visando aliança pós-Brexit

media A primeira-ministra britânica, Theresa May, será nesta sexta-feira (27) a primeira líder internacional a se reunir com Donald Trump desde sua posse. REUTERS/Jonathan Ernst//Neil Hall

 A primeira-ministra britânica, Theresa May, se tornará nesta sexta-feira (27) a primeira líder internacional a se reunir com Donald Trump desde sua posse, com a intenção de forjar uma aliança para a fase pós-Brexit no Reino Unido.

A visita é apresentada como um êxito diplomático do Reino Unido, onde a ideia de que existe uma "relação especial" com Washington segue vigente, e será observada com lente de aumento pelo resto do mundo como mais um passo na formação da política externa do novo presidente americano.

"Tenho o prazer de ser a primeira líder a ser recebida pelo presidente Trump. É um sinal da força de nossa 'relação especial'", afirmou May ao Parlamento nessa quarta-feira (25). Donald Trump é um dos poucos líderes mundiais que expressou seu apoio ao Brexit, no qual vê paralelos com sua campanha eleitoral, e chegou a se oferecer para chegar a um acordo comercial com o Reino Unido. Palavras muito bem recebidas por Theresa May, que na semana passada admitiu que seu país não permanecerá no mercado único europeu.

O governo britânico publicou nesta quinta-feira (26) o projeto de lei para dar início à saída do Reino Unido da União Europeia, anunciou o ministro encarregado do Brexit, David Davis. O projeto de lei permitirá à primeira-ministra Theresa May receber a permissão do Parlamento para ativar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, ponto de largada dos dois anos de negociações para abandonar o bloco.

Protecionismo de Trump, uma pedra no caminho do Reino Unido?

No entanto, os analistas apontam que o protecionismo de Trump e seu lema "Estados Unidos em primeiro lugar" não favorecem a promessa de May de transformar o Reino Unido em um campeão mundial do livre comércio.

"Há simpatia nacional em relação a Trump no Reino Unido por causa do Brexit", explicou Stephen Burman, professor de política americana na Universidade de Sussex. "Mas, para mim, 'Os Estados Unidos em primeiro lugar' e 'Reino Unido global' são lemas contraditórios", acrescentou. "Isso certamente não mudará por causa de uma visita", finalizou o professor.

Há também a questão dos comentários de Trump sobre as mulheres, que May considerou "inaceitáveis". "Quando acontecer algo que seja inaceitável, direi a Donald Trump", assegurou May, em entrevista à BBC. A primeira-ministra viaja nesta quinta (26) para os Estados Unidos e se reunirá com os líderes republicanos na Filadélfia, antes de viajar a Washington para sua visita à Casa Branca na sexta-feira (27).

Embora a primeira-ministra espere manter negociações "preliminares" para um acordo comercial, a UE avisou que Londres não pode começar discussões formais até que abandone totalmente o bloco. Além disso, os especialistas advertem que serão necessários “anos” para se completar qualquer acordo.

A primeira-ministra, que prometeu iniciar os dois anos de negociações de ruptura em março, já abordou a questão dos acordos comerciais com Índia, Austrália e Nova Zelândia, e, depois dos Estados Unidos, viajará à Turquia.

No caso particular dos Estados Unidos, as principais incógnitas são se Washington estará disposto a diminuir os impostos aos automóveis britânicos e aceitar diferentes normas agrícolas.

 

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