Ouvir Baixar Podcast
  • 09h30 - 09h33 GMT
    Jornal 16/07 09h30 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 21/07 09h30 GMT
  • 09h33 - 09h57 GMT
    Programa 16/07 09h33 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 21/07 09h36 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 21/07 09h57 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 21/07 15h00 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 21/07 15h06 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 21/07 15h27 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

Mostra sobre casamentos forçados abre centro de fotojornalismo em Paris

Mostra sobre casamentos forçados abre centro de fotojornalismo em Paris
 
Dois homens posam ao lado de suas esposas, meninas entre 10 e 12 anos Stephanie Sinclair

Too Young To Wed (Nova demais para casar, em tradução livre). Este é o nome da exposição da renomada americana Stéphanie Sinclair, que inaugura o Arco do Fotojornalismo, no 35° andar do Grande Arco de La Défense.

Beleza e realidade dramática se misturam no trabalho da fotojornalista americana Stéphanie Sinclair, nessa mostra dedicada ao casamento de meninas, algumas com somente oito anos. A cada dois segundos, no mundo, uma menina se casa à força. E esse fenômeno dramático que a fotógrafa explora há 15 anos, envolvendo-se tanto com a questão que, em 2012, fundou sua própria ONG, Too Young to Wed.

São 175 fotos, das quais 113 nunca foram expostas, sendo muitas comparadas a vitrais de igreja, pelo colorido e pela emoção que despertam. A artista ficou muito emocionada em ter sido escolhida para inaugurar o espaço. "Não tenho palavras, é impressionante ver meu trabalho selecionado para abrir esse espaço maravilhoso em um lugar emblemático de Paris.É uma verdadeira honra".

A fotógrafa Stéphanie Sinclair no Nepal, diante da foto de Naruna, 14 anos, no dia do seu casamento Siegfried Forster/RFI

Fotojornalista na guerra do Iraque, foi em 2003 que Stéphanie Sinclair descobriu no Afeganistão, em um hospital, o fenômeno das meninas imoladas pelo fogo para escapar ao casamento forçado. Chocada, ele sentiu necessidade de compreender e agir. Foi a partir daí que viajou por 15 anos para diversos países, fotografando as meninas e passando bastante tempo com as suas famílias.

Para a fotógrafa, o problema está começando a ser conscientizado. "O que acho que estamos vendo é que está havendo uma conscientização do problema. O fato de encontrar essas meninas, saber o que elas sentem, tentar entender sua vida através da fotografia, levou a essas mudanças. Atualmente há muitas campanhas em torno desse tema. A União Africana e a ONU fizeram campanhas em torno dos casamentos precoces. Alguns países estabeleceram uma idade mínima para o casamento ou aumentaram a idade legal necessária para se casar. Muitos governos de países afetados pelo problema também começaram a se mobilizar. Eles tentam manter as meninas na escola o maior tempo possível e entenderam que isso também é benéfico para o país".

Menina ao lado do marido no Afeganistão Stéphanie Sinclair

Aos 44 anos, a fotógrafa abriu a sua ONG para tentar ajudar as meninas. No Nepal, por exemplo, dois anos após o terremoto, centenas de casas haviam sido destruídas. Stéphanie encontrou uma família que estava pensando em casar uma de suas meninas para ter ajuda financeira para reconstruir sua casa. Foi nesse momento que a ONG pôde ajudar: "Através de nossa associação, colocamos essa família em contato com uma outra organização, chamada "All Hands Volunteers", que reconstruiu a casa deles. Em parceria com outra associação americana, Jewish World Service, colocamos à disposição vários serviços no vilarejo onde os casamentos precoces haviam aumentado muito. Investimos também em educação. Por exemplo, nossa associação financiou 25 bolsas de estudo para crianças. E nós reconstruímos a escola".

Caminhando pelas salas amplas, fotos de grande formato e de cores impressionantes, dão toda a dimensão da temática dramática trabalhada por Stéphanie Sinclair.

"Algumas fotos são fortes, mas é necessário a gente ver"

A estudante paulista Marilia, de 20 anos, estava com lágrimas nos olhos quando a

A estudante paulista Marilia Martins ficou emocionada com a exposição da fotógrafa Stéphanie Sinclair RFI

encontrei diante da foto de uma garota ao lado de um homem velho, seu marido. Para ela, a exposição foi uma verdadeira revelação: "Vim aqui na exposição sem querer pois tinha vindo visitar o Arco de La Défense, subi aqui e fiquei maravilhada com tudo o que vi aqui, as fotos são simplesmente maravilhosas, são enigmáticas, fazem você pensar na situação dessas meninas, ter o olhar como se você estivesse vendo o que estava acontecendo lá. A história também toca o coração, faz você pensar como o mundo é tão grande, e a gente vive uma diversidade maior ainda, e saber que tem várias partes que mulheres como nós, e podia ser a gente (...) sofrem por esse tipo de coisa (...), mas achei muito tocante e realmente espero que seja bem divulgada para que muita gente no mundo possa ver e entender a história", ela disse.

Marília também ficou impressionada com as cores das fotos: "Chamam muito a atenção, não tem nenhuma foto em preto e branco, é tudo colorido, e parece que uma combina com a outra. Os olhares... foi o que mais chamou minha atenção, são muito fixos, parecem que estão olhando para vocês. Algumas fotos são muito fortes, mas acho que é necessário a gente ver para dar valor a tudo o que tem, e saber que existe esse tipo de coisa, infelizmente, no mundo".

Na livraria, podemos comprar uma fotografia da exposição por 50 euros, cerca de 185 reais, totalmente revertidos para a ONG Too Young Too Wed, que ajuda as meninas vítimas do casamento forçado.

Vocês entenderam, a exposição de Stéphanie Sinclair vai muito além de fotos belíssimas que impressionam pelos tons vivos das cores e a forte expressividade dos modelos. Mesmo se muitas imagens fazem mal, como disse a Marília, é fundamental sabermos que essa realidade existe. Hoje, o casamento forçado existe em mais de 50 países, inclusive no Ocidente.


Sobre o mesmo assunto

  • ONU/Jornada

    ONU: 15 milhões de meninas são obrigadas a se casar por ano

    Saiba mais

  • Linha Direta

    Dinamarca deporta meninas somalis mesmo com risco de mutilação genital

    Saiba mais

  • India

    Estupros contra meninas pequenas não para de aumentar na Índia

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.