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Marcelo Gomes, diretor: "Há poucos documentos históricos sobre Tiradentes"

Marcelo Gomes, diretor:
 
O cineasta brasileiro Marcelo Gomes que concorre qo Urso de Ouro com "Joaquim", na Berlinale. RFI/Letícia Constant

O cineasta pernambucano Marcelo Gomes está em competição oficial no Festival de Cinema de Berlim com o longa histórico “Joaquim“, sobre a vida do mártir Tiradentes, enforcado e esquartejado por ter participado da Inconfidência Mineira contra a soberania de Portugal.

Mesmo sendo uma obra histórica, Marcelo deu asas à ficção: “O filme foi inspirado em fatos históricos mas, na verdade, o que se tem de documento sobre o nosso Tiradentes é a certidão de batismo e o processo de julgamento dele, que é o auto de devassa. Sobre esse momento de mudança de paradigma, em que ele era um soldado da coroa e se torna um rebelde da coroa, não existe nenhum documento histórico. E eu queria falar desse momento de mudança de paradigma“, observa o diretor, que concorda que deu asas à imaginação, mas se apropriando de fatos reais: “Ele era um soldado, ele era um dentista, ele perdeu a cabeça, ele participou da Inconfidência“.

Marcelo Gomes explica que o enredo não chegou até a Inconfidência, propositadamente. Para ele, uma das motivações de Tiradentes mudar de campo pode ter sido a descoberta de que era tão marginalizado quanto os escravos, os índios e os mestiços.

Analisando o mito do herói, o diretor pensa que ninguém nasce herói. “São contingências da vida, problemas profissionais, frustrações afetivas e reflexões sobre a própria vida que levam você a tomar um ato heróico", observa o concorrente ao Urso de Ouro na Berlinale deste ano.

 


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