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“Precisamos dizer ‘basta’ a esse retrocesso que está acontecendo no Brasil”, diz o autor Henrique Schneider

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“Precisamos dizer ‘basta’ a esse retrocesso que está acontecendo no Brasil”, diz o autor Henrique Schneider
 
O escritor Henrique Schneider RFI

Com oito livros nas prateleiras, Henrique Schneider passa por Paris para participar do Quinto Festival do Rio Grande do Sul, um evento anual organizado pela comunidade gaúcha em parceria com a embaixada do Brasil na França. Próxima parada do autor, Berlim. Mas não sem antes um desabafo no microfone da RFI sobre o retrocesso político pelo qual passa o Brasil.

Schneider nasceu em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, em 1963. Aos 26 anos publicou O Grito dos Mudos, novela que ganhou o prêmio Maurício Rosemblatt, chegando agora à oitava edição pela editora Bertrand Brasil.

O Grito dos Mudos é um livro que consegue ser mais atual hoje do que na época em que foi escrito”, explica Schneider. “Eu narro um dia na vida do Nicolau, um lavador de pratos, que descobre que vai ser substituído por uma máquina de lavar pratos. É uma história que trata da questão do desemprego e da substituição do homem pela máquina”.  

Contramão no cinema

Vinte anos e centenas de laudas mais tarde, Schneider publicou o contundente Contramão, finalista do prêmio Jabuti e ganhador do prêmio “Livro do Ano” da Associação Gaúcha de Escritores. Se tudo correr bem, Contramão, da editora Bertrand, pode chegar em breve às telas de cinema através das lentes de Jefferson De, diretor de Bróder, que ganhou o prémio de melhor longa-metragem no Festival de Gramado em 2010.

Depois de Respeitável Público, novela lançada em 2015 pela editora Dublinense, Henrique Schneider lançou em 2016, pela editora Um Cultural, Cidades Contemporâneas, livro de fotografias sobre as capitais brasileiras, no qual o autor colabora com textos para as fotografias de Edison Vara.

Retrocesso

Como muitos artistas e intelectuais brasileiros, Henrique Schneider se chocou com a suspensão da exposição QueerMuseum em Porto Alegre, depois que o patrocinador, o banco Santander, sofreu pressão de grupos conservadores como o Movimento Brasil Livre (MBL).

“O MBL é um movimento nitidamente fascista. Foi vergonhoso o que aconteceu”, desabafa Schneider. “Sob pressões morais, conseguiram reduzir uma exposição dos mais consagrados artistas brasileiros a uma imagem de nada”.

Mas o retrocesso brasileiro não está só no campo das artes, segundo o escritor. Advogado, que atende sobretudo a entidades sindicais, Schneider se preocupa com os rumos da reforma do Trabalho no Brasil.

“No Direito do Trabalho, nós estamos assistindo a retrocessos brutais”, reclama Schneider. “Caminhamos celeremente em direção ao século 19. Os trabalhadores estão perdendo direitos fundamentais, que são os principais direitos humanos. E esses retrocessos estão sendo recebidos com um silêncio assustador. Ou as pessoas estão achando isso normal, ou elas estão cansadas e não conseguem reagir. Mas nós precisamos dizer ‘basta’ contra esse retrocesso que está acontecendo nos direitos humanos no Brasil, como foi, recentemente denunciado pela Anistia Internacional”.

De volta à ditadura

Em 2018, Schneider deve lançar sua nova novela, cujo enredo se passa em 1970, em plena ditadura militar. “Eu achava que não era mais necessário tratar da ditadura. Mas, quando eu vejo essa molecada nova saindo para as ruas, dizendo que o tempo da ditadura era bom, sem saber que na ditadura se torturava e se matava nos porões clandestinos, eu sinto que nós precisamos voltar à questão”, conclui o autor.


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