Acessar o conteúdo principal

Guerra na Ucrânia ameaça fauna e flora na região de Odessa, diz cientista

O cientista ucraniano Ivan Russev acompanha os efeitos da guerra na fauna e na flora da Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro. A Fundação Turca para Pesquisa Marinha (TUDAV) demonstrou preocupação em março com o "aumento incomum" nas mortes de golfinhos encalhados, cujas carcaças foram encontradas na costa do Mar Negro da Turquia.

O cientista Ivan Roussev no Parque Nacional Natural das Lagoas Limans Tuzly, perto da aldeia de Prymorske, em 28 de agosto de 2022
O cientista Ivan Roussev no Parque Nacional Natural das Lagoas Limans Tuzly, perto da aldeia de Prymorske, em 28 de agosto de 2022 AFP - DIMITAR DILKOFF
Publicidade

O saldo, diz, é "aterrorizante", comenta o diretor científico de 63 anos do Parque Nacional das Lagoas Tuzly, uma área de 280 km2 de litoral protegido em Bessarábia, na região de Odessa, no sudoeste da Ucrânia, perto da fronteira com a Romênia.

Todos os dias, Russev inspeciona o território, controlado pelo exército, em busca de golfinhos encalhados na areia.Os primeiros mamíferos começaram a encalhar no início de março.

Ações rápidas tiveram que ser tomadas para documentar essas mortes: os chacais são numerosos na área e as carcaças de golfinhos desaparecem durante a noite.

Russev, natural da região, começou desde o primeiro dia da ofensiva russa, em 24 de fevereiro, a registrar as consequências do conflito no parque. O diário dele é acompanhado por diversos seguidores no Facebook.

"Começamos a nos comunicar com nossos colegas turcos, búlgaros e romenos, e todos chegaram às mesmas conclusões: há um grande número de golfinhos mortos desde o início da guerra".

Golfinhos mortos

Foto mostra golfinho morto na  Lagoas Tuzly, perto de Odessa
Foto mostra golfinho morto na Lagoas Tuzly, perto de Odessa AFP - DIMITAR DILKOFF

Segundo Russev, "5.000 golfinhos morreram de acordo com os dados coletados", o equivalente a quase 2% da população total do animal no Mar Negro. "No ano passado, em nossos 44 km de costa, encontramos um total de três golfinhos", explicou. "Este ano, apenas nos 5 km em que temos direito de operar, já encontramos 35".

 É impossível saber exatamente quantos morreram em outras partes da reserva. Temendo um desembarque russo, o exército ucraniano proíbe o acesso dos funcionários do parque à maior parte da área. As três espécies de golfinhos encontradas neste mar quase fechado, estimadas em dois milhões em meados do século 20, são vítimas da pesca e da poluição há décadas.

O último registro em 2020 foi de 250.000 animais, diz Russev. Para o cientista, não há dúvidas. Os culpados desta catástrofe atual são os poderosos sonares utilizados pelos navios de guerra e submarinos russos que circulam no Mar Negro, que perturbam "o sistema acústico dos golfinhos".

"Destrói sua audição interna, eles ficam cegos, não conseguem se orientar ou pescar", diz Russev. Enfraquecidos, os golfinhos adoecem e morrem das infecções. Como prova, ele afirma que nenhum golfinho encontrado este ano apresentava ferimentos aparentes ou os cortes típicos que indicam que foram capturados em uma rede de pesca.

Russel na lagoa Tuzly
Russel na lagoa Tuzly AFP - DIMITAR DILKOFF

Golfinhos são vítimas de vírus, dizem cientistas russos

Do lado russo, cientistas que também verificaram o excesso de mortalidade de golfinhos, descartam a tese do sonar e asseguram que eles são vítimas de um morbilivírus, causa de frequentes epidemias mortais em mamíferos marinhos.

Para esclarecer dúvidas, várias amostras dos últimos exemplares encontrados no parque serão analisadas na Alemanha e na Itália. Perto da cabana de madeira onde dorme, na entrada da reserva, Russev não esconde sua preocupação.

Vários bombardeios atingiram o parque e queimaram 100 hectares de áreas protegidas. "A guerra é uma coisa terrível. Tem impacto em todo o ecossistema, em espécies que terão dificuldade em se recuperar e restabelecer o equilíbrio da natureza", lamenta.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe todas as notícias internacionais baixando o aplicativo da RFI

Compartilhar :
Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.