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Américas

Analistas divergem se Nobel da Paz a Santos beneficiará acordo com Farc

media Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, e Rodrigo Londoño, o Timochenko, chefe das Farc, se cumprimentam após assinar o acordo de Paz em Cartagena em 26 de setembro de 2016 REUTERS/John Vizcaino/File Photo TPX IMAGES OF THE DAY

Nesta sexta-feira (7), a Academia Real das Ciências da Suécia recompensou o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, com o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para concluir um acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A RFI Brasil ouviu a opinião de dois analistas sobre a escolha do comitê sueco.

 

A socióloga colombiana Olga Gonzalez tem uma visão otimista do impacto do Prêmio Nobel ao presidente Juan Manuel Santos. "Minha primeira reação é ver que a comunidade internacional está atenta ao que está acontecendo na Colômbia. É bom para o processo de paz, a paz na Colômbia é irreversível, a sociedade colombiana não quer a guerra, inclusive os que votaram 'não' [no referendo do dia 2 de outubro], que querem punições mais severas para a guerrilha, não são favoráveis a uma solução armada", observa.

Polêmica sobre a exclusão de Timochenko

A comparação entre o reconhecimento pela instituição dos esforços no conflito com as Farc e a crise israelo-palestina foi inevitável. Em 1994, o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, seu ministro conselheiro Shimon Peres e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, foram laureados em conjunto com o Nobel da Paz. "Já havia rumores de que talvez Juan Manuel Santos e Rodrigo Londogño, de codinome Timochenko, número um das Farc, também receberiam o prêmio juntos", afirma Rosa Gonzales, contando que até mesmo El Tiempo, o jornal mais importante do país, chegou a dar a notícia de que Santos, Timochenko e cinco vítimas haviam sido premiados. Em seguida, o jornal soltou um desmentido.

Como é tradição, a Academia sueca não explicou porque decidiu laurear somente o presidente colombiano, deixando de lado o chefe da guerrilha. Uma decisão polêmica para alguns analistas, que consideram que as duas partes estão unidas no processo e o prêmio recompensa Juan Manuel Santos como único ator nas negociações.

Para Olga Gonzalez, "é diferente recompensar chefes de guerra, como Timochenko, e Santos, que já foi ministro da Defesa. É difícil uma parte da população digerir que alguém identificado como um guerrilheiro [Timochenko] esteja sendo premiado. Assim é a política, hoje é para Santos, mas em todo caso é algo positivo", reitera.

O Nobel vai influenciar os opositores ao acordo com as Farc?

Reginaldo Nasser, chefe do departamento de Relações Internacionais da PUC-SP, concorda que a recompensa é positiva. " Acho que o momento em que vivemos, de conflitos e guerras, de impossibilidades de diálogo, qualquer acordo, por mais precário que seja, por mais inicial que seja, é sempre bem visto", analisa, lembrando que com o tempo algo óbvio desapareceu: a diplomacia, a coisa mais importante para mediar os conflitos. "O mais interessante é que Santos é um militar, ele sabe bem o que é a guerra, o conflito, e por isso mesmo ele sabe o que significa a importância da paz, da mediação", diz o cientista político.

Nasser não acredita, porém, que o Nobel vá impactar de forma profunda no processo de paz. "Acho que não porque aquilo que impediu a realização do acordo foram questões internas, foi como a guerra e a paz aparecem para a sociedade. Se olharmos os que votaram 'não' ao acordo [acordo de paz assinado em 26 de setembro entre governo e Farc] estão em locais que não tiveram conflito com as Farc; ou, então, por questões ideológicas pois alguns identificam que se houver acordo as Farc, vão se tornar um partido politico de esquerda e chegar ao poder", reflete.

O ex-presidente Álvaro Uribe, que em seus dois mandatos (de 2002 a 2010) lutou contra as Farc, é um dos fortes opositores ao acordo. " Ele é o oponente, quer aparecer como alguém que quer ser consultado, então, a questão do Nobel traz o elemento importante que é o apoio da comunidade internacional, mas não acredito que haja mudança no cenário interno. Ainda vai ter negociação e acredito que Uribe não aceite ficar de fora. Mais do que isso, ele é um oponente politico da direita e quer ter o papel dele nisso", diz Nasser. Ele também observa que as pessoas na Colômbia, ao contrário do resto do mundo hoje, vão ver o impacto que o acordo vai ter no seu dia a dia. "Há grupos muito fortes que têm meios de comunicação, partidos, grupos que desde o início rejeitaram o processo porque estão vendo que as Farc se transformariam num importante partido político da sociedade", conclui.

Já Olga Gonzalez tem uma opinião contrária sobre o assunto e defende que o Nobel da Paz é um impulso. "Quem votou 'sim' deve continuar dando força para que o acordo se mantenha, mas penso que o prêmio pode ser uma forma de dizer que estamos em uma nova etapa, tentando mudar culturalmente essa questão. O prêmio "caiu mal" para um pequeno grupo elitista, militarista, pois demonstra um apoio internacional enorme. O Papa está pela paz na Colômbia, os Estados Unidos e o Prêmio Nobel também, há uma coalizão de forças muito grande", ela conclui, otimista.

O conflito colombiano engloba guerrilhas de extrema-esquerda, milícias paramilitares de extrema-direita e forças armadas. Em cinco décadas, mais de 260 mil pessoas morreram, 45 mil desapareceram e 6,9 milhões foram deslocadas.

(Com a colaboração da redação espanhola da RFI)

 

 

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