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Destino preferido dos brasileiros na Europa, Portugal vive bolha imobiliária

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Destino preferido dos brasileiros na Europa, Portugal vive bolha imobiliária
 
Bonde em Lisboa, uma das cidades favoritas dos investidores estrangeiros © Vyacheslav Prokofyev\TASS via Getty Images

Segundo os cálculos do instituto alemão DIW, Portugal já está vivendo uma bolha imobiliária especulativa. Há alguns meses, o Banco de Portugal fez um alerta sobre essa possibilidade após a crescente alta dos preços dos imóveis. O Fundo Monetário Internacional também demonstrou preocupação.

Adriana Niemeyer, correspondente da RFI em Lisboa

Após a crise do mercado imobiliário de 2009 a 2013, o governo português resolveu reagir. Para isso, criou alguns programas de incentivo, como a introdução dos “Vistos Gold” (vistos de ouro) que consiste em conceder um visto de residência de dez anos aos cidadãos não europeus, ao adquirir um imóvel no valor de € 500 mil.

Depois da medida, muitos imóveis que custavam entre € 350 mil e € 400 mil passaram logo a valer € 500 mil para atender aos estrangeiros. Depois veio um outro incentivo para os aposentados europeus, que deveriam viver mais de seis meses no país e teriam isenção de impostos sobre os seus rendimentos. O que reascendeu o mercado com a procura de casas e apartamentos para esses novos moradores, principalmente franceses.

No ano passado houve um aumento substancial de brasileiros que agora aparecem no topo dos investidores imobiliários em Portugal. Antes disso, os “Vistos Gold” atraíram principalmente asiáticos e árabes. Norte-americanos também começaram a chegar provavelmente influenciados pelos ilustres moradores de Lisboa, como Madonna e Monica Belucci.

Por último, o boom do turismo, que atingiu principalmente os imóveis menores nas principais zonas centrais ou históricas, fez com que apartamentos fossem adquiridos para aluguel temporário através de plataformas como Booking e Airbnb, alimentando o chamado “turismo de habitação”.

Aumento desenfreado dos preços

Começou então um aumento desenfreado dos preços. Alguns imóveis na cidade do Porto subiram até 40% em menos de um ano. Muitos apartamentos vendidos em Lisboa dobraram de valor de uma semana para outra, em um cenário de pura especulação. Uma tendência que acompanha os países do norte da Europa e a América do Norte podendo provocar grandes desequilíbrios nesses mercados.

Além disso, a maior concessão de créditos imobiliários a juros baixos, pelos bancos, fomentou muito o mercado. A preocupação que o pagamento desses créditos não seja cumprido existe, tanto é que o Banco de Portugal pediu uma avaliação mais exigente por parte do setor.

Periferia também está mais cara

Por outro lado, a chegada de novos moradores e investidores está reabilitando algumas áreas das cidades. Muitos prédios nas zonas históricas estavam caindo aos pedaços. O número de moradores dos centros das grandes cidades estava cada vez mais escasso. Agora, a situação se reverteu.

Mas apartamentos renovados fizeram subir o preço dos alugueis. Muitos moradores passaram a procurar imóveis na periferia, o que também provocou o aumento dos preços. Com portugueses saindo da região central, as cidades estão cada vez mais cosmopolitas. Em alguns lugares do Algarve ou em Cascais, a cidade preferida dos brasileiros com Visto Gold, a proporção pode chegar a 50% de estrangeiros se o ritmo atual se mantiver.


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