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Mundo

Rússia sai vitoriosa da mudança de geopolítica no Oriente Médio

media Material militar turco na fronteira com a Síria. Reuters / STOYAN NENOV

A ofensiva militar da Turquia no norte da Síria contra a milícia curda Grupo Unidade de Proteção (YPG) instaura uma mudança geopolítica importante na região. A nova configuração é analisada nesta terça-feira (15) pela imprensa francesa.

O jornal Le Parisien resume os fatos. A Turquia será a principal favorecida desta operação militar, depois de advertir por muito tempo que iria acertar as contas com os curdos, considerados "terroristas" por Ancara, por defenderem um território relativamente autônomo nas portas da Turquia.

Para viabilizar seu projeto de limpeza étnica e afastar os curdos de sua fronteira, o presidente turco, Recep Erdogan, conquistou o apoio do líder russo, Vladimir Putin, comprando mísseis S 400 de Moscou. Erdogan também obteve o sinal verde do presidente americano, Donald Trump, que retirou as tropas que mantinha na região, abrindo caminho ao início da ofensiva turca, explica Le Parisien. O presidente francês, Emmanuel Macron, foi "humilhado" por Trump, que sequer avisou a França sobre a retirada dos americanos do norte da Síria, acrescenta a publicação.  

Erdogan promete à opinião pública da Turquia criar uma área segura na área onde estão os curdos, a fim de instalar ali parte dos 3,5 milhões de refugiados sírios que migraram para a Turquia com a guerra no país vizinho. Com essa manobra, Erdogan desvia a atenção dos turcos dos problemas econômicos internos e ainda redoura sua imagem de líder forte, com autoridade internacional.

A Rússia, aliada do regime sírio de Bashal Al-Assad, triunfa com a saída das tropas americanas e consacra a influência de Moscou nesta região rica em petróleo. Putin tem as rédeas de Damasco e Ancara, sendo que a Turquia é um país membro da Otan, a aliança atlântica militar ocidental.

Os curdos, além de traídos pelos americanos, são os grandes perdedores nessa redistribuição de cartas. Mas pode-se dizer o mesmo dos europeus, que apostaram suas fichas nos aliados curdos para proteger a União Europeia dos extremistas do Estado Islâmico.

O jornal de esquerda Libération lamenta o triste destino dos curdos, quarto maior grupo étnico do Oriente Médio, que nunca conseguiu um país próprio.

"Impulsionados pelas batalhas e lealdades políticas, os curdos conseguiram construir sua própria região autônoma no nordeste da Síria, durante o conflito com o regime de Damasco, mas nunca cortaram completamente o contato com o regime de Assad. Hoje, o governo curdo está visivelmente desmoronando, talvez assinando o fim desse sonho, ao concluir uma aliança com o exército de Assad para defendê-los dos bombardeios turcos.

A "Rojava", faixa do território curdo onde ficam as cidades de Afrin, Kobané e Djézireh, está sendo esvaziada de seus habitantes. Mais de 160.000 pessoas fugiram dos bombardeios turcos.

União Europeia impotente

Na França, os editorialistas criticam a impotência da Europa no conflito sírio. Desde o início, os europeus falharam ao não apoiar os rebeldes em sua luta contra o ditador de Damasco. Diante desse vazio, a Rússia, com segundas intenções, se ofereceu para proteger Assad. Agora, abandonando os curdos, a Europa abre mão da defesa de seu modelo, de seus valores e é superada em influência por dirigentes autoritários. Pior ainda: fica a mercê de Erdogan, que usará os jihadistas do Estado Islâmico, recuperados nas prisões curdas, e os refugiados sírios como moeda de troca nas negociações com a União Europeia.  

Ao Libération, curdos que fogem das tropas de Ancara dizem: "Temos mais medo do Exército turco do que dos jihadistas do Estado Islâmico". Para envernizar sua imagem de líder forte, Erdogan promete um tratamento cruel aos curdos.

 
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