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Mundo

Manifestantes de Hong Kong organizam corrente humana em protesto “não violento”

media Manifestantes iluminam seus smartphones enquanto formam uma cadeia humana durante uma manifestação para pedir reformas políticas no distrito central de Hong Kong, China, 23 de agosto de 2019. REUTERS/Kai Pfaffenbach

Milhares de manifestantes formaram uma corrente humana nesta sexta-feira (23) em Hong Kong. Eles se deram as mãos em um protesto em oposição ao governo pró-Pequim.

A corrente humana é mais um dos diversos atos de protesto dos manifestantes de Hong Kong, cuja mobilização ocorre há quase três meses. “Tentamos as marchas tradicionais, ações mais militantes, mas dessa vez seguramos nossas mãos para mostrar que estamos todos unidos”, declarou Wing, participante do ato.

De acordo com Cat Law, de 60 anos, a ideia é mostrar ao mundo a “quantidade” dos habitantes de Hong Kong que apoiam os protestos. Os manifestantes gritavam “Liberem Hong Kong!”.

A ideia de fazer a corrente humana, batizada de “Hong Kong Way” (“Caminho de Hong Kong”, em tradução livre), partiu das redes sociais, que têm sido usadas com frequência pelos manifestantes do território autônomo para convocar atos não-violentos.

Inspiração

A corrente humana como forma de protesto não é novidade. Há 30 anos, milhares de habitantes da Letônia, Lituânia e Estônia se reuniram para formar uma corrente humana de mais de 675 quilômetros em protesto contra a ocupação soviética.

Desde então, essa manifestação de 1989, chamada de “Caminho báltico”, passou a inspirar vários movimentos sociais pelo mundo. Foi o caso em Taiwan, em 2004, com um milhão de pessoas, ou em Barcelona, em 2013 – 1 milhão e 600 mil espanhóis participaram. 

O que chama a atenção na corrente humana é seu caráter não-violento. Em 1989, os letões, lituanos e estonianos se reuniram no 50° aniversário do pacto germânico-soviético Ribbentrop-Molotov e demonstraram seu descontentamento com o tratado, que originou a ocupação dos países bálticos. Televisões do mundo todo transmitiram o ato e, dois anos depois, o regime comunista entrou em crise, trazendo liberdade à região.

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