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Mundo

Manifestantes voltam a ocupar aeroporto de Hong Kong e voos são novamente cancelados

media Os manifestantes pró-democracia bloquearam os corredores de acesso aos terminais de embarque do aeroporto internacional de Hong Kong nesta terça-feira, 13 de agosto de 2019. REUTERS/Issei Kato

Ignorando as ameaças da China, os manifestantes pró-democracia voltaram a ocupar os terminais de embarque do aeroporto de Hong Kong nesta terça-feira (13). A ocupação levou as autoridades a cancelar novamente o embarque de todos os voos, poucas horas depois da retomada do trafego aéreo no território chinês. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu hoje uma investigação imparcial sobre a violência policial contra os manifestantes.

Vestidos de preto e carregando cartazes em que pedem para a população defender a liberdade na ilha, os militantes bloqueiam os corredores de acesso a duas zonas de embarque. O ato acontece no dia seguinte do cancelamento de centenas de voos pelo aeroporto devido aos protestos.

"As operações do aeroporto internacional de Hong Kong foram seriamente perturbadas. Todos os voos de saída foram cancelados", afirma o comunicado da direção publicado na internet.

Mais cedo a dirigente pró-Pequim, Carrie Lam, declarou que a violência levará Hong Kong a um caminho sem volta. O governo chinês subiu o tom ontem e disse observar sinais de terrorismo no movimento iniciado há dois meses e que ganha a cada dia mais adesão da população.

"Investigação imparcial"

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, está preocupada com a repressão das manifestações na ex-colônia britânica. Ela condenou nesta terça-feira " qualquer forma de violência (...) e exigiu que as autoridades de Hong Kong iniciem uma investigação rápida, independente e imparcial" sobre a ação da polícia contra os ativistas. A informação foi dada pelo porta-voz da Alta Comissária, Rupert Colville, durante entrevista coletiva em Genebra.

A mobilização, sem precedentes, abala a ex-colônia britânica. Ela começou em oposição a um projeto de lei que previa extradições de Hong Kong para a China. Mas agora os militantes têm várias outras reivindicações, entre elas, a renúncia da chefe de governo, a ingerência de Pequim e o direito de escolher seu representante, já que é a China que indica o chefe de governo de Hong Kong.

O cancelamento de voos e os pronunciamentos da China evidenciam uma nova escalada na crise que começou em junho e é a mais grave em Hong Kong desde sua devolução a Pequim em 1997. Até agora foram 10 fins de semana consecutivos de protestos, muitos deles terminaram em confrontos violentos entre radicais e as forças de segurança.

De acordo com o princípio "Um país, dois sistemas", que regulamentou a retrocessão, Hong Kong goza de liberdades inexistentes na China, em tese até 2047. Mas um setor da população acredita que Pequim mina cada vez mais estes direitos.

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