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Mundo

Morre presidente da Tunísia, único país da Primavera Árabe a continuar democrático

media O presidente tunisiano Beji Caid Essebsi em 6 de abril de 2019. FETHI BELAID / AFP

O presidente tunisiano Béji Caïd Essebsi, de 92 anos, faleceu nesta quinta-feira (25), informou a presidência da República em sua página no Facebook, poucas horas após sua hospitalização. Primeiro presidente democraticamente eleito em 2014, três anos após a queda de Zine el Abidine ben Ali, Essebsi faleceu faltando poucos meses para o fim do seu mandato presidencial.

A televisão nacional interrompeu a sua programação para transmitir versos do Corão, antes de anunciar que o presidente morreu nesta quinta-feira às 10h25 (6h25 de Brasília).

Sua morte acontece no dia em que a Tunísia celebra a proclamação da República em 1957, uma data geralmente marcada por um discurso do chefe de Estado.

Veterano político e o mais velho chefe de Estado em exercício no mundo atrás da rainha Elizabeth II da Inglaterra, trabalhou com Habib Burguiba, primeiro presidente da Tunísia, e Zine El Abidine Ben Ali, antes de chegar à presidência em 2014 com a paradoxal missão de consolidar a jovem democracia.

Ele foi hospitalizado na quarta-feira para tratamento intensivo no hospital militar de Túnis, segundo seu filho Hafedh Caid Essebsi, também líder do partido no poder Nidaa Tunes.

A Tunísia é o único país que viveu a Primavera Árabe em 2011 a continuar no caminho da democratização.

Fragilidade das instituições

O presidente foi hospitalizado pela primeira vez no final de junho, no dia em que dois atentados suicidas mataram um policial em Túnis.

Sua hospitalização provocou uma onda de preocupação com a fragilidade das instituições tunisianas. Mas depois de intensas negociações na Assembléia de Representantes do Povo, muitos debates e atualizações sobre a transição política acalmaram as mentes das pessoas.

"Desta vez, a preocupação é menor", disse o analista Michael Ayari, destacando a importância de respeitar o cronograma previsto pela Constituição.

Toda a classe política deve assumir sua "responsabilidade" durante esse período delicado, reagiu a representantes da sociedade civil.

"O Estado continua a funcionar e, de acordo com a Constituição, é o presidente do Parlamento que assegura a presidência da República ad interim”, disse Ennaceur na televisão nacional, poucas horas após a morte.

A Constituição prevê que o chefe do Parlamento pode atuar como presidente interino por 45 a 90 dias.

Além deste período, um novo chefe de Estado deve chegar ao poder, o que implicaria a organização de uma eleição presidencial antecipada até o final de outubro. A programação atual prevê eleições legislativas em 6 de outubro, seguidas por uma eleição presidencial em 17 de novembro.

Oito anos após a revolução, a Tunísia permanece frágil economicamente e em segurança. Apesar de uma recuperação frágil no crescimento após anos de lentidão, o país está lutando para atender às expectativas sociais e reduzir o desemprego, que gira em torno de 15%.

O país foi atingido por sangrentos ataques jihadistas nos últimos anos, incluindo o mais violento, alegado pelo grupo Estado Islâmico (EI), em 2015.

A situação melhorou muito desde então, mas os ataques pontuais permanecem. A Tunísia continua ameaçada pelo caos da Líbia em suas fronteiras, enquanto centenas de migrantes  líbios chegaram nos últimos meses.

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