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Mundo

População de Hong Kong volta às ruas para exigir cancelamento de projeto de lei

media População tomou o centro de Hong Kong neste domingo (16). REUTERS/Tyrone Siu

Milhares de pessoas participam neste domingo (16) de uma marcha no centro de Hong Kong, onde a revolta contra o Executivo do território não dá trégua. Os organizadores do protesto querem mostrar ao governo pró-Pequim que a população não vai ceder enquanto o polêmico projeto de lei, que pode autorizar extradições para a China, não for definitivamente cancelado.

"Cancelem essa lei maléfica!", gritavam milhares de manifestantes vestidos de preto em uma marcha que tomou o centro de Hong Kong. 

No sábado (15), a chefe do Executivo, Carrie Lam, anunciou a suspensão temporária da análise do projeto de lei pelo Conselho Legislativo de Hong Kong, o que foi considerado insuficiente pela oposição. Segundo os manifestantes, o texto pode deixar a população à mercê da justiça chinesa, opaca e sob influência do Partido Comunista.

"A reação de Carrie Lam não foi sincera. É por isso que eu vim ao protesto hoje", afirma Terence Shek, de 39 anos, participante a Marcha. "A suspensão do projeto de lei significa que ele pode ser reativado a qualquer momento", declarou o militante Lee Cheuk-yan.

As autoridades temem que a mobilização termine em mais violências, após os confrontos dos manifestantes com a polícia na última quarta-feira (12). Cerca de 80 pessoas, entre elas, 22 policiais, ficaram feridos no protesto.

Neste domingo, manifestantes também aproveitaram a mobilização para denunciar a violência das forças de segurança. "Polícia de Hong Kong, você deve nos proteger, não nos atacar", diziam cartazes carregados pelos participantes de marcha.

O que prevê o controverso projeto de lei

O polêmico projeto de lei pretende autorizar as extradições de Hong Kong aos territórios chineses com os quais não existe um acordo bilateral, incluindo a China continental. Segundo as autoridades, o texto preenche uma lacuna jurídica e impedirá que o local se torne um refúgio para criminosos. O governo garante que é possível evitar que a lei sirva para que a China persiga opositores políticos.

Mas a oposição teme que a população de Hong Kong, de 7,3 milhões de pessoas, assim como as pessoas que transitam pelo aeroporto, se tornem refém da justiça chinesa. Diversos setores diversos da sociedade protestam contra a medida, incluindo advogados, influentes entidades jurídicas, organizações empresariais, câmaras de comércio, jornalistas, ativistas e diplomatas ocidentais.

Um país, dois sistemas

A China recuperou o controle do território em 1997 - que até então era uma colônia britânica - após um acordo com Londres. Hong Kong tem certa autonomia e goza de liberdades que não existem na China continental, em teoria até 2047. O regime chamado "um país, dois sistemas" garante, em princípio, a liberdade de expressão e a independência da justiça.

O estado de direito e o sistema judicial herdados do Reino Unido são um fator essencial do êxito econômico deste centro financeiro mundial. Mas os opositores acusam a China de não cumprir o acordo e querer limitar as liberdades de Hong Kong antes do prazo estabelecido. Por isso, o território é há dez anos palco de convulsões políticas entre as autoridades pró-Pequim e militantes contra o controle chinês.

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