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Dois meses após legislativas de abril, Parlamento de Israel convoca novas eleições

Dois meses após legislativas de abril, Parlamento de Israel convoca novas eleições
 
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não conseguiu formar uma coalizão e o parlamento convocou novas eleições para 17 de setembro. REUTERS/Ronen Zvulun

Israel voltará às urnas em 17 de setembro. A decisão foi aprovada nesta quinta-feira (30) à meia noite, por 74 votos contra 45, após três votações-relâmpago no Knesset, o Parlamento israelense. A decisão inédita foi tomada menos dois meses depois das últimas eleições, em 9 de abril.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

No poder há 10 anos consecutivos, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu cantou vitória depois que seu partido, o Likud, recebeu 35 das 120 cadeiras do Knesset no pleito. Mesmo empatando com o partido novato centrista “Azul e Branco”, ele era o parlamentar que tinha mais chance de formar um governo, já que o bloco de partidos de direita recebeu mais votos do que o bloco de esquerda.

Mas, se Netanyahu pensou que seria fácil costurar uma nova coalizão de governo com partidos de direita, ele errou. Todos os prazos expiraram e ele não conseguiu.

Na quarta-feira (29), em um dos dias mais intensos da política nacional desde a criação do país, Netanyahu tentou todos os truques políticos possíveis para resolver o imbroglio político. Mas ele parece ter perdido um pouco de seu toque de midas político e fracassou.

Ele se deparou com um rival político à altura, outro veterano da política nacional, o ex-ministro da Defesa e ex-chanceler Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Nossa Casa. Lieberman obteve apenas cinco cadeiras nas urnas, mas virou o fiel da balança para a formação de um novo governo. Sem ele, Netanyahu não tinha as 61 cadeiras necessárias para criar e manter uma coalizão sustentável.

Lei do Alistamento

Lieberman aproveitou a força repentina para exigir a aprovação de uma lei que seu eleitorado e todos os israelenses não religiosos gostariam de ver aprovada um país onde onde o debate sobre a influência da religião na política é cada vez mais latente.

Trata-se da Lei do Alistamento, que prevê alistamento militar de grande parte dos jovens ultraortodoxos. O serviço militar é obrigatório em Israel, mas os ultraortodoxos – extremamente religiosos – discordam e acreditam que estudar os livros sagrados é mais importante do que fazer parte das Forças de Defesa de Israel (FDI).

Netanyahu contava com esse novo governo para outra questão: a aprovação de uma imunidade política contra um iminente indiciamento dele em três casos de corrupção. Agora, terá que enfrentar outra campanha eleitoral para se manter no poder.


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