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Mundo

Irã multiplica taxa de enriquecimento de urânio após suspensão de acordo nuclear

media As centrífugas em Natanz, a 270 quilômetros de Teerã, em fevereiro de 2012. REUTERS/IRIB Iranian TV via Reuters TV

O Irã multiplicou por quatro a taxa de enriquecimento de urânio pouco enriquecido existente no país. A declaração feita nesta segunda-feira (20) pelo responsável da central nuclear de Natanz.

O anúncio acontece uma semana depois da decisão de Teerã de suspender os compromissos assumidos no acordo nuclear, em 2015. O Acordo de Viena autorizava o Irã a manter no máximo 300 quilos de urânio de até 3,67% de teor radioativo e enviar o excedente para o exterior, onde poderia ser vendido ou estocado.

Após a retirada unilateral dos Estados Unidos do compromisso e o restabelecimento de algumas sanções econômicas contra o país, o governo iraniano julgou que não seria mais obrigado a respeitar esse ponto do documento.

O responsável da central de Natanz, citado pela agência de imprensa Tasnim, não especificou qual seria a nova taxa de enriquecimento. Mas, pela lógica, ela continuaria a ser inferior a 20%, como antes da assinatura do acordo, ratificado pela China, Rússia, Alemanha, França, Reino Unido e pelos Estados Unidos. Para fabricar a bomba atômica é necessário ter urânio enriquecido a 90%.

“Se Irã quer briga, será o fim oficial do Irã”, diz Trump

O ministro das Relações Exteriores iraniano Mohammad Javad Zarif respondeu, nesta segunda-feira (20), às ameaças do presidente americano, Donald Trump. Ele publicou uma mensagem no Twitter, neste domingo (19), dizendo que, “se o Irã quer lutar, será o fim oficial do Irã.”

Na mesma rede social, Zarif escreveu que “os iranianos continuaram de pé durante milênios e todos os seus agressores partiram. Tente o respeito, ele funciona”, respondeu o representante iraniano, alfinetando o presidente americano.

As relações entre o Irã e os Estados Unidos pioraram nos últimos dez dias depois do anúncio de um reforço da presença militar americana no Oriente Médio para enfrentar “novas ameaças iranianas”. Diante da iniciativa, o Irã vem reiterando que “não quer guerra”, sem deixar de responder que os americanos seriam derrotados se houvesse um conflito.

Os dois países têm uma história complexa, mas o diálogo foi retomado durante a gestão de Barack Obama, que deixou o poder em janeiro de  2017. Com a chegada de Trump ao poder e a retirada dos Estados Unidos do acordo de Viena, a tensão voltou a crescer.

No documento, o Irã aceitou diminuir seu programa nuclear em troca do fim de parte das sanções internacionais contra o país, mas Trump voltou a impor medidas unilaterais. A política, qualificada de terrorismo econômico, impede o Irã de beneficiar das vantagens do acordo.

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