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Mundo

Mianmar: libertados jornalistas que investigavam massacre contra minoria rohingya

media Os dois jornalistas da Reuters deixam prisão em Mianmar após mais de 500 dias detidos. REUTERS/Ann Wang

Eles passaram mais de 500 dias na prisão. Dois jornalistas birmaneses da agência Reuters foram libertados nesta terça-feira (7), após uma campanha mundial. Eles se beneficiaram de uma anistia presidencial dada a mais de 6.000 detidos em Miamar. Eles foram presos em dezembro de 2017 quando investigavam o massacre cometido contra a minoria muçulmana dos rohingya.

Com informações de Sara Bakaloglou, correspondente da RFI em Rangum, e da AFP

As imagens eram esperadas há muito tempo pelas famílias dos dois jornalistas da agência Reuters – as de Wa Lone e Kyaw Soe Oo, com sorriso nos lábios e fazendo sinal de positivo, saindo da prisão de Insein, a noroeste da capital, onde estavam detidos.    

"Sou jornalista e vou continuar com meu trabalho", declarou Wa Lone, 33 anos. "Obrigado a todos os que me ajudaram e apoiaram, aqui e no exterior, durante estes dias em que ficamos na prisão", completou.

A ONU celebrou a libertação, que aconteceu no âmbito de um indultou, e a considerou um "passo para uma liberdade de imprensa maior e uma demonstração do compromisso do governo em favor da transição democrática em Mianmar".

A organização Anistia Internacional considerou a libertação uma "importante vitória para a liberdade de imprensa". A Human Rights Watch destacou que a "crise não acabou".

Lei da época colonial

A dupla chegou a ser condenada a sete anos de prisão por infração à lei sobre segredos de Estado, que data da época colonial. A pena foi confirmada duas vezes em recurso, após um processo qualificado de “farsa” por muitos observadores.

A investigação dos profissionais da Reuters venceu o prêmio Pulitzer, um dos principais do jornalismo. Eles também foram reconhecidos pela Unesco e designados, ao lado de vários companheiros de profissão, personalidades do ano de 2018 pela revista Time.

Uma honra para Amal Clooney

O caso virou um exemplo da guerra contra a liberdade de imprensa e motivou uma campanha internacional que atraiu a atenção da advogada especializada em direitos humanos Amal Clooney, que nesta terça-feira (7) declarou ter sido uma "honra representar" seus clientes.

Os dois eram acusados de acessar documentos secretos relativos às operações das forças birmanesas de segurança no estado de Rakhine, no noroeste de Mianmar, palco de abusos contra a minoria muçulmana rohingya.

No momento de sua prisão, em dezembro de 2017, os jornalistas investigavam um massacre de rohingyas em Inn Din, uma localidade do norte do estado de Rakhine.

Desde então, o exército reconheceu que ocorreram excessos e sete militares foram condenados a 10 anos de prisão

Um dos policiais que depôs sobre o caso disse que a entrega dos documentos secretos foi uma "armadilha" para impedir que os jornalistas prosseguissem com seu trabalho.

Silêncio de Aung San Suu Kyi

Vários ativistas dos direitos humanos pediram à vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, líder de fato do governo birmanês, que utilizasse sua influência para que os jornalistas recebessem um indulto presidencial.

Mas ela se negou a intervir, alegando a independência da justiça. Suu Kyi, muito criticada por seu silêncio sobre o drama dos rohingyas, chegou a justificar a prisão dos dois, "não porque são jornalistas, e sim porque infringiram a lei".

 

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