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Após 48 horas de violência, entra em vigor cessar-fogo na Faixa de Gaza

Após 48 horas de violência, entra em vigor cessar-fogo na Faixa de Gaza
 
Jovem palestino busca seus pertences sob os escombros de um edifício que foi destruído pelos ataques aéreos israelenses, na cidade de Gaza, em 6 de maio de 2019. REUTERS/Mohammed Salem

Depois de 48 horas de ataques entre israelenses e palestinos na região da Faixa de Gaza, um cessar-fogo entrou em vigor, na madrugada desta segunda-feira (6). A trégua foi negociada pelo Egito.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Duas horas antes do anúncio de cessar-fogo, ainda havia ataques e contra-ataques aéreos tanto no sul de Israel e na Faixa de Gaza. Se for mantida, a trégua encerrará mais uma onda de violência Israel e o Hamas, o grupo islâmico que controla Gaza desde 2007, considerado terrorista por Israel, Europa e Estados Unidos.

Em Israel, o saldo das 48 horas de hostilidades, foi de 4 civis mortos e mais de 150 feridos, após cerca de 700 lançamentos de mísseis, foguetes e morteiros contra cidades e vilarejos israelenses.

Dezenas de prédios foram danificados, incluindo escolas e hospitais. Mais de dois milhões de pessoas ficaram dois dias perto ou dentro de abrigos antiaéreos e a vida praticamente parou na região.

Do lado palestino, foram 24 mortos, entre civis e combatentes do Hamas e do grupo Jihad Islâmica, após centenas de ataques aéreos contra alvos como fábricas e depósitos de armamento e campos de treinamento. Também foram destruídos prédios com escritórios do Hamas.

Descumprimento da trégua

O motivo que levou o Hamas e a Jihad Islâmica a começarem essa rodada de ataques é a reclamação deles de que Israel não cumpriu com sua parte depois do último cessar-fogo, há cerca de um mês. Essa trégua foi firmada pouco antes das eleições legislativas de 9 de abril em Israel.

O governo israelense prometeu que deixaria entrar na Faixa de Gaza uma verba milionária do Qatar com destino ao governo do Hamas, que passa por uma séria crise financeira.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, do partido Fatah, que governa a Cisjordânia, parou de transferir dinheiro ao Hamas há alguns meses em meio a mais uma tentativa de união nacional entre as facções palestinas.

Por isso, o Hamas precisa imediatamente de dinheiro externo para pagamento de servidores e ajuda humanitária à empobrecida população de 2 milhões de palestinos de Gaza.

Segundo o Hamas, Israel não cumpriu com a palavra e não deixou que o dinheiro do Qatar entrasse em Gaza, sob alegação de que ele seria usado para financiar armas e construção de túneis subterrâneos para ataques terrorista em Israel. Isso fez com que o Hamas decidisse começar a atacar novamente Israel na noite da sexta-feira (3).

Saída para conflito em Gaza

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou uma reunião de emergência de seu gabinete de segurança no domingo (5) para avaliar os próximos passos. Ele está sob uma intensa pressão pública para acabar com os ataques de Gaza, que acontecem há 18 anos, desde 2001.

Por um lado, ele é pressionado a deslanchar um ataque terrestre contra Gaza para tentar acabar com o regime do Hamas, uma organização que não admite a existência de Israel. Por outro, ele não quer começar uma guerra total com os palestinos poucos dias antes de feriados importantes no país: o Dia da Lembrança, na quarta-feira (8) e o Dia da Independência, na quinta-feira (9).

No Dia da Lembrança, Israel lembra os 27 mil soldados e civis mortos em guerras e atentados terroristas desde 1948, quando o país foi criado. Já no Dia da Independência, os israelenses saem em massa às ruas para comemorar.

Outro motivo, a realização do festival de música Eurovisão, daqui a duas semanas, que vai reunir representantes de 41 países da Europa e arredores em Tel Aviv – que fica a 150 quilômetros da fronteira com Gaza. O evento também pode ser alvo dos mísseis de longo alcance do Hamas. Israel não quer que as delegações dos países convidados e os turistas que vão chegar ao país fiquem com medo e peçam o cancelamento do evento.

Importância do Eurovisão para Israel

O Eurovisão é um tradicional festival de música na Europa que existe há mais de seis décadas. Israel participa desde 1973 e já venceu quatro vezes, a última em 1997.

Israel será o país-sede este ano e isso é importantíssimo para o país, em termos diplomáticos porque Israel quer acabar com a ideia de que é um país isolado no mundo. Também é relevante em termos financeiros, já que virão mais de 10 mil turistas para Tel Aviv.

O Hamas sabe disso e usa e ameaça atrapalhar o evento, deixando os israelenses aflitos. Por isso, diz-se que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quer ganhar tempo adiando um novo embate com os palestinos até depois do Eurovisão.


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