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Mundo

Com novo imperador, Japão quer iniciar era de harmonia

media O príncipe herdeiro Naruhito e seu pai, o imperador Akihito. Kazuhiro NOGI / AFP

O Japão terá um novo imperador a partir desta quarta-feira (1), Naruhito, de 59 anos. Ele sobe ao trono após a abdicação de seu pai, Akihito, 85 anos, nesta terça-feira (30).

Nos documentos oficiais japoneses, estamos no ano 31 da era Heisei, que corresponde aos anos de reinado do imperador Akihito. Com sua abdicação, o arquipélago mudará literalmente de época.

Tradicionalmente o nome da nova era é anunciado após a morte do imperador, algo imprevisível. Em 7 de janeiro de 1989, quando Hirohito morreu, o Japão estava no ano 64 da era Showa (1926-1989) e da noite para o dia passou para a era Heisei.

Desta vez é diferente. O 125º imperador do Japão, Akihito, expressou em 2016 seu desejo de se aposentar devido a sua idade e estado de saúde. Foi adotada então uma lei excepcional para permitir a mudança.

Ou seja, o Japão teve mais de um ano para se preparar para a mudança, que envolve também outras adaptações. O nome da nova era – Reiwa – foi anunciada há um mês.

Secretário do gabinete anuncia nome da nova era (01/04/19). Reuters

Quase 250 eras

A prática da era ("gengo" em japonês) vem da antiga China, mas só continua vigente no Japão, segundo historiadores. O país teve quase 250 eras, muitas mais do que o número de imperadores, porque antes se costumava mudar o nome após catástrofes naturais ou de acontecimentos relevantes.

A eleição do nome ainda é um processo rigoroso que não depende da Casa Imperial, e sim do governo. O nome deve ser inédito, refletir os ideais da nação, ser composto por dois ideogramas, ser fácil de escrever e de ler e evitar nomes de pessoas, empresas ou lugares. Heisei, por exemplo, significa "culminação da paz".

Não pode começar pelas letras M, T, S e H, já presentes em muitos formulários administrativos em referência às eras do Japão desde 1868: Meiji, Taisho, Showa e Heisei.

Muitas expectativas

O arquipélago sai, portanto, da era Heisei ("realização da paz") para a era Reiwa ("bela harmonia"). “As expectativas são grandes, após três grandes crises econômicas na era Heisei”, diz o jornalista brasileiro Ewerton Tobace, que mora há 18 anos no Japão. “A era Showa, de Hiroito, ficou marcada pela guerra e as consequências. Depois vieram os chacoalhões econômicos da era seguinte. Agora, espera-se que o reino de Naruhito possa dar um novo fôlego, para se recomeçar de maneira mais harmoniosa, num país mais unido”, explica.

O jornalista lembra ainda que no ano que vem acontece a Olimpíada de Tóquio, que é mais um símbolo que reforça a ideia de “mostrar um Japão mais jovem e mais globalizado”. Akihito também aproximou a família real do povo, diz Tobace. “Ele viajou muito, estudou fora e casou-se com uma plebeia, algo até então inédito, e que foi repetido pelo filho Naruhito, que se casou com Masako Owada, poliglota que se preparava para a vida diplomática”, relata.

“O próprio ato de abdicar trouxe um ar de modernidade e maturidade. Ao invés de ficar no trono até a morte, Akihito quis mostrar que o Japão acompanha as mudanças globais, consciente de que o filho tem mais condições de ser imperador que ele”, acrescentou Tobace.

Visitantes tiram fotos do Palácio Imperial em Tóquio, Japão, 29 de abril de 2019. REUTERS/Kim Kyung-hoon

A japonesa Kyoko, de 33 anos, mora há quatro anos em São Paulo e fala sobre a importância da família real: “Não penso na existência do imperador o tempo todo, mas como símbolo do povo japonês, não consigo ver o Japão sem família real. Por exemplo, minha identidade está conectada com a era que eu nasci, a era Showa. Nossa história sempre esteve ligada às eras, algo que só existe no Japão. Se não tivermos o imperador, vamos perder este tipo de identidade”.

Política de bastidores

“Há um jogo político que parece estar em operação por trás da decisão de Akihito. Ele sente o peso da idade, mas também percebe que o governo quer reforçar o papel do chefe de Estado, com um exército capaz de fazer guerra”, disse à RFI o historiador francês Michael Lucken, especialista em Japão. “Por enquanto ele está bem, mas dentro de poucos anos poderia estar cansado demais para se opor a esse tipo de governo”, acrescenta.

Cerimônias tradicionais vão marcar a nova era no Japão

A cerimônia de abdicação de Akihito acontece nesta terça-feira (30), às 17h locais (5h de Brasília) no salão mais luxuoso do Palácio Imperial, a "Câmara do Pinheiro" ("Matsu-no-Ma").

Esse espaço de 370m² tem o assoalho feito com madeira de árvores japonesas zelkova e as paredes adornadas com motivos de agulhas de pinheiro.

Os chamados “tesouros sagrados”, que seriam milenares e transmitidos à linhagem imperial pela deusa do sol Amaterasu, serão transportados cuidadosamente para o salão, protegidos dos olhares curiosos.

Os tesouros são "Yata no Kagami", um espelho, "Kusanagi no Tsurugi", um sabre, e "Yasakani no Magatama", uma joia não identificada. O primeiro não fará parte do ritual, pois nunca deixa o local em que é armazenado no palácio.

A posse dos três tesouros é considerada a prova essencial da legitimidade do imperador, embora não existam sequer fotos dos objetos. Além disso, o imperador não pode observá-los.

Mais de 300 pessoas participarão da cerimônia: integrantes da família imperial, do governo, do Parlamento e da magistratura, além de autoridades locais.

O primeiro-ministro Shinzo Abe fará um discurso antes que Akihito fale pela última vez como imperador, apesar de conservar o título oficialmente até meia-noite, quando acontecerá a mudança de era.

O Imperador japonês Akihito (2º esq.) com a Imperatriz Michiko (direita), o Príncipe Herdeiro Naruhito (esq) e a Princesa Coroa Masakó. REUTERS/Kim Kyung-Hoon/File Photo

Subida ao trono

A partir de zero hora do dia 1°, portanto, o filho primogênito Naruhito passa a suceder oficialmente o pai, e o Japão passa da era Heisei ("realização da paz") para a era Reiwa ("bela harmonia").

As cerimônias de 1º de maio acontecerão em duas partes. A primeira, às 10h30, acontecerá no mesmo salão. Neste momento, o sabre, a joia e os selos reais serão transmitidos ao novo imperador. Na ausência do espelho, um emissário ficará responsável por oferecer uma oração.

Naruhito não falará durante a curta sessão, que não terá a presença de mulheres. Pouco depois, ele participará de outro ritual, no qual fará o primeiro discurso como soberano.

A saudação ao povo acontece no dia 4 de maio, da varanda do palácio real, em Tóquio.

O Príncipe Herdeiro Naruhito do Japão e sua esposa, a Princesa Coroa Masakó REUTERS/Issei Kato/File Photo

Masako, a princesa triste

Masako Owada, filha de diplomata, passou boa parte da juventude nos Estados Unidos e Europa. Poliglota, ela estuda economia em Harvard, passando ainda pelas universidades de Tóquio e Oxford, e passa a integrar o ministério das Relações Estrangeiras em 1987.

Naruhito e Masako se conheceram em 1986. O príncipe herdeiro teria ficado impressionado com a diplomata e fez vários pedidos de casamento, recusados diante do temor de Masako com a vida controlada na corte. Mas ela cede e eles se casam com grande pompa em 1993.

Masako teria sofrido muitas críticas desde o anúncio de seu noivado por parte da mídia, da classe política e da Kunaicho, a poderosa agência que controla o palácio imperial, com mais de mil funcionários zelando pela etiqueta, cuidando de cada gesto e palavra dos integrantes da família real.

Bombardeada de críticas

Tudo era motivo de críticas contra Masako, conta o site Point de Vue, começando pelo fato de ser tido uma criação ocidental demais até o fato de a diplomata ser mais alta que Naruhito. Finalmente um anúncio oficial determinou que o príncipe era alguns centímetros mais alto que ela.

Diante da grande expectativa em torno de sua figura, Masako já declarou oficialmente que se sente “insegura” para se tornar imperatriz, mas que vai fazer o melhor possível pelo povo japonês.

Em 25 anos como princesa, ela fez poucas aparições públicas, alegando problemas relacionados a uma depressão nervosa e ataques de pânico. A pressão por um herdeiro pode ter sido um dos maiores desafios, principalmente diante da obrigatoriedade que fosse um sucessor do sexo masculino.

Em 2001, Masako deu a luz à princesa Aiko. Em 2004, Naruhito disse a jornalistas que sua mulher ficou “completamente exausta” ao tentar se adaptar à vida no palácio. Ele também acusou funcionários do palácio de terem se esforçado em “minimizar” o caráter e a carreira de Masako.

O governo japonês já começava a cogitar mudanças nas regras de sucessão, quando, em 2006, nasce o príncipe Hisahito, filho de Fumihito, irmão mais novo de Naruhito, resolvendo o futuro a médio prazo da coroa nipônica.

A opinião popular parece estar do lado da futura imperatriz. “Masako foi tratada de maneira impiedosa. É uma mulher brilhante, poliglota, diplomata de carreira. Confio muito em Masako como imperatriz”, diz uma professora entrevistada pela RFI. “Sua inteligência e força de caráter fez com que ela vencesse os obstáculos. Sua saúde também melhorou”, opina uma dona de casa.

A princesa Masako, o príncipe Naruhito e a filha Aiko. Reuters

 

 

 

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