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Na Alemanha, ator brasileiro luta para combater estereótipos de negros em cena

Na Alemanha, ator brasileiro luta para combater estereótipos de negros em cena
 
Radicado há onze anos na Alemanha, Alex estreia neste domingo, 24, o curta ‘Jean’ JKS photography

Nem escravo, nem latin lover. Para o ator negro Alex Mello, é preciso fugir dos estereótipos, nem que para isso seja preciso investir em produções próprias, nos palcos e nas telas, como vem fazendo. Radicado há onze anos na Alemanha, Alex estreia neste domingo (24) o curta ‘Jean’, baseado na vida do pintor nova-iorquino Jean-Michel Basquiat.

Por Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

O filme, que vai passar na mostra Cine Brasil, em Colônia, tem 15 minutos e foi inspirado no monólogo homônimo estrelado pelo ator ao longo de quatro anos em palcos da Alemanha, França e Brasil.
“A peça Jean falava de um artista que se sentia massacrado pelo mercado. E que era tratado, muitas vezes, como mero produto”, lembra o ator. Falava ainda “da solidão que a fama e o dinheiro podem trazer”, e do que significa ser um artista negro - tema recorrente no trabalho de Alex Mello, de 32 anos.
O ator acaba de filmar também O Retorno – longa que deve estrear no segundo semestre. O filme é uma adaptação do livro “Só as pedras preciosas vêm do Brasil”, de Adriana Nunes, e tem Solange Couto e JP Rufino no elenco. “Me identifico com o personagem porque é alguém que deixou a sua terra natal para buscar o seu lugar no mundo, sua identidade”, diz Alex.

Vendendo chinelos
De origem modesta, adotado aos quatro meses de idade e criado por uma família que tinha outros planos para ele, Alex subverteu a ordem do destino. “Eles idealizavam pra mim uma vida mais confortável, ou seja, um trabalho mais burocrático”, conta.
Ao revelar que queria ser ator, aos 14 anos, o pai lhe deu uma tarefa com jeito de castigo. Levou Alex para a frente da TV e pediu que contasse quantos atores negros ele veria ao longo do dia.
“Foram muito poucos, claro. Os que surgiam tinham sempre funções subalternas, sem função real na trama." Nem assim desistiu do sonho. Mas o pai foi direto: “Se você se decidir pelo teatro, não ganha de mim um tostão”.
Para driblar a falta de dinheiro, o jeito foi vender chinelos. “Vendia na praia, batia na casa das pessoas. Assim consegui pagar meus cursos, até concluir minha formação como ator no Brasil”. Olhando no retrovisor, Alex diz que a trajetória o deixou mais forte e com mais certeza do que queria.

Turnê com Maurice Béjart

Além de ator, Alex queria ser bailarino e chegou a ganhar uma bolsa para cursar a escola do Centro de Artes Nós da Dança. Mas nunca apostou na ideia. Se achava "velho" demais para isso, aos 16.

Não resistiu, porém, quando surgiu uma chance de dançar na companhia do renomado bailarino e coreógrafo Maurice Béjart durante uma turnê na Alemanha, em 2011. Numa disputa acirrada com 200 concorrentes, ele ficou com uma das nove vagas. “Foi o momento mais bonito da minha vida – e o meu melhor cachê”, diz.  

A relação com a Alemanha começou com um intercâmbio, aos 19 anos. Alex ganhou uma bolsa para estudar durante um ano no Centro de Artes Dramáticas de Bonn. Depois de uma curta temporada no Brasil, mudou-se de vez, em 2008. “Tenho um carinho enorme por esse país que me acolheu e tem me dado possibilidades de me desenvolver como artista”, diz ele.

"Cara de sorte"

Alex tem outros projetos em andamento. No segundo semestre, vai para o Brasil rodar um novo filme: Black Friday, um romance entre dois atores negros. “Após dirigir quatro curtas, vou me arriscar na direção, em parceria com Vitor Kruter. Também pesquisei e escrevi o roteiro, que fala de afroafetividade”.

A motivação para Black Friday veio da falta que o ator sente de ver no cinema histórias onde se sinta contemplado nas suas “inquietações”. “O filme fala de personagens negros, seus dilemas e agruras, buscando uma forma de seguir através do afeto. O Brasil é o país que mais mata LGBTs, onde a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado. É importante se falar de amor.”

Alex prepara ainda um novo espetáculo inspirado na vida da ativista norte-americana Marscha P. Johnson. “Marscha esteve à frente da revolta de Stonewall, que deu início a todas as paradas gays em busca de cidadania e do direito de existir. Um tema muito atual que quero discutir.”

Fugindo de clichês

Alex fica surpreso quando amigos – do Brasil e da Alemanha – dizem que ele "é um cara de sorte". “Não sou. Sou de luta. Uma luta para reverter o ‘não’ em ´sim’”, resume o ator, que se recusa a reproduzir estereótipos.

“Percebi que ser negro me colocava em papéis e situações idealizadas por um mercado, que tem uma forma cristalizada de olhar para nós. Um olhar de violência, de não humanidade, que nos afasta dos dilemas do humano”, diz ele.

E se no Brasil o ator estava sujeito “a personagens que levavam chicotadas, porque eram escravos, ou com uma arma na mão”, na Alemanha a tendência era de ser convidado para “viver um latin lover, com pouca cultura ou inteligência”.

Para fugir desses clichês e contar as histórias como deseja – além de ser protagonista delas – Alex chegou à conclusão de que é preciso “ir na frente, pavimentando a estrada”. É um caminho tortuoso. Mas não há outro.

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