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Artistas latinos vivem imersão nos Emirados Árabes para participar da Art Dubai

Artistas latinos vivem imersão nos Emirados Árabes para participar da Art Dubai
 
Uma das galerias da feira de arte moderna e contemporânea Art Dubai. Mariana Durão

A arquitetura ultramoderna de Dubai, a caligrafia, tapetes e tecidos árabes, o capitalismo selvagem patrocinado pelo petróleo e o luxo ostentado pela massa de estrangeiros que vêm ganhar dinheiro nos Emirados Árabes Unidos ganharam espaço em obras de cinco artistas brasileiros convidados a fazer uma imersão sócio-cultural no país do Golfo. O resultado dessa experiência está exposto na Art Dubai, feira internacional de arte moderna e contemporânea realizada de 20 a 23 de março.

Mariana Durão, correspondente da RFI em Dubai

Ao lado de outros sete artistas de países da América Latina – Cuba, Argentina, Colômbia e Uruguai – o grupo fez parte do programa de residentes da 13ª edição da feira, cuja direção artística é do espanhol Pablo del Val. A curadoria da residência foi uma bola dividida entre a emirati Munira Al Sayegh e Fernanda Brenner. A brasileira é fundadora do Pivô, um dos mais efervescentes espaços culturais paulistanos, instalado no emblemático edifício Copan, do arquiteto Oscar Niemeyer.

Com conhecimentos complementares das culturas do Oriente Médio e latino-americana, as duas curadoras fizeram a triagem e recepção de artistas e galerias na terra dos xeques. Coube a Munira alimentar os convidados de informações sobre o fechado país, permitindo que aprofundassem seu entendimento sobre a cultura e a cena de arte locais.

Do Brasil vieram Laura Lima (A Gentil Carioca), Rodolpho Parigi (Casa Triângulo), Luiz Roque (Mendes Wood DM), Flora Rebollo (Galeria Pilar) e Alexandre da Cunha (Galeria Luisa Strina). Os artistas passaram até dois meses baseados em estúdios temporários em Dubai e Abu Dhabi, acolhidos em espaços locais como Dubai Design District, Tashkeel, Bait15 e Warehouse421.

Fernanda Brenner diz que a ideia da residência passou também por desconstruir estereótipos relativos aos Emirados e à América Latina, cujos países têm realidades complexas e singulares, apesar da proximidade geográfica. “O foco não foi criar uma massa homogênea da América Latina ou advogar pela região, mas escolher projetos individuais e trabalhar com cada artista em relação às próprias expectativas”, disse à RFI.

A cocuradora da Art Dubai Residents diz que os artistas acabaram produzindo trabalhos bem diferentes do que fazem em seu habitat natural. “Alguns trouxeram projetos desenhados que mudaram completamente ou se enriqueceram pela troca no espaço. Outros mudaram um pouco sua metodologia, por estarem trabalhando em outra velocidade, outro ambiente. Acho que a proposta de residência foi bem sucedida”, avalia.

Influência local

No espaço dedicado aos residentes na Art Dubai, há trabalhos em que a influência da estadia fica evidente, como o do cubano José Manuel Mesías, que fez peças a partir de materiais encontrados nas ruas de Abu Dhabi e reproduziu símbolos locais como o Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo erguido em Dubai.

Os colombianos Lina Mazenett e David Quiroga do Instituto de Visión, de Bogotá, investiram na relação geopolítica entre as duas regiões a partir da história da exploração do ouro e do significado do metal nas culturas islâmica e amerindia. Ao posicionar um maço vazio de cigarros West sobre um montinho de areia trazida do deserto, remeteram à influência do ocidente sobre a cultura local.

Baseado em Dubai por oito semanas, o artista visual brasileiro Luiz Roque traduziu no curta-metragem Zero a atmosfera futurista da cidade, presente nos arranha-céus e em construções como o metrô, digno da ficção científica Blade Runner, de Ridley Scott. Inspirado no gênero, o filme de Roque acompanha a trajetória de um cachorro que sobrevoa o deserto em um avião não tripulado, de onde vê também as torres espelhadas que se multiplicam por Dubai.

“Achei interessante relacionar uma cidade nova em termos de arquitetura e urbanismo, como São Paulo, onde vivo, com (a também nova) Dubai. (…) Gosto muito do gênero da ficção científica e a ideia em torno disso era pensar um pouco em lugares que são muito novos, ou desenvolvidos muito rapidamente,” diz Roque, que usou drones na produção.

Opavivará 

Além do programa de residência, o Brasil também está presente na Art Dubai por meio do coletivo carioca Opavivará. Convidado a fazer um trabalho exclusivo para a feira, o grupo criou a instalação Solaroca. A cúpula decorada por dezenas de guarda-sóis coloridos remete a uma oca, a típica casa índigena brasileira. Dentro dela, a mobília são cadeiras de praia com três lugares, uma das criações do grupo, cuja proposta inclui transformar objetos individuais em objetos de uso coletivo, bem como a ocupação do espaço público.  

Instalada no jardim de Madinat Jumeirah, onde acontece a Art Dubai, a Solaroca se tornou a imagem da feira. A estrutura foi concebida para ser um espaço de convivência e troca para o público. As barracas coloridas procuram levar para a Art Dubai o espírito democrático das praias cariocas. O Opavivará pretendeu estabelecer um confronto com Dubai, cidade que percebeu como pautada pelo individualismo e um consumo excludente.

“Dubai é completamente cosmopolita, mas com uma sociedade muito mais fechada dentro de regras e parâmetros com os quais a gente não está acostumado. É uma cidade litorânea, mas com praias privadas. Trazer (…) essa descontração que a gente tem a possibilidade de viver no Brasil é importante”, diz uma representante do coletivo, que tem como regra não personalizar suas declarações.

 


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