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Mundo

Após derrota final na Síria, herança de “califado virtual” do grupo Estado Islâmico vai perdurar

media Bandeira das Forças Democráticas Sírias é vista sobre um prédio de Baghuz, na Síria, que foi definitivamente tomada do grupo Estado Islâmico neste sábado (23/03/2019). REUTERS/Stringer

As forças árabes e curdas apoiadas pelos Estados Unidos anunciaram neste sábado (23) o fim do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria. O último reduto dos terroristas no país, em Banghuz, foi definitivamente derrotado pela aliança, em uma vitória crucial contra os extremistas. No entanto, a influência do grupo jihadista pela internet ainda deve perdurar e pode estimular ataques contra o Ocidente, avaliam especialistas.  

As batalhas duraram seis meses e terminaram na província de Deir Ezzor. Desde janeiro, mais de 67 mil pessoas deixaram a localidade, entre elas 5 mil terroristas que se renderam.

“Banghuz foi libertada. A vitória militar contra o Estado islâmico foi conquistada”, tuitou Mustafa Bali, porta-voz das Forças Democráticas Sírias. “O suposto califado na Síria foi totalmente eliminado”, declarou.

A vitória ocorre um ano depois da derrota do califado autoproclamado no Iraque. Em 2014, o grupo Estado Islâmico conseguiu se instalar em um vasto território nos dois países, amplo em uma extensão equivalente ao Reino Unido. Na Síria e no Iraque, implantou um regime de terror, imposto a uma população de 7 milhões de pessoas e financiado com a comercialização ilegal do petróleo local. De lá, encomendou diversos atentados na Europa nos últimos quatro anos.

Recusa da derrota pelas redes sociais

Em um vídeo publicado nas redes sociais neste sábado, os jihadistas recusaram a derrota e convocaram seus apoiadores a lutar contra o ocidente. Ao longo dos últimos anos, o grupo se tornou hiperativo na internet para promover a propaganda do terror.

Com a morte ou a fuga dos principais líderes da organização, a destruição dos centros de informática do grupo e as tentativas de conexões interrompidas pelos serviços de inteligência do mundo inteiro, essa influência midiática decaiu. No entanto, o amplo catálogo de vídeos de execuções e atentados promovidos pelos extremistas deve continuar a servir de modelo para semear o terrorismo.

Imagens como a de um soldado sírio atropelado por um blindado recuperado pelo EI, um piloto jordaniano queimado vivo em uma jaula ou as decapitações de jornalistas estrangeiros “vão permanecer nas memórias, assim como a Al Qaeda persistiu mesmo depois da morte de Osama Bin Laden”, disse Charlie Winter, persquisador do Centro Internacional de Estudos da Radicalização, do King’s College de Londres, à AFP.

O grupo não foi o primeiro a utilizar a violência explícita como elemento de propaganda, a exemplo da própria Al Qaeda, que publicou a execução do jornalista Daniel Perl em 2002, no Paquistão, ou os cartéis de droga mexicanos, que exibem regularmente vídeos de decapitações. No entanto, a retórica hollywoodiana das imagens do EI, assim com as transmissões pelo Facebook, Twitter, YouTube  ou Telegram fizeram com que milhões de pessoas pudessem acessar facilmente a esse tipo de mensagem. A audiência se tornou infinitamente maior.

Influência no futuro

“O Estado Islâmico investiu muito mais tempo, dinheiro, energia e recursos humanos na produção dessa propaganda do que qualquer outro grupo antes”, ressalta Winter. “Foram os pioneiros na otimização e a industrialização da produção de propaganda. Eles globalizaram a ideologia terrorista como nunca e isso terá, forçosamente, impacto sobre os jihadistas do futuro.”

Os analistas indicam que os terroristas foram particularmente eficientes no doutrinamento de jovens muçulmanos que se sentem marginalizados na Europa ou nos Estados Unidos, ao projetarem uma imagem de invencíveis no campo de batalha no Oriente Médio ou recuperarem hashtags populares entre os jovens, como fizeram com o cantor Justin Bieber.

Utopia do califado

Além disso, outros vídeos mostravam aspectos cotidianos da vida “normal” no suposto califado. “A maioria dos vídeos e dos conteúdos digitais produzidos pelo Estado islâmico no seu auge apresentava uma utopia, tentando mostrar que eles estavam construindo um Estado e uma sociedade utópicos”, sublinhou Marc Hecker, pesquisador do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).

A presença intensa nas redes sociais fez com que a ala midiática do grupo se tornasse um alvo prioritário dos serviços de inteligência internacionais. Nos últimos meses, o cerco à atuação online levou os jihadistas a concentrar suas ações na internet profunda para continuar a incitar os simpatizantes a agir.

Com informações da AFP

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