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Em plena campanha eleitoral, Netanyahu se envolve em briga com atriz que interpreta Mulher-Maravilha

Em plena campanha eleitoral, Netanyahu se envolve em briga com atriz que interpreta Mulher-Maravilha
 
A atriz israelense Gal Gadot interpreta a Mulher Maravilha no cinema. Reprodução/Instagram/Gal Gadot

A menos de um mês das eleições gerais em Israel, em 9 de abril, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está no centro de uma polêmica que envolveu até mesmo a atriz israelense Gal Gadot, que interpreta a Mulher-Maravilha nos cinemas. O assunto inflama as redes sociais no país.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv 

Tudo começou quando uma das mais famosas e populares modelos e apresentadores de TV de Israel, Rotem Sela, escreveu um post em sua conta no Instagram, há alguns dias, criticando o governo do partido de direita Likud.

“Quando diabos alguém neste governo dirá ao público que Israel é um país para todos os seus cidadãos?”, escreveu Sela. “Os árabes também são seres-humanos. Também os drusos, também os gays e, aliás, as lésbicas e... chocante... os esquerdistas”, continuou a modelo, com ironia.

Sela escreveu o post depois de assistir a uma entrevista da ministra da Cultura, Miri Reguev, que atacou um partido rival acusando-o de forjar alianças com partidos árabes – como se isso fosse uma ameaça ao país. A entrevista tocou num nervo exposto da sociedade israelense: o preconceito aos cidadãos árabes, que são 20% da população do país, e a outras minorias.

A crítica da apresentadora de TV, no entanto, passaria despercebida caso o próprio Netanyahu não tivesse decidido responder, no dia seguinte. “Querida Rotem, uma correção: Israel não é um Estado de todos os seus cidadãos. De acordo a Lei da Nacionalidade, que aprovamos, Israel é o Estado nacional do Povo Judeu, e apenas dele”, escreveu o primeiro-ministro.

Mulher-Maravilha em cena

O troca-troca de mensagens acabou elevando um simples post ao patamar de polêmica. Muita gente defendeu Rotem Sela. Mas quando a “Mulher-Maravilha” entrou em cena, a polêmica se tornou internacional. 

“Rotem, minha irmã, você é uma inspiração para todos nós”, escreveu a ex-miss Israel Gal Gadot, que interpreta a Mulher Maravilha nas telas de cinema. A atriz tem 28 milhões de seguidores no Instagram.

Gal Gadot, que é amiga pessoal de Rotem Sela, também escreveu que “não se trata de direita ou esquerda, judeu ou árabe, religioso ou secular. É uma questão de diálogo pela paz, igualdade e tolerância uns pelos outros”. 

O Estado do povo judeu

A questão do caráter judaico de Israel está no cerne da disputa entre esquerda e direita desde antes da criação do país, em 1948. Simplificando muito, pode-se dizer que, para a direita, Israel é o Estado do Povo Judeu, mesmo que dê plenos direitos a todos os seus cidadãos. Isto é: o caráter judaico de Israel como o local de audeterminação do Povo Judeu seria o valor-mor. Já para a esquerda, o caráter democrático de Israel deveria ser mais importante do que a identificação de Israel como a pátria judaica.

Essa discussão voltou à tona no ano passado, quando o governo do Likud – que lidera a coalizão mais à direita da História de Israel – aprovou a “Lei da Nacionalidade”, que formalizou a visão de Israel como Estado do Povo Judeu. Desde então, as minorias israelenses – muçulmanos, cristãos, drusos e outros – reclamam que se tornaram formalmente cidadãos de segunda classe.

Às vésperas das eleições, Netanyahu está fazendo de tudo para reafirmar essa visão conservadora, na esperança de conquistar votos da extrema-direita. A mesma estratégia deu certo nas eleições de 2015. No dia da votação, Netanyahu publicou um vídeo polêmico em suas redes sociais afirmando que os árabes estariam “indo votar em massa” contra o Likud. O vídeo deu certo e muitos eleitores de direita que não planejavam votar correram para as urnas para apoiar o partido do premiê.

Medo de perder as eleições

Desta vez, Netanyahu, que está há dez anos no poder, tem razão em temer que o Likud não receba a maior quantidade de votos. Isso porque todas as pesquisas eleitorais dão vitória ao “Azul e Branco”, um partido novo formado por três ex-generais que chefiaram o exército israelense e um ex-jornalista famoso, todos com posições de centro ou centro-esquerda. 

Para se reeleger, o primeiro-ministro precisaria de muitos votos da extrema-direita, o que incomoda muitos eleitores do próprio Likud, um partido que, historicamente, sempre foi de centro-direita, nunca radical. A utilização de conceitos e mensagens ultranacionalistas seria uma tática para conquistar esses votos.


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