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Mundo

Carlos Ghosn deixa prisão no Japão e diz que provará inocência

media Carlos Ghosn, de boné azul, sai da prisão de Tóquio na manhã desta quarta-feira, 6 de março de 2019. REUTERS/Issei Kato

Depois de pagar a fiança de 1 bilhão de ienes (R$ 34 milhões) fixada pela justiça japonesa, Carlos Ghosn deixou a prisão de Tóquio na manhã desta quarta-feira (6). O executivo franco-brasileiro passou mais de 100 dias detido, acusado de fraude financeira e abuso de confiança.

Carlos Ghosn deixou a penitenciária de Kosuge, onde estava detido desde 19 de novembro, com o rosto parcialmente coberto por uma máscara cirúrgica, boné e óculos escuros, em uma van escoltada por policiais. Dezenas de jornalistas, que aguardavam do lado de fora, acompanharam sua libertação.

A mulher de Ghosn, Carol, e sua filha mais velha, Caroline, tinham chegado mais cedo ao local num carro da embaixada francesa. Mas elas não deixaram a prisão no mesmo momento que o executivo.

O tribunal do distrito de Tóquio acatou o pedido de libertação do empresário franco-libanês-brasileiro, na terça-feira (5). Um recurso do Ministério Público japonês foi rejeitado pela Justiça, que autorizou o ex-presidente da Renault-Nissan a deixar a cadeia mediante rígidas condições e uma fiança milionária, paga por meio de seu advogado, Junichiro Hironaka, na manhã desta quarta-feira.

Detenção domiciliar

O ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi não poderá sair do Japão e teve seu passaporte apreendido. Ele será filmado 24h por dia durante sua detenção domiciliar, para evitar fuga e alteração de provas. Suas visitas e ligações telefônicas serão limitadas.

No Japão, não é comum que uma pessoa acusada de abuso de confiança consiga a liberdade provisória antes da definição da data de seu julgamento ou do início do processo. Analistas afirmaram que o novo advogado de Ghosn ofereceu garantias que convenceram o juiz de que o empresário não estaria em condições de destruir provas ou sair do país.

Hironaka deu a entender que o executivo poderá dar uma coletiva de imprensa assim que for possível. Ghosn jurou que vai provar sua inocência nas acusações de fraude fiscal na Nissan.

Reações

A libertação do ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi vai permitir que ele “se defenda livre e soberanamente”, declarou nesta manhã o ministro da Economia da França, Bruno Le Maire. Ele lembrou que é “essencial que o princípio de presunção de inocência seja garantido e que cada pessoa possa se defender da melhor maneira possível”.

O governo francês é um dos acionistas da Renault. Em nome da “presunção da inocência”, a montadora francesa demorou a pedir a saída de Carlos Ghosn do cargo. Bruno Le Maire salientou que quer se concentrar no “sucesso da Renault, que depende da solidez da aliança com a Nissan-Mitsubishi”.

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