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Mundo

Vitória na Síria não deverá acabar com o grupo Estado Islâmico

media Fumaça em Baghouz, palco dos enfrentamentos com o grupo Estado Islâmico, em 19 de fevereiro de 2019. REUTERS/Rodi Said

As colunas de fumaça podem ser vistas ao longe. Os bombardeios continuam em Baghuz, no leste da Síria. Há quatro dias, as Forças Democráticas Sírias (FDS) lançaram uma ofensiva para derrubar o último reduto do grupo Estado Islâmico no país. Nessa terça-feira dia (5), os militares atuavam na delicada operação de retirada de civis da área em conflito.   

Apoiados pela coalizão internacional liderada por Washington, os combatentes antijihadistas conseguiram dominar a única colina do campo de batalha e, do alto, monitoram os soldados do EI. Os blindados da FDS metralham as posições inimigas, mas o progresso é lento, como explica o comandante da missão.

“Essa é uma posição estratégica. A partir daqui, com armas de longo alcance, conseguimos cobrir as incursões de nossas tropas. Mas sei que a batalha vai durar ainda algum tempo”, disse o militar ao repórter Sami Boulkhelifa, enviado especial da RFI ao front.

“Há muitos túneis e milhares de barricadas. Essa é a estratégia do EI. Os jihadistas se escondem, saem para atirar e voltam rapidamente para seus esconderijos”, completou.

Escondidos em meio a um mar de minas terrestres, os terroristas têm atiradores e apostam em contra-ataques. “Em meio aos jihadistas há ainda combatentes estrangeiros que jamais aceitarão se render”, diz a fonte militar.

O território ocupado pelo Estado Islâmico ficou reduzido a um quilômetro quadrado. É lá que se encontram as últimas famílias, na maioria esposas e filhos dos jihadistas entrincheirados em Baghuz.  

Nos últimos dias, as Forças Democráticas Sírias desaceleraram sua ofensiva para permitir que os civis e os combatentes jihadistas que quisessem se render deixassem o enclave, na província de Deir Ezzor. Quase 3.000 pessoas saíram da localidade nas últimas 48 horas, segundo o porta-voz das FDS, Mustafa Bali.

"Entre o grupo havia um grande número de combatentes do EI que se renderam", ressaltou o militar no Twitter.

Já o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) informou a "evacuação de 280 jihadistas" que capitularam desde a desaceleração das operações.

Cerca de 53 mil pessoas, em sua maioria parentes de extremistas, deixaram Baghuz desde dezembro, de acordo com o Observatório. Entre elas, mais de 5.000 jihadistas foram presos, segundo a mesma fonte.

Será o fim do EI?

A essa altura, a comunidade internacional se pergunta: a vitória das forças anti-jihadistas na Síria seria o fim definitivo do grupo Estado Islâmico? A resposta é não, na opinião do ex-coronel do exército francês Michel Goya, que apela ao governo para esclarecer qual o objetivo que persegue na Síria.

“Não há outra estratégia que não seja reduzir o espaço de atuação dos jihadistas. Porém, isso não colocará fim à guerra. O Estado Islâmico passou a maior parte de sua existência na clandestinidade e vai voltar a isso. Eles já começam, especialmente no Iraque, a fazer um combate mais clandestino, com a multiplicação de ataques e atentados. A guerra não terminou”, afirma.

Depois de uma ascensão meteórica em 2014, o EI proclamou em junho do mesmo ano um "califado" nas vastas áreas conquistadas na Síria e no vizinho Iraque. Contudo, em face de várias ofensivas nos últimos dois anos, os jihadistas perderam quase todo o terreno, restando apenas este quarteirão em Baghuz.

Segundo observadores, a perda de Baghuz vai significar o fim territorial do "califado" na Síria, após sua derrota no Iraque em 2017. Mas o grupo já começou sua transformação em uma organização secreta. Seus combatentes estão espalhados no deserto da Síria, no centro do país, e ainda conseguem realizar ataques mortais.

“Resistir, para eles, é uma vitória simbólica. Quando o grupo consegue resistir por seis meses à maior coalizão militar conhecida na história, eles são vencidos, obviamente, mas conseguir sobreviver já é um estímulo para a causa,” explica Goya.

Campos lotados

A maioria das pessoas retiradas dos locais ocupados pelos jihadistas foi transferida para o campo de deslocados de Al-Hol, mais ao norte do país. A população no local atualmente chega a mais de 56 mil pessoas, "mais de 90% das quais são mulheres e crianças", informou na terça-feira o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) na Síria.

"Entre 22 de fevereiro e 1°de março, cerca de 15.000 pessoas chegaram ao campo", disse o OCHA, relatando a morte de 90 pessoas, das quais dois terços tinham menos de cinco anos de idade, no trajeto de Baghuz para Al-Hol ou logo após a sua chegada ao acampamento.

Essas pessoas precisam de "ajuda imediata", advertiu na segunda-feira o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em um comunicado.

"As pessoas estão embrulhadas em roupas porque não têm lugares fechados para dormir. Algumas nem têm tendas e ficam expostas à chuva, ao vento e a temperaturas extremas", lamentou o órgão de ajuda humanitária.

Com informações da AFP

 

 

 

 

 

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