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Venezuela: manifestações marcam retorno de Guaidó, que pode ser preso

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Venezuela: manifestações marcam retorno de Guaidó, que pode ser preso
 
Juan Guiadó e sua esposa, Fabiana Rosales, deixam hotel em Salinas, no Equador, neste domingo (Foto: Reuters)

A partir das 11h desta segunda-feira (4) de carnaval os venezuelanos voltam às ruas de várias cidades da Venezuela em apoio à convocação do autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó. A expectativa é que ele chegue hoje ao país depois de ter ficado quase uma semana fora, ignorando as determinações do Tribunal Supremo de Justiça, que o proibiam de viajar.

Por Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil na Venezuela

O opositor corre o sério risco de ser preso ao chegar à Venezuela. No entanto, ele afirma que, caso isso aconteça, este será “um dos últimos erros de Nicolás Maduro”. Prevendo uma reação deste tipo por parte do governo venezuelano, ele informou que deixou uma série de vídeos gravados nos quais estão especificadas as diretrizes que devem ser tomadas caso ele seja capturado ou algo de mal aconteça com ele. O líder opositor também pediu apoio às mobilizações em todo o país. Segundo Guaidó, os aliados internacionais têm instruções claras caso Maduro decida aplicar retaliações. O autoproclamado presidente interino afirmou que “estamos mais fortes do que nunca e não é momento de esmorecer”.

Guaidó aproveitou a viagem para se reunir com presidentes e visitar alguns países da região: Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador. Todos receberam grande fluxo de migrantes venezuelanos que escaparam da crise venezuelana. Guaidó afirmou que uma das conquistas desta viagem foi a de que venezuelanos com o passaporte vencido possam permanecer nos países. Sobre a entrada do primeiro carregamento da ajuda humanitária, Guaidó assumiu que a operação fracassou.

Tensão tende a subir

A situação no país é tensa, sobretudo na região das fronteiras. Cidadãos ainda protestam por causa do fechamento, há mais de uma semana, da passagem para a Colômbia, onde muitos venezuelanos trabalham ou estudam. Já perto do Brasil, o clima é de revolta por causa da morte de pelo menos sete índios da etnia pemón, durante ataques de forças do governo em retaliação ao impedimento de fechar a fronteira imposto pelos indígenas.

Na capital, Caracas, o clima é de relativa calma, sobretudo após o presidente Nicolás Maduro ter antecipado o feriado de carnaval para a quinta-feira passada. A cúpula do governo tem se dedicado à divulgação das belezas do país, banhado pelo Caribe, para promover o turismo nacional, apesar da crise econômica. Enquanto o governo faz propaganda do turismo, opositores usam as redes sociais para fazer críticas citando, por exemplo, a grave situação dos hospitais na Venezuela.

Oposição insiste

O retorno de Guaidó, nesta semana, promete trazer de volta a agitação política e social que os venezuelanos estão acostumados. Desde que o deputado anunciou, em 23 de janeiro, que tomava a presidência interina e paralela do país, os opositores voltaram à cena política nacional e vêem no opositor a derradeira chance de mudar a situação da Venezuela. Além disso, até mesmo a base do chavismo, composta por pessoas de baixa renda, já admite que é impossível o país continuar como está. De acordo com a Hinterlaces, uma empresa nacional de pesquisas, cerca de 81% dos venezuelanos apoiam o diálogo entre governo e oposição.


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