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Mundo

Sede da cúpula entre Trump e Kim Jong-un, Vietnã reprime dissidentes

media A segunda cúpula entre Donald Trump e Kim Jong-un acontece nestas quarta (27) e quinta-feira (28) no Vietnã. REUTERS/Jorge Silva

O governo comunista que dirige o Vietnã montou um forte esquema de segurança para acolher a segunda cúpula entre Kim Jong-un e Donald Trump, que começa nesta quarta-feira (27) em Hanói. O país está “em estado de sítio” compara o Les Echos desta terça-feira (26). Libération denuncia a repressão à liberdade de expressão pelo regime vietnamita.

A expectativa é grande no Vietnã nesta véspera do encontro dos dois dirigentes, informa Les Echos. A estação ferroviária da cidade de Dong Dang, na fronteira entre o país e a China, onde o trem blindado do líder norte-coreano chegou nesta manhã estava cercada por dezenas de policiais.

Os dois dirigentes vão se reunir em um país que reprime a liberdade de expressão de seus dissidentes, revela Libération. A repressão contra os opositores se intensificou principalmente na internet e essa tendência deve se confirmar em 2019 com a entrada em vigor de uma lei que cerceia a atividade nas redes sociais, muito populares no Vietnã.

Dos 96 milhões de habitantes, 64 milhões são conectados. Entre 2016 e 2017, Facebook se transformou no porta-voz das vítimas da catástrofe provocada pela siderúrgica Formosa, no centro do país; um escândalo que o governo tentou encobrir.

Publicações contrárias ao regime serão apagadas

A partir deste ano, as plataformas interativas da web têm até 24 horas para retirar as publicações consideradas “indesejáveis” pelo regime. A nova legislação é opaca e a ONG Repórteres Sem Fronteiras faz pressão para que Facebook e Google, entre outros, não cedam e não entreguem os conteúdos exigidos por Hanói.

O partido comunista no poder nunca deu trégua aos críticos do regime, mas nos dois últimos anos a caça às bruxas cresceu. Blogueiros, operários, militantes, jornalistas, estudantes, veteranos de guerra, motoristas ou mesmo simples usuários do Facebook, suspeitos pelo governo, são convocados e interrogados. Alguns são presos e condenados. Há até desaparecidos, denuncia o jornal progressista francês.

Prisioneiros políticos

Segundo a rede de direitos humanos do Vietnã, baseada na Califórnia, o país tem mais de 200 prisioneiros políticos. A situação de alguns desses presos é considerada grave e complica as negociações sobre um acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Vietnã. No dia primeiro de fevereiro, nove eurodeputados enviaram uma carta ao presidente vietnamita, Nguyen Pho Trong, pedindo a libertação de Hoang Duc Binh, um militante dos direitos humanos, doente, que foi condenado em 2018 a quatorze anos de prisão.

O secretário-executivo do Comitê Vietnã pela Defesa dos Direitos Humanos na França, Vo Tran Nhat, entrevistado por Libération, fala em penas cada dia mais pesadas, acompanhadas de agressões, torturas e pressões psicológicas. O desinteresse de Trump pelo Vietnã desinibiu o regime que multiplicou as violações contra a liberdade de imprensa e a repressão contra a sociedade civil, avalia Libération.

Kim Jong-un e Trump “têm pressa”

É neste país que o líder norte-coreano e o presidente americano se reúnem a partir desta quarta-feira e os dois homens “têm pressa para se entender”, analisa Le Monde. Nesta segunda cúpula, eles querem exibir um sucesso diplomático.

Trump visa superar as dificuldades que enfrenta nos Estados Unidos ao se transformar no primeiro presidente americano a por fim no estado de guerra com a Coreia do Norte. Kim Jong-un espera que a diminuição da tensão entre os dois países traga uma saída para desenvolver a combalida economia norte-coreana.

Mas as eleições americanas de 2020 podem complicar esse projeto. O prazo é apertado para atingir o objetivo oficial de um desarmamento nuclear unilateral e total da Coreia do Norte, acredita Le Monde.

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