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Mundo

Dezenas de caminhões evacuam familiares de terroristas de último reduto do EI na Síria

media Caminhões carregados de civis andam perto da aldeia de Baghouz, na província de Deir Al Zor, na Síria, em 22 de fevereiro de 2019. REUTERS/Rodi Said

Mais de 40 caminhões transportando homens, mulheres e crianças deixaram nesta sexta-feira (22) o último reduto do grupo Estado Islâmico (EI) no leste da Síria, sob a supervisão dos combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS).

Escoltado por combatentes, o comboio foi visto perto do vilarejo de Baghuz, onde o EI se encontra entrincheirado em uma pequena área de meio quilômetro quadrado. Os caminhões transportavam mulheres em niqab preto, algumas com mochilas, crianças com roupas sujas, algumas comendo um pedaço de pão, e homens com os rostos cobertos.

Em Baghuz, os combatentes do EI estão presentes em algumas casas, onde se escondem em túneis, em meio a um oceano de minas terrestres. Mas ainda há civis na cidade, principalmente mulheres e crianças dos jihadistas, que os combatentes curdos e árabes tentam retirar da área.

Apoiados pela coalizão internacional liderada por Washington, os combatentes das FDS esperam o fim das retiradas de civis para retomar a ofensiva contra os jihadistas radicais entrincheirados. "Estimamos que ainda há milhares de pessoas" no vilarejo, ressaltou um porta-voz das FDS, Mustefa Bali, nesta sexta-feira (22). "Estamos aguardando o da operação para lançar o ataque final", disse ele, que espera que os comboios partam entre "hoje ou amanhã".

Depois de uma ascensão meteórica em 2014 e a conquista de vastos territórios na Síria e no Iraque, o EI perdeu quase tudo o que conseguiu por meio de várias ofensivas.

Guerra ou rendição?

Nesta sexta, jornalistas presentes no local ouviram tiros esporádicos de artilharia no vilarejo, enquanto uma fumaça preta subia em torno de Baghuz. Para Adnane Afrine, outro porta-voz das FDS, os jihadistas e seus parentes que se recusam a deixar a localidade terão como únicas opções “a guerra ou a rendição".

Na quarta-feira (20), quase 3.000 pessoas deixaram a localidade em uma dúzia de caminhões, segundo as FDS. Eles foram levados a outro local, e submetidos a revistas e interrogatórios. A maioria deles eram estrangeiros, segundo Bali. "Principalmente iraquianos, nacionalidades do antigo bloco soviético, além de ocidentais", informou.

Desde o início de dezembro, quase 44 mil pessoas, a maioria famílias de jihadistas, fugiram da área, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). "Muitas francesas", mas também mulheres da Austrália, Áustria, Alemanha e Rússia, confirmou David Eubank, chefe da ONG americana Free Burma Rangers, que lhes fornecem os primeiros socorros e comida.

Já a ONG Human Rights Watch (HRW) pediu a proteção dos civis. Citando testemunhos, a organização evocou condições "terríveis" de vida nos últimos meses na região, onde a "falta de comida os obrigou a comer mato e folhas para sobreviver".

Desencadeado em 2011, o conflito na Síria se transformou em uma guerra complexa que deixou mais de 360.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados. Mesmo se o EI está prestes a perder sua última fortaleza na Síria, os terroristas ainda estão espalhados no deserto central de Badiya e cometem ataques nas regiões dominada pelas FDS.Na quinta-feira (21), o grupo reivindicou um atentado com carro-bomba a apenas dez quilômetros de um campo de petróleo convertido em uma base militar das FDS, que matou 20 pessoas, segundo o OSDH.

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